Como criar rituais duradouros e mudar sua rotina

No texto anterior falei sobre como criar focos ao invés de resoluções de ano novo, e citei a criação de pequenos rituais, que nos ajudam a mudar a rotina e introduzir novos hábitos. A ideia é muito simples: quando dividimos um foco, que é um objetivo maior,  em tarefas e rotinas menores – o que chamamos aqui de rituais – fica muito mais fácil construir mudanças a longo prazo. Para criar os rituais, é importante ter uma lista de focos que realmente faça sentido para você, que falem com seu coração e realmente reflitam a vida que você gostaria de levar. Como sou louca-apaixonada por papel, escolhi um caderno para ser meu Caderno das Realizações, onde anotei meus focos e rituais. O objetivo é ir preenchendo o caderno com a evolução dos processos, para poder ter uma visão das mudanças no final do ano. É importante ter uma ferramenta deste tipo, pois a partir do momento em que anotamos, a coisa toma corpo no mundo real, e nos sentimos mais motivados para continuar seguindo. Fiz uma lista para ajudar a desenvolver rituais que realmente funcionem e consigam ser mantidos ao longo do ano:

1 – Uma coisa de cada vez

Adotar um novo hábito não é tarefa fácil, especialmente quando diz respeito a mudanças mais profundas. O segredo é escolher um foco de cada vez, e não se sobrecarregar de mudanças. Quando mudamos muita coisa de uma vez, a chance de desistir no meio do caminho é muito maior. Adote um ritual hoje, outro daqui a um mês e por aí vai. Não existem regras ou prazos: quando você se sentir confiante sobre um ritual, adicione outro e aumente gradativamente o grau de dificuldade.

2 – Não dê passos maiores do que as pernas

Você é completamente sedentário, mas resolveu criar um ritual que envolve uma hora de exercício por dia? A chance de se sentir morto no dia seguinte e não conseguir dar continuidade é muito grande. Mudanças grandiosas não acontecem da noite pro dia, e é importante dar espaço para nosso corpo e mente se adaptarem. Que tal incluir 10 ou 20 minutos de caminhada no dia? Quando sentir que ficou fácil, aumente mais dez minutos. Antes que você perceba, está caminhando quilômetros. Isso vale para qualquer tipo de foco: quer juntar dinheiro? Comece com um pouquinho por mês. Quer mudar de carreira? Reserve um tempinho toda semana para pesquisar e estudar suas possibilidades.

3 – Não se martirize

A ideia dos rituais é tirar o peso da mudança, e fazer as coisas de forma suave e significativa. Por isso começamos com tempos menores e tarefas mais fáceis. A vida é corrida, problemas acontecem e nem sempre conseguimos realizar a tarefa no horário ou da maneira que planejamos. Não se martirize por isso! É como diz a frase: feito é melhor que perfeito. A continuidade e a consistência são mais importantes neste ponto do que a qualidade. Nem sempre as coisas na prática se desenrolam como planejamos, mas se nos mantivermos firmes no objetivo, tudo dá certo no final.

4 – Divida os focos em listas curtas

O foco é uma coisa muito abrangente, e costumeiramente nos sentimos perdidos e sem saber por onde começar. Sente com calma e pense em quais são os passos para a concretização daquilo. Liste estes passos e pense em quais rituais você pode adotar para alcançar cada um deles. Por exemplo: ano passado um dos meus focos era me mudar. Para isso, precisei reavaliar minha relação com o dinheiro, analisar onde estava gastando e como podia melhorar e ser mais econômica. Um dos meus rituais – que se relacionava também com o foco de ser mais saudável – era preparar a comida que levava pro trabalho. Com isso, comecei a economizar uma grande quantidade de dinheiro, e passei a analisar meus gastos com mais cautela (comida e besteiras, essencialmente. A muitos anos sou mão de vaca sobre compras e gastos hahaha). Entre o ano passado e esse ano, passei da pessoa que chegava ao meio do mês sem um tostão, a pessoa que consegue guardar um dinheirinho todo mês. Nada disso seria possível se tivesse feito a mudança de estalo. Os rituais e a percepção do caminho foram essenciais para chegar onde estou agora.

5 – Mantenha a atenção no caminho e celebre as pequenas vitórias

O resultado dos focos e rituais mora muito mais no caminho do que na chegada. Perceber a mudança é maravilhoso e muito motivador. Ao invés de olhar ansioso para o final da linha, mantenha a calma e celebre as pequenas vitórias. Cada passo caminhado para frente é um passo a mais na direção do objetivo. Anote no caderno as pequenas realizações, os motivos para ser grato pela vida e as sensações que cada ritual te causa. Lembre-se sempre que é sobre a caminhada, não sobre a linha de chegada.

6 – Medite

A meditação nos ajuda a aumentar nossa paciência, nos torna mais resilientes, focados e tranquilos para seguir em frente. Não precisa ser um monge budista para aproveitar seus benefícios: você não precisa de nada além de seu corpo, um lugar tranquilo e alguns minutos para começar. Aqui na Casa das Trevas adotamos o ritual com o início do ano, e neste espírito de ir devagar e sempre, meditamos por cinco minutos no começo do dia. Não tem um espaço tranquilo ou mora com mais pessoas? Vale até meditar no banheiro antes de tomar banho. Sente em uma posição confortável, feche os olhos e mantenha o foco na respiração. Deixe os pensamentos virem e irem embora sem dar muita atenção a cada um deles. Perceba o ambiente, seu corpo, os sons externos, o barulho da sua respiração. Diferente do que se acredita, meditar não é sobre não pensar ou esvaziar completamente a cabeça (isso é, inclusive, biologicamente impossível), mas sobre aprender a deixar os pensamentos virem e irem embora, nos reconectando ao nosso eu interior e aumentando nossa atenção a cada tarefa e acontecimento. A paciência e a atenção plena são construções, e a meditação ajuda muito a continuar construindo. Acha que é demais pra você? Comece com a meditação de um instante. É como eu disse antes: é melhor andar devagar do que continuar parado.

