Somos tão jovens

Ia postar este texto no meu outro blog, mas acho que tem mais a ver com esse aqui, haja visto que fala sobre questões que de alguma forma tem a ver com consumo, ao menos em essência. Então lá vai:

Jovens, por favor, parem de falar de dinheiro. De ter dinheiro, de ganhar dinheiro, de acumular dinheiro. Eu já estive nesse lugar, acho. Não de acumular, mas de ganhar, de ter. Eu queria ter dinheiro pra bancar as coisas que eu queria fazer. Nunca fui de gostos caros, mas eu gostava de comprar. Talvez tenham sido as pindaíbas da vida que me fizeram assim, mas com meus 19, 20 anos, eu era uma super gastadeira. Roupas, sapatos, bolsas, passeios, almoços e jantares. Na Barra da Tijuca onde eu trabalhava e estudava durante a semana, no Centro e Zona Sul pra onde eu normalmente ia nos finais de semana, eu gastava e gastava e gastava. E eu não sentia nada. Absolutamente nada. Nem remorso por gastar uma fortuna, nem felicidade por gastar uma fortuna. Eu entrei fácil na mentalidade do “trabalho muito, eu mereço”. É exatamente essa mentalidade que vejo agora deixar doentes as pessoas da minha faixa etária, as um pouco mais jovens e as um pouco mais velhas.

Não estou dizendo que todo mundo tem que viver pela minha mentalidade de agora, longe de mim. Cada um tem que descobrir sua própria noção de sucesso e satisfação pessoal, mas é exatamente este o ponto: a sua noção de sucesso. Eu vejo gente de 20 e poucos anos que é gerente de um monte de coisa, que está fazendo ou já fez mestrados mil, pós, doutorado e mais sei lá o quê. Gente de 30 anos casada, com filho, com aluguel, com condomínio, com carro pra pagar. E infeliz. Gente que fica até tarde no trabalho porque não vê prazer em voltar pra casa. Gente que se enfia nos estudos achando que vai ficar rico pra não ter que lidar com os perrengues normais da vida. Gente que deveria estar aproveitando o tempo e ao invés disso está mergulhada em alcançar estabilidade.

Deixa eu contar um segredo pra vocês: estabilidade não existe. Ela é uma ilusão que colocam na nossa cabeça desde cedo, pra fazer a gente se render a tudo que é considerado certo e normal. Ela é uma ilusão que deixa a gente doente tentando se adequar, tentando alcançar o tão almejado sucesso. Saí do ensino médio com 16 anos. Meu plano era ter duas graduações antes dos 25. Não completei nenhuma até hoje e não me arrependo. Se eu tivesse me formado na primeira que entrei, não teria vivido metade das experiências incríveis que vivi. Aí você argumenta um “ah, mas você teria tido outras experiências”. Mas será? Será que eu não estaria agora completamente arrependida da vida? Eu nunca vou saber, certo? Ainda assim, consigo olhar pra trás e estar em paz com o caminho que escolhi. Hoje tenho um emprego que adoro, aprendo coisas novas todos os dias, e vejo vários colegas que entraram comigo na faculdade de comunicação e não conseguiram emprego na área até hoje. Muitos, inclusive, desistiram e foram fazer outras coisas da vida.

Me dá uma dor muito grande no coração enxergar todos esses padrões. Me dá uma dor maior ainda quando alguém de menos de 30 anos me olha esquisito quando falo sobre minha filosofia de vida, e eu sei que aquela pessoa não está plena e feliz e em paz tentando alcançar o sucesso padrão. É possível viver de maneira diferente. Existe vida fora da universidade, fora da carreira, fora do dinheiro. Ela é real e ela é linda. Existe vida fora da sociedade de consumo, e você vai se surpreender com quantas pessoas e iniciativas incríveis você conhece quando sai da sua bolha.

Não estou dizendo, com isso tudo, pra todo mundo chutar o balde. Mas desacelerem. Somos muito jovens, ainda. Se você tiver 30 anos agora e morrer com 60 (o que é bem jovem e eu desejo que não te aconteça haha), você ainda tem metade da sua vida pra viver. Sabe? Não espere o final de semana pra ser feliz, não espere as férias pra viajar, não espere a vida passar pra olhar para trás e perceber que você nunca fez uma escolha consciente. Que você usou todo o seu tempo em coisas que na realidade não te renderam nada. A estabilidade é uma falácia construída pra nos manter no cabresto. As pessoas mais incríveis que eu conheci na vida tirariam zero na prova da estabilidade padrão.

Além de tudo, toda essa correria acaba com a saúde. Eu conheço pouquíssimas pessoas da minha faixa etária que nunca tenham tomado um tarja preta na vida. Antes de acordar pra isso tudo, já tive um colapso nervoso no meio do carnaval e terminei tomando rivotril na emergência do hospital. Isso não faz nenhum sentido, gente, nenhum. É pegar a juventude – de alma, especialmente – e jogar fora. Não jogue sua vida fora. Escolha consciente, faça o que seu coração manda. Eu tenho certeza absoluta que nenhum coração na história gritou coisas como “ganhe dinheiro”, “cresça na carreira”, “tá namorando a muito tempo, hora de casar” e “porque não comprou um carro ainda?” pra ninguém.