E aí, animado para começar os rituais? Ficou com alguma dúvida? Comente abaixo ou me mande uma mensagem! 😀

Esqueça as resoluções de ano novo

O início do ano é um excelente período para falar sobre focos, rotinas e resoluções. Nesse primeiro mês nos sentimos renovados pelo sentimento de um novo início, e não a toa é neste período que as pessoas começam a – ao menos tentar – por em prática as “resoluções de ano novo”. Infelizmente, as pesquisas apontam que somente 9% das pessoas conseguem manter as resoluções e de fato mudar os hábitos. A sensação de não conseguir ou se sentir capaz de manter as mudanças gera frustrações que podem levar a hábitos e rotinas ainda piores. Quem aí já fez mil listinhas, e terminou o ano sem conseguir mudar nenhum dos itens? Quem nunca abandonou uma mudança no primeiro mês e voltou aos hábitos anteriores?

Ano passado resolvi fazer diferente. Esbarrei com um texto excelente do Zen Habits que trazia uma abordagem diferente às resoluções de final de ano e resolvi tentar. Ao invés de uma lista de coisinhas a serem alcançadas, o objetivo é desenvolver uma lista curta (até 6 itens) de focos para o ano que se inicia. Qual é a diferença entre um item na lista e um foco? Pra mim funcionou assim: se um item na lista seria “me alimentar melhor”, um foco que abrange isso e muito mais é “ser mais saudável”. Com uma ideia mais abrangente do que queremos alcançar, fica mais fácil destrinchar o foco em pequenos rituais, com o objetivo final de criar um hábito verdadeiro e duradouro, longe das “resoluções de ano novo” que morrem com o passar de Janeiro.

Para chegar aos focos, é preciso fazer uma análise rápida do ano que passou e uma mais profunda sobre o que queremos criar para o ano que se inicia. Não perca muito tempo se apegando ao passado, o mais importante do exercício é visualizar o que queremos alcançar a longo prazo, que tipo de vida queremos construir e que tipo de pessoa somos e queremos ser. Pode parecer difícil, mas fica mais fácil conforme construímos essa imagem mental: quem eu quero ser no final do ano? O que essa pessoa alcançou? Quais hábitos fazem parte da vida agora? A resposta vem fácil quando respiramos fundo e nos permitimos sonhar!

O importante é o caminho

Mudanças tomam tempo. Se você se alimenta mal a vida toda, não vai mudar da noite pro dia. Quando nos restringimos além da nossa capacidade no momento, a chance de jogar tudo pro alto é muito maior. Quando o foco realmente fala com o nosso coração e faz sentido para a vida que queremos ter, fica mais fácil destrinchar a ideia em objetivos mais fáceis e rituais simples, criando mudanças realmente duradouras. Sendo assim (e usando ainda o exemplo do “ser mais saudável”, uma das resoluções de ano novo mais comuns), você pode por exemplo adicionar um novo vegetal ou fruta a sua alimentação toda semana. É pequeno, mas tem um impacto muito grande na saúde, além de motivar outras mudanças. Coloque intenções positivas e felicidade na tarefa, e tire o peso da frustração: você adicionou este vegetal porque ele é bonito, é cheiroso, é gostoso, tem uma porção de benefícios para a saúde e por aí vai. Que tal adicionar 10 ou 20 minutos de exercício a sua rotina diária? Não se martirize, nem exagere: é melhor dar um passinho pequeno de cada vez do que continuar parado. Isso vale para qualquer foco!

Uma grande mudança começa com o primeiro passo

Quando somos muito apegados a nossa rotina e afazeres, qualquer mudança parece um desafio enorme, e é aí que mora a importância dos pequenos rituais e, mais do que isso, de investir em um foco de cada vez. Com o tempo, a rotina vai ficando mais natural, e aí podemos incluir novos rituais. É como diz o ditado: devagar e sempre.

O ano passado foi um dos mais incríveis da minha vida. Consegui mudar coisas que não imaginava ser capaz, e ao olhar a lista no final do ano, me senti orgulhosa de tudo que alcancei. O melhor de tudo? Poder repetir o mesmo no início deste ano, e me sentir mais confiante para alcançar mudanças ainda maiores, sem perder a certeza de que o importante é se manter firme, mesmo no que parece pequeno ou desimportante. Quando a procrastinação bater e der vontade de largar tudo, não esqueça: em essência, é só levantar e fazer. Você é mais forte que a preguiça e as adversidades!

Algumas perguntas para ajudar a definir os focos

Para ajudar a definir os focos, traduzo abaixo as perguntas do Leo Babauta, autor do Zen Habits, que me ajudaram muito a definir meus focos para o ano passado e para esse ano:

  • Como quero crescer? O que quero aprender? Quais habilidades e capacidades eu gostaria de desenvolver?
  • Quais áreas da minha vida precisam de uma sacudida? Saúde, relacionamentos, trabalho?
  • No que eu focaria, se eu só pudesse escolher de 4 a 6 coisas para o ano?
  • Se eu estivesse olhando para 2019 daqui a um ano, o que seria fantástico de ver? Quais mudanças me deixariam mais feliz por terem acontecido?

As perguntas, apesar de simples, revelam muito sobre quem somos e o que queremos construir para nós. Para vocês terem ideia, um dos meus focos do ano passado – o mais difícil – era “me mudar”. Aqui estou escrevendo este post no meu apê, a mudança mais forte e impactante do meu ano passado, uma coisa que parecia impossível em Janeiro. Um outro foco era “ser mais saudável”, e apesar de ainda não ter alcançado o patamar que gostaria, ao longo do ano passado passei a me alimentar muito melhor, caminhar muito e melhorar minha relação com a comida. O resultado foi muito mais fôlego, mais de 30kg a menos e preparo físico para encarar trajetos cada vez mais longos. Com um passinho de cada vez, chegamos longe! No próximo post vou falar um pouco mais sobre como faço para transformar focos em rituais, destrinchando cada um deles em metas possíveis, conforme aprendi com o Zen Habits.

E aí, quais são os seus focos para 2019? 🙂

Tchau, cabelo

Começou como uma ideia. Não de agora, não da semana passada, ou de quase um mês atrás quando raspei a cabeça pela primeira vez. Começou com uma ideia a muito tempo, um pensamento randômico que foi crescendo, tomando forma, querendo ganhar o mundo. De alguma forma, acho que sempre quis fazer isso, mas vivi – por vezes sem perceber – presa a essa última (ou quem sabe nem seja. Mais sobre isso numa próxima vez) camada do apego a imagem: o cabelo.

Por quase a maior parte da minha vida agora, tenho cabelo curto. Primeiro cortei aos pouquinhos, com medo de arrepender, e desde que ficou acima dos ombros pela primeira vez, nunca mais passou dali. Alguma coisa começa a coçar por dentro, no fundo, e me faz ir cortando e cortando e cortando. Dessa vez foi diferente. Ele chegou aos ombros e foi embora todo de uma vez. Como das outras vezes, uma sensação de transformação e poder muito profunda tomou conta de mim por dentro, mas dessa vez é ainda mais forte. É a minha cabeça. É o meu rosto. Minhas olheiras e meus detalhes e tudo ali, exposto. Andar de cabeça raspada dá uma sensação absurda de vulnerabilidade, e ao mesmo tempo uma força gigantesca. Não sei se é assim pra todas as pessoas, mas acredito que seja pra maior parte das mulheres que resolvem fazer isso. Acho que não estava pronta antes. Acho que esperei até o momento exato, esse em que me reafirmo e tento me desfazer das últimas camadas do que impede meu amor pleno por mim mesma.

Com tudo, este é um período bem estranho e maravilhoso. Eu saí das redes sociais. Eu raspei o cabelo. Me desfiz de uns dois terços das minhas roupas e sapatos. Me sinto viva e ativa e pronta. Me sinto livre. Me sinto um turbilhão de pensamentos e sensações que sei que aos poucos vão se dissipar, pra dar lugar a novos turbilhões, a novas sensações. Minha vida é minha, completamente, e o controle não vem da pressão ou do desejo. O controle não vem da ação, não vem do pensamento. O controle vem de entender o que posso afinal controlar – minha imagem, a forma como me vejo e como vejo os outros, a tentativa-e-erro do desapego – e o que não posso – as outras pessoas, e suas ações, a natureza, o mundo. O controle vem, no final, de abrir mão do controle e aprender a estar tranquila e feliz ali, no olho do furacão.

A Terrível Casa das Trevas

Ficamos um bom tempo pensando em qual seria o nome da casa. Em quais eram nossas referências e as expectativas em relação a vida a partir da mudança. Primeiro decidimos por “O apê da Tijuca”, mas antes que pudéssemos perceber, A Casa das Trevas estava nomeada. O nome se escolheu. Uma referência clara ao mundo das trevas de YuYu Hakushô, mas muito, muito mais do que isso. O quadro negro no cavalete teve letreiro desde o início, e minha mãe – como, acredito, qualquer mãe faria – veio com o “apaga isso, essas coisas atraem”. Ela foi embora e comecei lentamente a apagar os desenhos e letrinhas. E então o nome me bateu. Todo o significado por trás, tudo que essas “trevas” significam. Reescrevemos assim que apagamos. Cada semana um de nós é responsável por refazer o quadro e dar o start na semana.

Mas porque trevas?

Muito mais do que seres desprovidos de luz, se analisarmos um pouco mais a fundo quem supostamente vive nas trevas, a coisa fica muito clara: os excluídos, os errantes, os boêmios. As pessoas a margem. Tudo aquilo que a sociedade não aceita e não quer ver circulando por aí. Quem vive nas trevas – mesmo e especialmente se analisarmos pelo viés religioso – é o conjunto de pessoas que não aceitaram não ser elas mesmas. Que não aceitaram engolir o que a sociedade impõe, mesmo quando isso representou dor ou sofrimento. Existe muito mais luz nas trevas. A luz de quem mesmo sofrendo para existir pavimenta o caminho para quem vem depois. A luz de todas as mulheres que vieram antes de mim e essa energia que eu sinto, que me faz ser uma mulher bissexual de 1,80m, cabeça raspada e roupas insanas. Que me faz morar com meu noivo e meu ex noivo e cagar pro que as outras pessoas pensam. A energia que me move diariamente rumo aos meus objetivos.

E então essa é a Terrível Casa das Trevas. Um lugar que recebe de braços abertos (e com comida haha) quem quer que chegue. Um lugar em que se propaga o respeito, o amor, a empatia. Em que se conversa sem filtros e se ama sem ressalvas, pelo que o outro é em sua totalidade. Onde os amigos são bem vindos e se sentem confortáveis para serem eles mesmos. Vivemos nas trevas cheios de luz. Vivemos a margem, fazemos diferente, ousamos ser nós mesmos num mundo que tenta tornar tudo cada vez mais homogêneo. Sem poréns. Sem explicações. Pelo prazer puro e maravilhoso de se ser quem se é.