Enfim, é isso. Quase um desabafo. A vida é curta demais pra não ser feliz agora, e longa demais pra permanecer infeliz. 😉

Cinco razões pra começar a costurar hoje

Depois de eras e eras e eras sem escrever aqui por motivos de vida degringolada (nem vou entrar em detalhes, ao menos não nesse post), voltei pra falar sobre algo que tem me feito muito feliz: costurar. É lindo, é feliz, toma menos tempo do que todo mundo acredita, e absolutamente qualquer pessoa (com o mínimo de paciência hehe) consegue aprender! Eis uma lista (não supero esse amor por listas haha) de razões para começar a costurar:

1 – É econômico

Tenho visto saias no estilo que gosto com preços que variam entre R$ 150,00 e R$ 400,00. Por uma porção enorme de motivos (alguns serão inclusive expostos abaixo), não pago isso em uma roupa, especialmente se ela estiver sendo vendida em uma grande rede. Acredito em valorizar o trabalho de quem faz, mas mesmo que eu quisesse, não conseguiria dar tanto em uma peça de roupa.

Agora corta pra costura. É possível encontrar tecidos lindos por preços super acessíveis. Pra saia de melancia que postei no Insta semana passada gastei R$ 17,00 no tecido e reaproveitei um zíper de outra peça. Uma saia que é vendida por aí por uns 200 mangos saiu por 17 reais. Se eu for computador a minha hora de trabalho, ainda assim sairia mais barato, porque demorei aproximadamente 2h30 pra terminar tudo.

Além dos tecidos que já são baratos, algumas lojas possuem bancas de retalhos, em que você acha barganhas ainda melhores. O tecido de melancia mesmo custava R$ 19 o metro. Comprei 1,80m pelos 17, pois estava na banca. Não necessariamente são retalhos pequenos: o fim do rolo e tecidos com pequenas avarias também vão pra banca. Vale se afundar nas montanhas e encontrar pechinchas incríveis! A maioria das lojas do SAARA tem essas bancas, vale uma visita!

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2 – Você tem certeza da procedência

Toda vez que comprava roupas, ficava encafifada pensando nas condições de trabalho de quem fez aquilo. Essa pessoa era bem paga? Trabalhava uma quantidade humana de horas? Tinha benefícios? Trabalhava em um ambiente seguro? É muito difícil responder essas questões com certeza quando se compra em grandes redes. Pra minha classe social/condição financeira, esses eram os únicos lugares em que eu conseguiria comprar. Já me preocupava antes, mas depois de ver o doc The True Cost, se tornou impossível fazer vista grossa mesmo de vez em quando (não sou uma santa, cheguei a comprar nessas lojas antes do doc, mesmo sabendo de onde poderia ter vindo. Me senti mal, mas fiz). Aqui não vale aquele ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”. Meu coração sente sim, e eu prefiro não fazer.

Corta pra costura de novo! Quando você costura, sabe como está trabalhando quem faz a sua roupa! HAHA Além disso, pode também inventar mil coisas diferentes, usar peças exclusivas, fazer consertos e reformar peças de brechó. Nunca mais calça caindo ou camiseta furada embaixo do braço! hahaha

Como eu ainda assim me preocupo, procuro comprar tecidos fabricados no Brasil, e sempre dar uma conferida na internet se existe algum escândalo ou problema relacionado a empresa. Normalmente a marca do tecido vem estampada nas barrinhas laterais, e é só jogar no google. Não vale se preocupar com a roupa pronta, mas comprar tecido fabricado nos cafundós do oriente, né? Na dúvida, a gente evita!

3 – Ter algo feito por você é maravilhoso!

Quando é a gente que faz, acabamos dando mais valor. Assim como peças compradas de pequenos empreendedores, as costuradas por você tem um valor que vai muuuito além do financeiro. Você coloca capricho nos detalhes, investe em coisas bacanas e pode dizer com orgulho “fui eu que fiz!” quando alguém elogiar. Costurando fazemos amigos, e quando mais se pesquisa, mais se encontra gente que também costura, blogs, tutoriais, é quase um vício! HAHA

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Na semana passada três desconhecidas elogiaram minha saia na rua, e eu quase morri de felicidade. Confesso que estava andando com mais confiança, é uma felicidade indescritível. Uma senhora no ônibus até me deu os parabéns quando eu disse que fui eu que fiz, foi lindo! <3

4 – Costurar é o melhor caminho pra quem está fora do padrão

Como a roupa feita em casa é desenvolvida a partir das suas medidas, ela sempre cai bem! Não importa se você é alta, baixa, magra ou gorda: o comprimento, o gancho e a cintura vão sempre ficar perfeitos. Eu por exemplo, além de ser plus size, tenho uma diferença enorme entre o tamanho da cintura e o do quadril. Pra vocês terem noção, minha cintura tem metade do tamanho da minha bunda! HAHA Em resumo, é muuuuito difícil uma roupa de loja ficar bem em mim, mesmo de loja plus. normalmente sobra muito na cintura ou, quando fica bem na cintura, aperta muito no quadril. Como resultado, a maioria das roupas não valoriza minhas curvas fartas: ou eu pareço um saco de batata amarrado no meio, ou pareço ter uns 30kg a mais do que tenho. Amo meu corpo e meu tamanho, mas também amo ver minha cintura fina valorizada, né? hehe

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Um caimento é um caimento, é a parte mais importante pra se sentir bem com uma roupa. Cintura alta que é realmente alta, calça que não deixa o cofrinho aparecendo, roupa que não aperta em canto nenhum e por aí vai. Além disso, você escolhe o que você veste, como veste, como é. Isso é revolucionário!