 

 

Fátima Bernardes, depilação não é o problema

Estava almoçando ainda agora num bar, e comecei a ouvir no fundo o programa da Fátima Bernardes. Uma suposta especialista em alguma coisa estava falando sobre relacionamentos. Raramente concordo com qualquer coisa sobre esse assunto que falem na TV, mas hoje foi demais pra mim. A mulher falava sobre como intimidade demais ou de menos poderia ser um problema no relacionamento, e no meio da frase usou como exemplo para “intimidade demais” (uma ideia que já acho errada) a mulher que não se depila. Foi bem sutil, uns segundinhos só, mas o peso disso é tão grande que me deu vontade de escrever.

Para além de qualquer questão relacionada a autoestima – e o ódio a nós mesmas que a mídia insiste em nos fazer sentir, afinal, gente feliz não gasta dinheiro por impulso – o que mais me incomodou foi essa ideia da intimidade em excesso. O que é intimidade em excesso? Segundo essa mulher, é aparecer sem depilação. Provavelmente ela pensa o mesmo sobre aparecer sem maquiagem, ficar descabelada, parar de fazer as unhas. Normalmente, na mídia, essas coisas todas são relacionadas a desmazelo, a falta de cuidado, a mulher que “se acomoda” no relacionamento e para de se cuidar. Ninguém fala isso sobre um homem. Mais do que isso, ninguém para pra pensar que autocuidado nada tem a ver com estética. Não tem nada de errado em fazer uma coisa porque gosta, porque se sente bem, seja uma escova no cabelo ou um esmalte na unha. Não é esse o ponto. Eu por exemplo, não gosto e por isso parei. O problema é quando atrelam duas coisas que na realidade não tem relação com o intuito de fazer as mulheres se odiarem e gastarem dinheiro.

Já participei de conversas com meninas que gastavam um tempo enorme com procedimentos estéticos e coisas do tipo motivadas somente pelo medo do namorado ir embora. Mais do que isso, um pavor muito fundo de serem trocadas por outra mulher. E então a mulher fica ali, vidrada, desesperada, fazendo mil dietas e usando mil esmaltes. Mulheres fantásticas, bem sucedidas, bonitas, algumas 100% dentro de absolutamente todos os padrões. Com caras bosta. Com caras que não ligavam pra nada. Em situações em que seria infinitamente melhor pra elas se o encosto fosse embora. E aí eu pergunto: existe tal coisa como intimidade demais? Como você divide a vida com alguém que não conhece os seus anseios e preocupações? Como você desenvolve uma amizade – não consigo conceber um relacionamento que não envolva uma amizade real – com uma pessoa, se a preocupação maior é não ter “intimidade demais” para não estragar tudo? O que exatamente é estragado com intimidade demais?

E aí você tem relacionamentos rasos. Gente junta por mais tempo do que deveria. Gente que não tem nada a ver mas continua ali, com esse medo irracional e imposto de uma espécie triste de solidão. Aqueles casais em que individualmente as pessoas são de uma forma, mas quando juntas parecem perder o brilho e desaparecer. Gente junta por estar junta. E se for o cara quem sai, especialmente se envolver outra pessoa, a mulher vai sempre achar que a culpa foi dela. Ela não era bonita o suficiente ou bem cuidada o suficiente. E nada nada nada tem a ver com isso. Nunca vi um relacionamento terminar por intimidade demais. Nunca vi uma pessoa terminar com a outra porque ela parou de se depilar. Qualquer justificativa é sintoma, não causa. Intimidade de verdade é compartilhamento, é força, é beleza. Intimidade nunca é demais. Pra quem se ama, pra quem se quer de verdade, não vai ser uma buceta cabeluda que vai acabar com tudo. Não vai ser uma unha sem esmalte, um cabelo despenteado, escovar o dente na frente do outro. O que acaba com tudo é esse abismo entre as partes. O que acaba tudo é reproduzir esses comportamentos e não conseguir enxergar além deles. É entrar em relacionamentos com pessoas que não tem nada a ver só pra não ficar sozinha. É postergar o final quando o sentimento não está e talvez nunca tenha estado ali.

Enfim, achei uma puta bola fora. Tirem essa ideia quadrada da cabeça. O que mata um relacionamento não é intimidade demais ou de menos, é a falta de sentimentos ou a mudança deles. Sentimento não se inventa, nem se aumenta com beleza física, nem se faz durar seguindo qualquer que seja o padrão estético. Sentimento é o que faz um relacionamento durar. Amor e respeito. Mesmo quando o relacionamento muda de configuração. Sou a melhor amiga do meu ex namorado. Passamos quase seis anos juntos, superamos o término juntos e hoje eu sinto um puta orgulho da gente quando me pego no bar com ele e meu noivo, todo mundo bebendo e conversando e sendo feliz. Todo mundo honesto e aberto. Não é maturidade nossa, como todo mundo diz. Maturidade não tem a ver com isso. É intimidade em excesso. Muita, mesmo. Intimidade e amor num nível que tornou possível essa amizade mesmo com o fim do relacionamento. Se me depilei 4 vezes ao longo dos últimos 6 anos foi muito.

10 anos

Minha avó me abraçava 4 vezes por ano: no meu aniversário, no aniversário dela, no Natal e no Ano Novo. Tirando essas datas, nunca recebi um abraço dela. Minha mãe, por outro lado, sufocou eu e meus irmãos, e éramos abraçados mesmo a contra gosto. Quando criança e adolescente eu não gostava muito de abraços, nem de demonstrações de afeto. Diversas vezes ouvi minha mãe dizer que eu era uma cavala, que eu era grossa e coisas do tipo, quando eu fugia dos zilhões de abraços que ela dava.

Meu irmão caçula sempre foi muito carinhoso. Aquele tipo de criança pequena e fofa que sorri pra todo mundo e vive abraçando os amiguinhos. Em casa não era diferente, e ao longo do tempo eu vi minha avó se acostumar com ele e até gostar. No final das contas, acho que ela teve do neto mais novo a quantidade de carinho que não teve – por não saber dar – do restante de nós. Mesmo João, que era o neto favorito (sem rivalidades, ela mesma dizia que era o João, mas juro que no final mudou pro Mário. Eu era só a “única neta”, nada de grandioso aqui) trocava por ano a mesma quantidade de abraços que eu.

Eu vi minha avó morrer aos poucos, mais rápido do que eu gostaria e mais devagar do que seria justo. Ao longo de um ano inteiro, de um agosto até o outro. Nesse tempo tanta coisa aconteceu. Eu tinha 18 anos, depois 19. Minha vó não me viu fazer 20. Esse último ano guarda as melhores lembranças que tenho dela. Me lembro das risadas e das conversas. Das comidas. Me lembro das partes engraçadas e das partes tristes, e do que ficou engraçado com o tempo (como quando minha avó – segundo todos, chapadíssima de morfina – começou a conversar com os pais em um passeio no shopping. Na época foi triste, doloroso e pesado. Hoje tenho crise de riso lembrando a cara de pavor do meu tio). Me lembro, especialmente, de que neste último ano abracei minha avó muito mais do que a soma dos abraços do restante da vida. Eu encostava nela. Eu fazia cosquinha. Eu brincava com as pelanquinhas da perda de peso. Eu passava a mão na careca recém raspada e eu ajudava a colocar na cadeira. Enquanto teve quimio, fui a todas as sessões com ela. Conversei todos os assuntos e falei de todas as modas e não consegui desvendar alguns mistérios, mas tentei.

Os últimos dez anos foram os mais difíceis da minha vida. Sei que nada do que me acontecer daqui pra frente vai superar os momentos mais escuros desse caminho. Os primeiros dez anos sem a minha avó me prepararam pra vida e pros problemas a base de muita pancada, mas também de muita determinação e – acima de todas as coisas – amor no coração. O último ano com ela me ensinou absolutamente tudo que eu precisava saber para entrar na vida adulta: o quanto guardar os sonhos pra depois pode amargar um coração; Carinho, afeto e empatia são tão necessários pro sucesso quanto força e determinação; Todo o tempo do mundo não seria suficiente com as pessoas que amamos. Tudo que temos é o agora, o momento presente. Abraços são muito mais maravilhosos quando trocados espontaneamente. O tempo acaba, mas a vida permanece: enquanto uma pessoa é celebrada, ela está viva de alguma forma. Minha avó vive nas minhas entradas e nas caras que faço. Vive no drama que todo mundo aqui faz. Vive na forma como o meu irmão conta histórias, na forma como minha mãe reclama, como meu tio fala. Meu irmão do meio é a cara dela quando jovem. Tenho certeza que meu primo tem também de alguma forma, algum jeito meio Cleyd.

E lá se foram meus 20 anos. Vem chegando na curva os 30. A dez anos atrás eu não fazia ideia que em cinco dias perderia a minha avó. Não faço ideia do que vai me acontecer em cinco dias, e pela primeira vez em muito tempo vejo isso como algo positivo. Me sinto e me vejo pronta pra encarar de frente o que vier de bom e de ruim. De tudo, fica a certeza de que dei mais abraços do que poderia imaginar. Eu amei e fui amada. Eu vivi meus 20 anos de acordo com meus princípios e ideias, e ninguém pode me tirar isso. Dedico meus últimos dez anos a ela. Não fui nem de longe a neta certinha que ela gostaria, but boy, did I live!

Vai ficar tudo bem ♥

Com a correria insana que a vida foi virando nas últimas semanas, não consegui parar pra escrever aqui. Daí hoje tive um pequeno contratempo, e achei que era o momento perfeito pra passar essa mensagem: vai ficar tudo bem. Quase um mantra que fico repetindo mentalmente, e que sei que muita gente ao meu redor precisa repetir também. Vai ficar tudo bem. Entrei na minha conta bancária de manhã e descobri que tinha 20 reais pra passar até o início do outro mês. Vai ficar tudo bem. Me descabelei por alguns minutos, fiquei com uma angústia, a sensação de que estava tudo sendo em vão, e que de repente eu era de novo a pessoa aflita com mais mês que dinheiro..rs..Daí eu parei, respirei fundo e tentei organizar mentalmente tudo o que esse ano tem sido. Focando nas coisas boas percebi que a gente se aperta, mas as coisas acontecem. Eu não sou aquela pessoa, porque tenho construído tanto que ela não cabe.

Fui convidada pra participar com A Cadernista do Salão internacional do livro do Rio de Janeiro e isso foi muito lindo e muito marcante pra mim. Estava com vontade de vender o material todo e matar esse projeto, mesmo com todo o amor que tenho por ele. Foi ficando difícil e distante com tudo que aconteceu, e esse convite – feito um dia depois da ideia de me desfazer de tudo – veio como um sinal pra continuar. Já recebi esse sinal antes sobre os cadernos, e resolvi dar ouvidos dessa vez! Estarei lá vendendo cadernetinhas e darei uma oficina de zines e encadernação. Muito amor, e muita gratidão a Jô Ramos, que lembrou de mim e me convidou. 😀

Fiz uma parceria linda com a Raquel Cukierman e troquei material gráfico por uma bolsa no curso Performar Sapa-bi, que vai ser super incrível! Estava já há algum tempo querendo participar de um curso do tipo. Performance é uma coisa que me atrai muito, e tenho sentido um chamado pra expor o que escrevo nesse formato. Além de tudo, são questões que falam muito comigo, de sexualidade, dos caminhos, então só posso sentir uma gratidão enorme por ela ter entrado na minha vida!

Comecei quinta passada um curso no Helio Oiticica que tem absolutamente tudo a ver comigo. Fala de arte e espiritualidade, com foco na caminhada como prática estética. Me inscrevi e coloquei meu coração no formulário. Fui selecionada e nem acreditei, especialmente quando descobri que pessoas ficaram de fora. Uma tristeza não ter vaga pra todo mundo, mas me senti privilegiada e feliz. Espero que todo mundo tenha oportunidade de participar no futuro!