5 – Exclusividade e mais exclusividade

Eu amo coisas exclusivas na mesma proporção que odeio fast fashion. Acho que o prêt-à-porter só surgiu pra fazer as pessoas se sentirem piores, especialmente as mulheres. Não existe lugar em que todas as pessoas tenham o mesmo corpo, e o pronto pra usar não respeita essas particularidades. Algumas empresas até lançaram linhas com modelagens para diferentes tipos de corpo, como a Levi’s, mas só vão até um determinado tamanho. Por alguma razão, a indústria acha que todos os gordos tem o mesmo corpo, todas as pessoas altas, todas as minorias. Aos olhos da indústria, é você que se adequa a ela, e não o contrário. Porque dar dinheiro pra quem não te respeita, né? É quase como alguém virar pra você e falar “Otário!”, e você entregar dinheiro pra pessoa por isso. Não seja a Naiara Azevedo: a superioridade de dar 50 reais pra quem te magoa só funciona na música. HAHAHAHA

Além de todas essas questões (socorro, eu amo a palavra além), tem mais: imagina chegar em qualquer lugar com a certeza de que absolutamente ninguém tem uma roupa igual a sua? Isso é quase ser uma celebridade no tapete vermelho! Mais legal, até, porque vira e mexe rolam aquelas gafes e duas pessoas vão com a mesma roupa a algum evento. Quando você compra um tecido, mesmo que outras pessoas comprem, é praticamente impossível que elas façam a mesma coisa que você. Mesmo que a base seja a mesma, cada um adiciona diferentes detalhes e nuances as peças.

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Não sei vocês, mas eu amo me sentir a Barbie Noiva do rolê: só ela tem, mais ninguém.

Bem amigos da Rede Bobo, é isso! Espero que esses cinco motivos sejam tão fortes e lindos pra vocês quanto são pra mim, e que você termine esse texto com uma vontade loka de começar a costurar! Não tem máquina? Mantenha a calma! É possível encontrar máquinas de segunda mão por valores justos, e pesquisando dá pra achar ateliês que alugam o espaço, com várias máquinas a disposição. Minha dica nesse caso é: modele em casa e vá com tudo cortadinho, pra economizar. hehe

Quem for do RJ e quiser ajuda, me manda mensagem, vamos marcar um café com costura (e bolo, porque tudo fica melhor com bolo haha)! Ainda não sei muuuita coisa, mas vou adorar passar adiante o que sei. <3

Beijos, queijos e uma excelente semana pra vocês! \o/

 

Feira da Pracinha no MAR ♥

No último sábado, dia 25, nossa Feira da Pracinha foi convidada a participar de um evento incrível: uma feira de trocas no Museu de Arte do Rio. A feira aconteceu paralelamente ao Congresso dos Irreais, representando as feiras de economia colaborativa da cidade, e a “moeda de troca” foram os Irreais, moeda criada pelo artista José Miguel Casanova. Para saber mais sobre esse projeto incrível que é o Banco dos Irreais e abrir sua conta, clique aqui. Um breve resumo pra ambientar o que vou contar a seguir (hehe):

“Um Banco de Tempo é uma ferramenta de desenvolvimento de trocas sociais que permite uma nova forma de relacionamento entre os membros de uma comunidade. Ele é uma das práticas da economia solidária, que é uma forma de organização da produção-consumo, ambiente de cooperação comercial e boa vida das pessoas, ao contrário da concorrência e acumulação de capital que caracterizam o sistema capitalista. É uma economia de trocas que não procuram a acumulação de quantidades, mas são baseadas no uso e circulação de bens e serviços para o bem comum”.

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Com essas coisas maravilhosas em mente, saímos de Jacarepaguá de mala e cuia, com caixote debaixo de braço, uma porção de livros e roupas, e a vontade enorme de compartilhar experiências. Além da Feira da Pracinha, eu e minha mãe também participamos do grupo Viajantes do Território, que estava na feira (ficamos grudadinhos barraca com barraca <3) e fez um trabalho maravilhoso ao longo do dia. Chegamos por volta de 12h, e a feira durou de 13h as 16h30, seguida por uma confraternização que envolveu comida mexicana, tequila, mezcal e muito amor. É incrível a energia que circula após uma experiência como essa!