Eu e Carol (minha amiga e cunhada linda, pra quem não sabe), começamos um empreendimento de quitutes veganos. Primeiro ovos e bombons pra páscoa, e depois vamos nos aventurar pelos salgados, hambúrgueres e coisas do tipo. Trabalhar com comida é um sonho muito antigo e que nunca nem tentei tirar da gaveta. Estou explodindo de felicidade, especialmente porque a Carol é muito tranquila, motivada e cheia de ideias, então a gente combina e tudo flui! Quase choro quando falo disso, porque a Inclusiveg é realmente um sonho se tornando realidade!

Esse mês eu fui ao cinema, ao teatro, exposições, feira de arte impressa e uma porção de coisas bonitas. Conheci lugares novos, voltei a outros que não ia faz tempo, reencontrei pessoas queridas e circulei pela cidade. Do início do ano pra cá estou gradativamente voltando a me locomover a pé, como eu fazia antes da depressão consumir meu corpo. Eu emagreci uma porção de quilos e minhas roupas cabem em mim de novo, algumas até bem folgadas. Não fico feliz pela perda de peso em si – quem me conhece sabe que não ligo – mas é diferente quando começa a afetar suas tarefas diárias, coisas que você ama fazer. É diferente quando o ganho de peso é resultado de um processo ruim, sabem? E então fico feliz pelas mudanças e pelas conquistas e pelas caminhadas e por todas as coisas boas.

E só de escrever isso tudo, já sinto a vida melhor. Vai ficar tudo bem porque estou bem. Vai ficar tudo bem porque hoje consigo me desesperar mas logo em seguida colocar o que é bom no topo. Os contratempos vem e vão, as coisas boas vem e vão, mas se a gente permanece com a raiz fincada no chão faça sol ou faça chuva, prosperamos e damos frutos. Quando o foco é no bem e no que é bom, o resto vai só ficando pra trás.

Se você está passando por um momento angustiante ou desesperador, respira fundo e repete, fala em voz alta, grite até: vai ficar tudo bem. É só um momento, e os momentos passam. Existe tanta coisa bonita pra acontecer, tanta. Se a seis meses atrás alguém me falasse que essa seria a minha vida agora, eu não acreditaria. Os processos se desenrolam muito rapidamente se dermos chance. Então levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e vamos a luta, porque o tempo é curto e o sonho é grande! <3

Como ser um ser humano de sucesso (fora dos padrões normais)

Olá, pessoas bonitas!

Andei um tempo escrevendo no meu outro blog, mais voltado para literatura, e acabei parando o ritmo intenso de postagens por aqui..rs..Como a boa filha a casa torna, cá estou eu com algumas ideias e pensamentos que organizei recentemente, e que tem muito mais a ver com o cantinho de cá.

Muito se fala sobre sucesso hoje em dia. Dicas, livros, fórmulas. Um sucesso pronto e empacotado, em que nós todos supostamente devemos nos encaixar. Um sucesso que tem a ver com dinheiro, com carreira nos moldes normais, com essa ideia estranha de “ser adulto” que permeia a internet. Como eu vivi e vivo completamente fora desses padrões (e tenho certeza que quem gosta dos meus textos também vive ou gostaria de viver), trago hoje um apanhado de dicas sobre o assunto. Coisas que aprendi com o tempo e outras que gostaria de ter dado ouvidos mais cedo (sim, não estou reinventando a roda! Muito disso vem de ideias e pensamentos que me deram ao longo do tempo e hoje compartilho ^^). Lá vamos nós:

1 – Seja gentil

Esse é o conselho mais precioso da vida. Seja gentil e atencioso com todas as pessoas que passarem pelo seu caminho. Não sabemos o dia de amanhã, e aquela conversa aleatória na fila da padaria ou o comentário em uma publicação pode render amizades e até parcerias profissionais. Esteja presente (falo muito sobre presença, e acho que merece até um texto próprio!), ouça tudo, absorva o que te couber! Com gentileza e atenção chegamos muito mais longe. Diferente do que pregam, a vida não precisa ser uma competição: o pensamento e a ação coletivos rendem muito mais frutos!

2 – Abrace as oportunidades

Você já deve ter lido e ouvido incontáveis vezes a expressão “agarrar as oportunidades”. Não gosto dessa expressão! Além de trazer em si uma agressividade forte, me parece tudo muito corrido e voraz. Pra aproveitar a vida de verdade é preciso paciência e amor, então faça diferente: abrace as oportunidades. Com amor e carinho e dedicação. Dê o seu melhor pro projeto grande e pro pequeno. Coloque o mesmo ímpeto e a mesma vontade em tudo que se propuser a fazer. Converse com as pessoas, peça feedback, não deixe o medo te impedir! Coloque os bracinhos em volta da oportunidade, feche os olhos e deixe a vida fluir! haha 😀

3 – Vá sem julgamentos

Já vi muita gente dispensar projetos porque não tinha ninguém “”importante”” envolvido. Acho que todos nós conhecemos gente assim, que acredita que só vale a pena pro currículo e pra vida o que envolve determinados tipos de pessoa. Esqueça completamente esse conceito. Todo mundo traz consigo uma bagagem fantástica esperando para ser compartilhada. Se manter aberto e sem julgamentos pode te levar a lugares incríveis. Foi sendo assim que fiz os melhores passeios, estive nos melhores eventos e conheci as melhores pessoas.

4  – Respeite seu tempo

Esse é um conselho bem clichê, mas que eu demorei muito tempo pra entender e aceitar. Com as redes sociais e a internet, fomos nos acostumando a comparar nossa vida a dos outros. Cada um tem um caminho a trilhar e com ele todos os altos e baixos. Aquela pessoa que se formou novinha, por exemplo, pode ter tido oportunidades que você não teve, assim como a sua formação mais tarde pode te proporcionar uma experiência que ela nunca vai ter. Uma coisa não invalida a outra, e se você se mantiver aberto a troca, pode aprender muito quem tem um caminho diferente do seu. Sem julgamento, sem competição e – especialmente – sem a sensação de que você deveria estar nesse ou naquele lugar a essa altura da vida.

5 – E por falar em formação…

…vida acadêmica não é tudo, e muito menos é o único caminho para se alcançar o sucesso! Eu me dei muito muito bem em todas as faculdades que entrei, e sou lembrada pelos meus professores até hoje. Apesar disso, o sistema de ensino apenas não funciona pra mim. Não tenho formação superior, e não pretendo ter tão cedo.

O que fiz com isso? Li e escrevi e aprendi o que eu queria, da forma que eu queria. Não tenho diploma, mas tenho uma carga de conhecimento muito maior do que a de muitos estudantes de mestrado que eu conheço. O ambiente acadêmico pode ser muito limitador, especialmente pra quem é curioso e inquieto. Isso não significa que seja ruim, significa apenas que ele é bom pra quem o aceita como ele é e consegue funcionar dessa maneira.

Sou designer e trabalho em uma agência onde atendo clientes de diferentes portes. Lá também atuo como redatora e web designer. Falo inglês fluente, sou artesã, canto, componho músicas, toco ukulele, sou cabeleireira, fotografo, sou escritora e artista visual. Aprendi tudo isso sozinha. Li uma infinidade de livros. Vi uma infinidade de filmes. Conheci uma infinidade de pessoas e consigo manter conversas significativas em qualquer meio. Não escrevi esse parágrafo pra me vangloriar, só pra mostrar que uma vida rica e produtiva é possível fora dos muros da universidade!

6 – Seja a exceção

Toda vez que conto minha história, ouço coisas como “ah, mas é diferente”, “mas você é exceção” e relacionados. Nunca consegui entender muito bem quem se enxerga como regra, então fica aqui o conselho: seja a exceção. Pense como exceção. Crie a sua forma de viver, de ver o mundo e de produzir. Isso vale para todos os campos da vida! Não aceite menos do que você merece, e todos nós merecemos nos sentir plenos, amados e felizes.

Sei bem como de vez em quando bate a insegurança e a vontade de desistir, mas quando isso acontecer, mantenha o seguinte em mente: você é exemplo para alguém. Podem ser seus amigos ou pessoas aleatórias que te acompanham na internet. Pode ser aquela prima mais nova ou seus irmãos. Alguém está vendo o que você faz e tira forças disso pra continuar. Então seja a exceção! Seja a pessoa fora da casinha! Agindo assim você vai ter que aturar muito julgamento e talvez até pessoas próximas tentem de convencer de que você está errado. Se você acredita, vai fundo. A diferença muda o mundo, não a regra. Pode parecer exagero, mas te digo: todos nós podemos ser uma semente da mudança. Pra florescer, basta acreditar, ir regando tudo com amor e seguindo em frente. O vento vem, a chuva vem, tudo parece ir contra, mas no final a gente com certeza floresce! <3

Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de coração! Quem quiser me mandar mensagem ou bater um papo, me adiciona no face clicando aqui, ou comenta aí embaixo! Vem sem medo que a troca é certa! 😀

Namastreta

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Acho engraçado como hoje em dia existe toda uma cultura do ser zen e ficar de boa. Acredito que sejam de fato práticas maravilhosas, quando feitas da maneira correta. O que ninguém explica é qual é exatamente o limite entre ser “de boas” e estar na realidade engolindo sapos e se autodestruindo. Te soa exagerado falar em autodestruição? Pra mim, qualquer coisa que não funciona para nos elevar, funciona para nos sabotar. Vamos por partes.

Ser zen, meditar, falar de maneira tranquila e todas as coisas relacionadas sempre soam como coisa de gente elevada. Gente elevada não grita, não briga, não desce do salto. Gente elevada não coloca a mão na cintura com o dedo pro alto. Gente elevada medita, come orgânicos, anda e bicicleta e perdoa como quem compra banana na feira (isso faz sentido? hahahaha). Todas essas coisas estão bem distantes da realidade do cidadão comum. É difícil ser zen no ônibus sem ar condicionado. Comprando no Supermercado Mundial. Andando embaixo dessa lua. Com vários gatos, cachorros, tartarugas e humanos em casa. Daí o ser humano proletário começa a ler muito, tenta praticar, tenta se “””elevar””” copiando os caminhos. Já caí nisso a alguns anos atrás, mas agora volto vacinada pra dizer: é possível. Mesmo com todos os problemas e perrengues do dia a dia, com todas as provações.

O segredo, em essência, é não confundir ser zen com ser banana. Não confundir tranquilidade com passividade. Se te dói parecer tranquilo, você não está sendo tranquilo. O objetivo não é parecer, aliás, é ser. Pra você, por você, e não pras outras pessoas.

Com todas as coisas que penso, e juntando os conhecimentos que fui acumulando ao longo dos anos, percebi que minha vibe é muito mais a Namastreta. Calma, sim, mas passiva nunca. De boas, mas com limite.