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A parte mais fantástica, pra mim, foi explicar aos passantes o que era a feira, o Banco dos Irreais e qual era o intuito da experiência. Muitos visitantes desavisados paravam na barraca pra tentar entender, e era engraçado ver o espanto e os olhinhos brilhando quando perguntavam “mas é pra troca? não tem que pagar nada?”. De fato, a maioria das pessoas não está acostumada a trocar algo que não use mais por algo que quer ou precisa. Não estamos acostumados a transações que não envolvem dinheiro, pois crescemos aprendendo que precisamos dele para ter o que queremos ou precisamos. Acho que essa é a beleza dos Irreais: mostrar que existem diferentes formas de consumo, e que o seu tempo, seu afeto e seus conhecimentos valem tanto – ou mais – do que dinheiro. Quando trocamos alguma coisa, não trocamos apenas a coisa em si, mas também uma quantidade de energia que alcança a outra pessoa. Uma quantidade de energia boa que é capaz de reconfortar, encher o peito de amor, arrancar sorrisos e tornar o dia mais bonito.

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Dito isso, compartilho o momento mais singelo que vivi no dia 25: Uma senhora chegou a barraca perguntando o que estava acontecendo ali. Expliquei, ela olhou as coisas e ficou apaixonada por um dos cachecóis. Coincidentemente, da pilha que levamos, aquele era o único que eu tinha tricotado. Como não tinha nada pra trocar, a senhora perguntou se eu não poderia vender. Expliquei que o intuito da feira era a troca, e que por isso não poderíamos vender os itens, e ela repetiu com pesar “gostei tanto desse cachecol, é tão lindo”, se despediu e continuou o passeio. Fiquei muito chateada por alguém ter gostado tanto de algo que eu fiz e não poder levar, então resolvi ir atrás dela e oferecer uma troca diferente: um cachecol por um abraço. Ela ficou tão feliz que deu um grito, me abraçou apertado e logo colocou a peça no pescoço. Acho que eu nunca me senti tão abraçada! haha Meia hora depois, passou novamente pela barraca e me deu mais um abraço. No final do dia, quando já estávamos desmontando, veio uma última vez pra me mostrar que ainda estava com ele no pescoço. Momentos como este não tem preço, mas tem um valor absurdo e marcam a gente. Vou levar comigo pro resto da vida a sensação de fazer uma desconhecida tão feliz com um ato tão simples. Dinheiro nenhum no mundo pagaria por isso.

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Além desta, outras trocas inusitadas aconteceram ao longo do dia: trocamos roupas por comida (quem já comeu nas barraquinhas próximas ao MAR sabe que foi uma das melhores trocas. hahaha), irreais por uma muda de batata doce, sabão e amaciante caseiros, sal de ervas e mais uma porção de coisas incríveis. Aproveitando o momento, Diogo também levou uma pilha de fotografias pra doar, o que gerou uma reação fantástica nas pessoas: ninguém está acostumado a ganhar nada de um desconhecido. Mais do que a doação das fotos, foi uma troca de tempo. Ninguém parava pra escolher fotografias sem conversar com a gente e contar alguma coisa. É impressionante o poder que esse tipo de acontecimento tem de “destravar” as pessoas, de fazer com que a gente fique mais vulnerável, mais aberto ao novo.

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Se eu escrevesse mil posts sobre o excelente dia que tive no sábado, ainda seria pouco pra descrever tudo que senti. Foi uma experiência revigorante, uma memória que vou guardar com muito carinho. Gostaria de agradecer imensamente a todos os envolvidos! A Bruna Camargos pelo convite, pela simpatia e pelo sorriso contagiante; Ao José Miguel Casanova, por viabilizar todas essas trocas e experiências fantásticas; A Núbia, João (a.k.a. minha mãe e irmão hehe) e Diogo pela alegria que é compartilhar projetos e ideias com vocês; Aos outros participantes da feira, pois é sempre muito lindo conhecer gente com pensamentos próximos aos nossos; Aos Viajantes do Território pela troca, pelos papos e pelas rabanadas, vocês são incríveis de lindos! Dizer “Muito obrigada!” é pouco pra toda essa gente linda, deixo aqui minha gratidão desmedida. <3

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Se você leu até aqui e ainda não tem conta no Banco dos Irreais, corre lá e compartilha seus saberes, tempo e experiências! Já cadastrei algumas coisas e vou adorar poder trocar com vocês. 🙂

Vida sem shampoo – Parte I

Tinha resolvido que só falaria sobre isso após um mês sem shampoo, mas ainda falta uma semana e dois dias e eu não me aguento. hehe Deixei a ansiedade falar mais alto e aqui estou a escrever sobre essa experiência incrível e gratificante. São atualmente quase três semanas sem shampoo e meu cabelo continua respondendo bem. Sei que não é assim pra todo mundo, e por isso resolvi fazer esse post.

Muito se fala sobre técnicas alternativas de cuidados com os cabelos. A mais famosa, No Poo, consiste em não utilizar shampoos com sulfatos e outros químicos pesados proibidos. Existem diferentes variações da técnica, que vão desde fazer o co-wash – uma higienização com condicionador – até outras mais “radicais” (radical pra mim hoje em dia é colocar um monte de química esquisita no cabelo, mas falta palavra melhor hehe), como utilizar bicarbonato de sódio na lavagem e vinagre pra condicionar, ou utilizar apenas água no cabelo. A última pode parecer estranha mas, acredite, o cabelo se adapta. Eu escolhi não utilizar nenhuma dessas técnicas, e explico abaixo porquê.