No mais, acho muito chato gente que é zen demais. Sempre desconfio que tem alguma coisa errada com quem não se exalta – especialmente de felicidade. Acumular raiva, peso, tristeza é muito ruim (pra saúde, inclusive), e é importante aprender a deixar ir. Mas não ceda a pressão pra parecer tranquilo. Vira e mexe tudo que a vida precisa é de uma boa sacudida! 🙂

 

Referências: o ponto essencial para se ter mais criatividade

header - criatividade

Muito vejo falarem sobre criatividade, seja ligada a escrita, arte e design ou mesmo no mundo dos negócios. Ela é extremamente valorizada e ligada à inovação e capacidade de raciocinar rápido e resolver problemas. Entre uma porção de materiais sobre o assunto, encontramos muitos exercícios e soluções milagrosas para se desenvolver a tão falada criatividade. Na maioria dos casos, acho tudo uma baboseira sem tamanho, por um motivo muito simples: ser criativo não diz respeito a uma capacidade mágica sem ligação ao resto da vida, seja inata ou aprendida. Durante muito tempo acreditei que era um dom, mas quando comecei a enxergar por outra perspectiva, percebi que ela pode sim ser desenvolvida. Esse desenvolvimento, no entanto, nada tem a ver com exercícios e fórmulas. Ser criativo depende, prioritariamente, de uma única coisa: referências.

Quanto mais aprendemos sobre assuntos diversos, mais somos capazes de fazer ligações entre eles e desenvolver opiniões, pensamento crítico e criatividade. Ter um repertório vasto de referências é primordial pra ser criativo. Mais do que isso, é essencial! Acredito que exista sim o talento, a capacidade de se tornar um “buscador de referências” sem ser ensinado a tal, mas acredito também que é possível ensinar a ser curioso. Quando colocamos essa intenção nas nossas ações, o universo com certeza responde! (para os céticos de plantão, isso nada tem a ver com religião ou misticismo: quanto mais pesquisamos, mais nos sentimos motivados a continuar aprendendo. Energia positiva sempre! :D)

Sem mais delongas, segue aqui uma listinha que pode te ajudar a se tornar mais criativo, com um repertório vasto de referências e muita vontade de continuar aprendendo:

1 – Invista no que você gosta

Vamos partir do princípio de que “investir” não precisa envolver dinheiro, então nada de dar desculpas. O investimento mais importante que podemos fazer é o de tempo! Invista tempo no que você gosta. Ama ouvir música? Que tal pesquisar sobre suas bandas e artistas favoritos? Leia entrevistas, descubra artistas similares, entenda a motivação por trás de cada música, filme, série e livro que te interessa. Mesmo que você reserve só meia hora por dia pra fazer alguma atividade com atenção total, no final da semana você terá passado 3h30 aprendendo algo novo. Já parou pra pensar que existem palestras e workshops que duram menos? 🙂

2 – Valorize as pequenas vitórias

E por falar em dedicar só meia hora por dia (pra quem insiste em dizer que não tem tempo. Falaremos disso em outro post! haha), você anda valorizando suas vitórias diárias? Costumamos acreditar que ser criativo acontece de estalo, ou é algo que outras pessoas tem naturalmente, e por isso diminuímos o que alcançamos! Quando você coloca sua mente e seu corpo 100% na tarefa, por menor que ela seja, isso é uma vitória. Em alguns dias da vida, levantar da cama já é uma vitória, e devemos valorizar cada uma das nossas ações. Olhar o lado positivo e pensar na solução ao invés de focar no problema também é criatividade!

3 – Leia mais

Essa é uma dica simples, né? Mas na prática vai ficando complicada, especialmente pra quem não tem o hábito. Valem artigos na internet, livros, revistas, vale tudo! Deixe o celular de lado por algum tempo e foque na leitura. Faça anotações, guarde palavras e nomes pra pesquisar depois, anote as frases que você mais gostar. Além de nos tornar mais criativos, a leitura constante também nos ajuda a escrever melhor, aumentando nosso leque de palavras e expressões.

4 – Faça algo pela primeira vez

Essa frase não é cliché a toa! Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Quando pensamos isso, nos vem a mente coisas grandiosas como saltar de paraquedas, fazer grandes travessias ou viagens. Nessa hora bate o desânimo – nem sempre temos condições físicas e financeiras pra essas coisas grandiosas. Agora imagina o seguinte: você nunca cozinhou. Você ama estrogonofe. Se você pegar a receita e for aprender, isso é uma primeira vez! Existem primeiras-vezes de todos os graus e tipos. Muitas delas custam muito pouco ou são gratuitas, então dá pra conciliar e fazer diferente. Cada vez que você faz algo novo, sua mente se abre mais um pouco, e é como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original

5 – Não se leve tão a sério

Aprender algo novo – seja um idioma, habilidade, esporte, etc – demanda tempo e paciência. Um pouco de disciplina, sim, mas você não precisa desenvolver isso tudo da noite pro dia. Quando levamos tudo a sério demais, a tendência é desanimar rápido e perder a motivação. O que é melhor: andar três horas no primeiro dia e não aguentar andar direito por uma semana, ou andar 20 minutos no primeiro dia e se sentir bem pra andar mais 20 no dia seguinte e assim por diante? Todas essas coisas são construções, e construções demandam tempo. Não existe um marco do tipo “a partir desse dia sou uma pessoa criativa”, e por isso não existe forma de mensurar. Só quem sabe do seu progresso e da sua criatividade é você. Então ria, se divirta, leve as coisas de forma leve! Comece pequeno, foque nos primeiros passos e antes que você perceba um mundo novo e incrível se abriu a sua frente. <3

Espero que vocês tenham gostado da listinha e levem essas ideias pra vida! As pessoas sempre comentam que sou criativa e me perguntam o que eu fiz pra me tornar assim. Outras comentam coisas do tipo “ah, mas você é criativa”, como se eu tivesse nascido dessa forma. Nasci curiosa, sim, e assim me mantive, mas acredito de coração que somos todos capazes de aprender, de nos tornar curiosos e motivados! Se você acha que não, faça a experiência e venha me contar depois como foi. Se você não se sentir um tiquinho que seja mais motivado e criativo, te pago um sorvete com direito a chantilly! haha 😀