Substituindo uma ditadura por outra

Do meu ponto de vista, o que se vê como No Poo no Brasil não faz sentido. Mesmo sem os químicos nocivos dos produtos tradicionais, os produtos liberados pra No Poo contém químicos de nome estranho, são produzidos industrialmente e causam sabe-se Deus quanto impacto na natureza e nos animais. Existem sim marcas conscientes, que produzem em pequena escala e são super engajadas, mas essas marcas custam uma fortuna e nem todo mundo tem acesso. Eu, por exemplo, não tenho. Indo um pouco além, sempre me questiono o seguinte: se uma grande corporação cria uma linha liberada pra essas técnicas, mas não tira do mercado os produtos tradicionais cheios de químicos nocivos, qual é o sentido? Pra mim, abolir esses produtos vai muito além da minha saúde e bem estar: tem relação com a sustentabilidade e a saúde do planeta. Tem a ver com o fato de que as indústrias não praticam a logística reversa e todos os anos uma infinidade de embalagens – de produtos liberados para a técnica ou não – vai pro meio ambiente.

Acho os grupos de No Poo e Low Poo do facebook maravilhosos. São um espaço de aceitação, amor e tretas. Muitas tretas. Quem pode fazer, quem não pode fazer, quem vale mais e quem não vale. Vira e mexe rola racismo, uns comentários escrotos, uma falta de tato e de noção que eu não compreendo. Não dou pitaco em nada, mas fico observando as discussões que vão de nada a coisa alguma. Não usar shampoo é um ato político sim, mas não somente quando falamos de cacheados e crespos. Mas se pegamos uma ideia bacana e ao invés de usar essa ideia pra promover o consumo consciente continuamos investindo no consumo desenfreado – e deixando as marcas usarem isso como marketing, lançando novos produtos todos os dias – a coisa toda perde o sentido. Vamos de uma ditadura (a dos lisos, das progressivas, dos produtos mil) a outra (que também visa o consumo, no final das contas, com mil cremes de pentear, nutrição, hidratação, reconstrução e o que mais nos enfiarem goela abaixo). Pensando nisso tudo, me coloquei a pesquisar e tentar encontrar outras soluções.

O que meus ancestrais faziam?

O nome No Poo é americano e patenteado. Rendeu (e rende) uma pequena fortuna pra sua criadora. Bem antes disso, a técnica já existia, sem nome, permeando a história. Basta pensarmos: sempre existiu shampoo? A resposta é simples, um sonoro “não!”. Ainda assim, as mulheres já cuidavam de seus cabelos, e ninguém andava com o cabelo sujo por aí. Em uma pesquisa rápida descobrimos que a indústria cosmética como conhecemos hoje é bastante recente, especialmente se comparada com o tempo que o ser humano transita na terra. Antes da existência do shampoo – e na realidade até hoje, em certas tribos e comunidades – outros produtos eram utilizados para higienizar e tratar os fios. Plantas, óleos, sementes, água. As possibilidades são quase infinitas. Cada lugar do mundo desenvolveu sua própria forma de lidar com a higiene e os cuidados pessoais. Algumas técnicas podem soar radicais ou esquisitas, mas disse e repito: radical pra mim hoje em dia é entupir meus poros com ingredientes que não sei pronunciar o nome.

Mais do que criar shampoos, cremes e relacionados, a Indústria fez um trabalho muito forte de desmantelamento e descrédito das técnicas ancestrais. Basta jogar “mel no cabelo” no google e somos levados ao site da Pantene, em que “Doutores” nos dizem que não é seguro utilizar substâncias naturais no cabelo, e que devemos investir em produtos desenvolvidos por eles em laboratórios. Esse tipo de técnica foi utilizada ao longo do tempo para mudar a percepção das pessoas. Não falo de grandes teorias conspiratórias, mas de pura propaganda. Existe uma tribo na China em que as mulheres cortam os cabelos apenas uma vez ao longo da vida. Os fios são fortes, grossos, vão quase até o pé. O que elas usam? Água e água de arroz (sim, aquela água branca da lavagem dos grãos, que é possível você conseguir em casa). Na África, existe uma tribo que trança os cabelos – enormes – de formas incríveis. O que eles usam? Água e outras coisas naturais e acessíveis do entorno. Esses exemplos podem ser vistos em diferentes continentes, diferentes culturas, ao longo do tempo e até os dias de hoje. Cabelos fortes, longos e lindos, sejam eles lisos, cacheados, crespos ou ondulados. Como eu disse antes, a Indústria cosmética é muito recente, mas foi muito eficaz em desacreditar esses costumes.

Mais do que militância, um caminho econômico

Resolvi então fazer o caminho inverso. Um retorno as minhas raízes e ao que as mulheres antes de mim faziam. Mais do que isso, um caminho de experimentação do que muitas pessoas fora da sociedade de consumo ainda fazem até os dias de hoje. Para desespero dos “Doutores” da Indústria, estou me dando muito bem. Nas últimas três semanas meu cabelo cresceu mais do que costumeiramente crescia, está mais forte e volumoso, minha pele está se adaptando as mudanças e meus gastos foram irrisórios.

Como comecei praticamente do zero, estipulei um orçamento de R$ 100,00. Com esse dinheiro, comprei material suficiente para passar os próximos 6 meses sem comprar pasta de dente, shampoo, condicionador e mais qualquer outra coisa que eu normalmente compraria. Mesmo pra quem não tem esse dinheiro pra investir e quer começar, existem possibilidades menos radicais ou produtos fracionados. Por exemplo, 100g de juá são suficientes pra escovar os dentes por uns 6 meses (mais, quiçá) e custam uma média de R$ 6,00. Isso significa gastar R$1,00 por mês. A pasta mais barata do supermercado custa em média R$ 2,00 e dura umas duas semanas. Em um ano, você deixa de jogar 24 tubos vazios no lixo e economiza R$ 36,00. Parece pouco? Escovando os dentes pelos próximos 20 anos, são 480 tubos a menos na natureza. Multiplique isso pela parcela da população que tem acesso a pasta de dente e o resultado é apavorante, assim como com o descarte das embalagens de cosméticos no geral.

Vou parando por aqui pois o texto já está gigantesco. Ainda falta muito pra falar, mas essa foi somente uma introdução. Nos próximos posts, falarei um pouco mais sobre as tribos fantásticas que citei e seus costumes, além de explicar passo a passo a rotina que desenvolvi pra cuidar dos meus cabelos. Espero que vocês gostem e se inspirem! Não esqueçam de seguir o blog e ficar de olho nas atualizações. 🙂

Batom de argila – Receita

Sou apaixonada por batons desde que me entendo por gente. Pegava os vermelhos da minha avó e me sentia uma diva. Deve ter a ver com minha paixão por filmes antigos e pela estética dos anos 40 e 50, não sei, só sei que com o passar do tempo minha coleção de batons só fez aumentar. Acho que devo ser uma das poucas pessoas que conheço que já conseguiu acabar com um tubo de batom, inclusive.

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Há algum tempo atrás, li em algum lugar que mulheres que usam batom comem mais de 1kg do produto ao longo da vida. Não sei se isso é verdade, mas faz muito sentido, uma vez que comer e beber coisas estando de batom significa ingerir pequenas quantidades com o passar do tempo. Fiquei imaginando se existiria algum impacto a longo prazo no consumo de batom. Ainda não encontrei fontes sérias falando sobre isso, mas prefiro não arriscar! haha Nessa vibe das substituições, comecei a procurar uma receita mais natural, que não causasse impacto no meu corpo e na natureza. Depois de algumas tentativas falhas envolvendo beterraba (mais sobre isso em outro post. Foi muito fail hahaha), encontrei a mistura perfeita: óleos e ceras cheios de felicidade misturados com argila! \o/

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A receita original eu vi no Humblebee & Me, um blog maravilhoso sobre cosméticos feitos em casa, mas fiz algumas substituições. O batom dela fica um vermelho bem vivo e maravilhoso, porque é feito com uma argila australiana super escura e pigmentada. Usando o que tinha em mãos, fiz minha versão. Com a argila vermelha daqui, o resultado foi um cor de boca maravilhoso, meio amarronzado mas com um toque malva. Achei lindo, estou apaixonada, quero casar com ele e viver junto pra sempre. hahahaha

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Eis a receita:

Ingredientes

  • 1 colher de chá rasa de manteiga de karité
  • 1 colher de chá rasa de cera de abelha (pode substituir por outra se for vegano, como a de candelila)
  • 1 colher de chá rasa de óleo de coco
  • 1 colher de chá rasa de mel (coloquei pelas propriedades e pelo cheiro, mas também pode ser retirado)
  • 3 gotinhas de óleo essencial de hortelã (coloquei esse porque gosto de coisas mentoladas na minha boca, mas pode substituir ou retirar da receita)
  • 2 colheres de chá de argila vermelha

Modo de fazer

  • Coloque a manteiga de karité, a cera de abelha e o óleo de coco em um potinho de vidro e derreta em banho maria. É importante que os óleos e cera se misturem com o mel, pra não ficar uma gororoba no final – aconteceu comigo na tentativa anterior, quando misturei o mel depois. hehe
  • Acrescente o óleo essencial e a argila e misture bem. Quando eu digo bem, é bem. Vá misturando com paciência e amor até a argila estar totalmente incorporada a mistura, senão seu batom ficará cheio de pedacinhos e você pode se arranhar – aconteceu comigo na tentativa anterior, não contem pra ninguém. hahahaha
  • Coloque a mistura em um tubo de hidratante labial (eu reutilizei um da Nivea que já tinha acabado, mas você encontra em lojas de embalagens e essências) ou numa latinha pequena. Se colocar na latinha, você pode aplicar com o dedo ou com pincel.

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Como o óleo de coco derrete fácil com o calor, o batom desliza tranquilo quando entra em contato com a pele. A cera e a manteiga, que são mais durinhas, impedem que o tubinho derreta e torne sua vida um caos. 😉

Além de ser uma opção mais barata e mais saudável aos industrializados, esse batom tem uma porção de propriedades maravilhosas, é hidratante e trata os lábios com o uso contínuo. O custo de cada tubinho fica muito baixo, e a matéria prima pode ser utilizada em uma porção de receitas diferentes.

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Espero que vocês gostem e testem, vale muito a pena! <3

Nem tudo dá certo (mas tudo bem)

Saí de casa cedo e quando cheguei minha única vontade era lavar o cabelo. Hoje completo uma semana de no-poo. Cortei shampoos, condicionadores, cremes e todas as coisas que usava, e “lavei” o cabelo 3 vezes da quarta passada pra cá. Com tudo, estava pronta pra minha quarta vez. Preparei o bicarbonato misturando com um outro preparado que fiz (envolve juá, é maravilhoso e eu conto depois..rs), passei nos cabelos secos, deixei agir uns dois minutos massageando e enxaguei. Resolvi experimentar algo mais potente que o vinagre sozinho (sem necessidade, eu sei, era apenas pra fins de pesquisa hahaha). Procurando na internet, encontrei uma tal hidratação de argila e resolvi testar.

A receita consistia em argila, vinagre e óleo de coco. Como era originalmente pra cabelo crespo, reduzi a quantidade de óleo e acabei substituindo por óleo de semente de uva, um dos meus favoritos pra pele. Li sobre os benefícios dele pros cabelos e pensei que nada poderia dar errado. Pra ir além, dei um up na mistura com uma colher de mel. Lendo o relato maravilhoso da moça, fiquei pensando “socorro, vai ficar maravilhoso”. Mas não. Misturei as proporções corretas, apliquei nos cabelos úmidos, coloquei a touca e segui com meus afazeres. Na hora de tirar, meu cabelo estava mais duro que ouro. Enxaguei como de costume, finalizei com água de arroz e apliquei leite de coco, meu novo leave in favorito.

Não tenho paciência nem tempo, por isso resolvi secar com o secador. Não tive problemas até agora com adaptação, e desde a primeira lavagem meu cabelo estava normal. A oleosidade diminuiu nas últimas semanas, depois de uma reação na semana anterior a algum produto que me deixou com caspa, coceira e vermelhidão no couro cabeludo. Dessa vez, meu cabelo parecia palha de milho enquanto molhado. Tive a vã esperança de que secar melhoraria alguma coisa. Não melhorou absolutamente nada.

Não sei se foi o óleo, a argila, o mel, o vinagre. Todos estes ingredientes funcionam bem em separado. Não sei se deixei tempo de menos, usei algum ingrediente de menos ou demais. Só sei que a sensação é a de que passei muito gel no cabelo, esperei secar e penteei. Hidratação zero. Pontas bonitas zero. Volume 10, quando 10 é “pareço uma cacatua”. Contando esta história de tristeza e pesar, lhes digo: nem tudo dá certo no mundo dos experimentos. Nem tudo funciona pra todo mundo, e não existe regra que valha. Cada cabelo é um cabelo, e com isso tem suas necessidades e vontades específicas. Pra alguns, isso é um ponto negativo (entendo quem busca a praticidade da certeza rs), mas pra mim é justamente a beleza de experimentar processos em si mesmo: assim como na vida, nem tudo dá certo, mas de cada erro tiramos um aprendizado. A cada experiência errada nos conhecemos mais, nos entendemos mais, ficamos mais conscientes do que queremos ou não. Conhecer o próprio corpo é ser livre. Cabelo, pele, dente, digestão, mente. Que o mundo invista na experimentação com o próprio corpo, e que todo mundo seja capaz de retomar as rédeas e se conhecer. Nem tudo dá certo, mas tudo bem: a gente continua tentando! <3

Começando

Fiquei bastante hesitante antes de começar este blog. Amo escrever e amo contar meus experimentos, mas sou uma pessoa essencialmente preguiçosa, e não sei se consigo levar por muito tempo. Em meio a uma quantidade talvez já grande demais de projetos, terminei resolvendo começar mais este. Espero que dê certo e que eu tenha a paciência necessária para manter um blog. Se não, ao menos documento algumas receitas pra Dandara do futuro encontrar e tentar de novo. hehe

Pra começar, vou contar o que me motiva a acordar todos os dias pensando “do que posso me livrar hoje?”:

Há algum tempo atrás, vi uma imagem que dizia que quando jogamos uma coisa fora, na realidade não estamos, pois não existe fora. Tudo continua circulando aqui dentro do nosso planetinha azul. Eu vou morrer e meus futuros filhos vão morrer e meus netos, até, e algumas destas coisas continuarão por aqui. Pensar nisso tudo em algum ponto pode não ter sido muito saudável (em resumo, fiquei meio paranoica HAHA). A gente começa a ficar maluco e pensando duas vezes antes de consumir qualquer coisa. Copo descartável, lata de refrigerante, guardanapo, só pra citar o básico. Passada a insanidade inicial e pensando com a cabeça fresca, bom, continuei insana, mas de maneira mais prática. Não tem como não ficar insano. Segundo dados de 2015, o Rio produz mais de um milhão de toneladas de lixo por ano. Só 3% do lixo produzido no Brasil é reciclado.

Pensando nisso tudo, comecei a me questionar sobre qual era a minha parte. O que eu posso fazer pra reduzir o mar de embalagens, papel, plástico e relacionados que é descartado todos os anos? Indo um pouco além, surgiram novos questionamentos. O que posso fazer para não compactuar com a sociedade de consumo? O que eu realmente gosto/quero/preciso, e o que é reflexo da mídia e do entorno exercendo seu poder sobre os meus desejos e pensamentos? Com tudo, resolvi começar um experimento. Aqui em casa já participamos do Desafio Lixo Zero, que visa diminuir a quantidade de resíduos e dar a destinação correta a eles, mas eu queria mais. Resolvi fazer uma lista de coisas que quero viver sem (e outras que já abandonei), e os motivos pelos quais. Eis o resultado:

  • Celular novo: além da questão ambiental, existe a questão social. Nossos celulares, computadores e eletrônicos em geral são produzidos por jovens chineses em condições grotescas de trabalho. Não é preciso pesquisar muito pra ler sobre isso, e você pode dar uma olhada na situação aqui. Não quero ficar sem telefone, mas me questionei o que eu poderia fazer para ao menos dar uma quebrada nesse ciclo. Resultado: só uso telefone de segunda mão. Não explodo o sistema, mas durmo mais tranquila por usar uma coisa que já estava no mundo.
  • Roupas novas: todos os anos temos contato com uma quantidade enorme de escândalos envolvendo trabalho escravo, condições precárias, pagamentos irrisórios, como não se importar com coisas como isso? Já não comprava roupa em lojas com frequência há anos e detesto shoppings, mas resolvi ir além e cortar completamente. Frequento brechós, bazares, faço algumas coisas e assim vou levando. Faço o mesmo com sapatos, e se não for de segunda mão, compro de produção artesanal. É maravilhoso ter contato com quem faz! <3
  • Cosméticos: sou apaixonada por cosméticos desde nova. Sempre gostei, na verdade, de observar os processos por trás de cada item, de pensar como funcionam cremes, shampoos e maquiagens. Depois de trabalhar alguns anos na indústria cosmética, cheguei a conclusão de que quero distância de todas essas coisas, mesmo dos produtos de marcas em que confio nas composições. O problema todo vai além: o que chega aos rios/lagos/relacionados, o que meu corpo absorve, o quanto as embalagens causam impacto no meio ambiente. Aqui em casa gastava uma garrafa de shampoo e uma de condicionador por mês. Isso significa que nos últimos 5 anos (sem contar outros produtos), descartei 120 embalagens vazias. Se eu continuasse, descartaria mais de mil embalagens até o final da minha vida. Adicione a isso embalagens de sabonete, creme hidratante, pasta de dente, creme de pentear e de hidratação, e o resultado é ainda mais alarmante. Aos poucos, estou cortando tudo, mas isso é assunto pra outro post.
  • Papel higiênico: quão bizarro é o costume de usar papel higiênico, certo? Certo? É sim, bastante bizarro. A gente desperdiça uma quantidade gigantesca de papel pra coisas que poderiam ser resolvidas com água, ou água e sabão. Além de ser bem mais higiênico, é também muito mais sustentável. Alguém pode vir com o argumento de “mas você deixa de usar papel pra gastar água, outro recurso”. Vá pesquisar sobre a quantidade de árvores, água e energia usados na produção de papel higiênico e depois a gente conversa. 😉
  • Supermercado: já dizia Zeca Baleiro que “lugar de ser feliz não é supermercado” e eu não poderia concordar mais. Eu abomino as grandes redes, e abomino mais ainda o que elas fazem com os preços. Diferente do que se possa acreditar (ou fomos levados a acreditar?), já faz tempo que os preços nos supermercados não saem mais em conta do que em mercadinhos e feiras de bairro. Houve um tempo em que a compra de produtos em larga escala fazia com que os preços fossem competitivos, mas hoje em dia isso não existe mais. Para além dos preços, não concordo com a forma com que eles descartam alimentos que poderiam ser consumidos, com os salários que pagam aos funcionários e com as jornadas absurdas de trabalho. É possível (bastante possível) encontrar formas de se alimentar que não envolvem compactuar com as grandes redes.
  • Descartáveis: andar com um copo na bolsa é muito fácil. É possível encontrar copinhos retráteis que mal ocupam espaço, então porque utilizar copos descartáveis? Além disso, aboli também os guardanapos. Comer com a mão é uma experiência incrível! Adicionamos mais um sentido ao momento da alimentação, e evitamos o desperdício de papel. Só vantagem!
  • Produtos de limpeza: água, limão, óleos essenciais e extratos glicólicos dão conta de praticamente qualquer coisa envolvendo limpeza. Produtos de limpeza envolvem químicos pesados que fazem mal a nossa pele, as superfícies (se pensarmos a longo prazo) e ao meio ambiente. Quando você lava um paninho de limpeza, todo aquele desinfetante cheiroso vai pra água. Se resseca a sua mão e é capaz de tirar gordura sem esforço, imagina o que faz com os animais?

Bom, pra começo de conversa, é isso! Ficou enorme, eu sei, mas quis definir alguns parâmetros da experiência. O intuito do blog é documentar os caminhos, receitas e substituições que fiz e pretendo fazer. Nenhum perrengue foi passado até agora, mas tenho certeza que aparecerão! hahaha. Espero que vocês leiam, comentem, se solidarizem com a minha loucura e experimentem também. Abrir mão do que crescemos acreditando ser certo e bom pro nosso corpo e pro planeta não é fácil, eu sei, mas a sensação no final do dia compensa. 😀