Começando

Fiquei bastante hesitante antes de começar este blog. Amo escrever e amo contar meus experimentos, mas sou uma pessoa essencialmente preguiçosa, e não sei se consigo levar por muito tempo. Em meio a uma quantidade talvez já grande demais de projetos, terminei resolvendo começar mais este. Espero que dê certo e que eu tenha a paciência necessária para manter um blog. Se não, ao menos documento algumas receitas pra Dandara do futuro encontrar e tentar de novo. hehe

Pra começar, vou contar o que me motiva a acordar todos os dias pensando “do que posso me livrar hoje?”:

Há algum tempo atrás, vi uma imagem que dizia que quando jogamos uma coisa fora, na realidade não estamos, pois não existe fora. Tudo continua circulando aqui dentro do nosso planetinha azul. Eu vou morrer e meus futuros filhos vão morrer e meus netos, até, e algumas destas coisas continuarão por aqui. Pensar nisso tudo em algum ponto pode não ter sido muito saudável (em resumo, fiquei meio paranoica HAHA). A gente começa a ficar maluco e pensando duas vezes antes de consumir qualquer coisa. Copo descartável, lata de refrigerante, guardanapo, só pra citar o básico. Passada a insanidade inicial e pensando com a cabeça fresca, bom, continuei insana, mas de maneira mais prática. Não tem como não ficar insano. Segundo dados de 2015, o Rio produz mais de um milhão de toneladas de lixo por ano. Só 3% do lixo produzido no Brasil é reciclado.

Pensando nisso tudo, comecei a me questionar sobre qual era a minha parte. O que eu posso fazer pra reduzir o mar de embalagens, papel, plástico e relacionados que é descartado todos os anos? Indo um pouco além, surgiram novos questionamentos. O que posso fazer para não compactuar com a sociedade de consumo? O que eu realmente gosto/quero/preciso, e o que é reflexo da mídia e do entorno exercendo seu poder sobre os meus desejos e pensamentos? Com tudo, resolvi começar um experimento. Aqui em casa já participamos do Desafio Lixo Zero, que visa diminuir a quantidade de resíduos e dar a destinação correta a eles, mas eu queria mais. Resolvi fazer uma lista de coisas que quero viver sem (e outras que já abandonei), e os motivos pelos quais. Eis o resultado:

  • Celular novo: além da questão ambiental, existe a questão social. Nossos celulares, computadores e eletrônicos em geral são produzidos por jovens chineses em condições grotescas de trabalho. Não é preciso pesquisar muito pra ler sobre isso, e você pode dar uma olhada na situação aqui. Não quero ficar sem telefone, mas me questionei o que eu poderia fazer para ao menos dar uma quebrada nesse ciclo. Resultado: só uso telefone de segunda mão. Não explodo o sistema, mas durmo mais tranquila por usar uma coisa que já estava no mundo.
  • Roupas novas: todos os anos temos contato com uma quantidade enorme de escândalos envolvendo trabalho escravo, condições precárias, pagamentos irrisórios, como não se importar com coisas como isso? Já não comprava roupa em lojas com frequência há anos e detesto shoppings, mas resolvi ir além e cortar completamente. Frequento brechós, bazares, faço algumas coisas e assim vou levando. Faço o mesmo com sapatos, e se não for de segunda mão, compro de produção artesanal. É maravilhoso ter contato com quem faz! <3
  • Cosméticos: sou apaixonada por cosméticos desde nova. Sempre gostei, na verdade, de observar os processos por trás de cada item, de pensar como funcionam cremes, shampoos e maquiagens. Depois de trabalhar alguns anos na indústria cosmética, cheguei a conclusão de que quero distância de todas essas coisas, mesmo dos produtos de marcas em que confio nas composições. O problema todo vai além: o que chega aos rios/lagos/relacionados, o que meu corpo absorve, o quanto as embalagens causam impacto no meio ambiente. Aqui em casa gastava uma garrafa de shampoo e uma de condicionador por mês. Isso significa que nos últimos 5 anos (sem contar outros produtos), descartei 120 embalagens vazias. Se eu continuasse, descartaria mais de mil embalagens até o final da minha vida. Adicione a isso embalagens de sabonete, creme hidratante, pasta de dente, creme de pentear e de hidratação, e o resultado é ainda mais alarmante. Aos poucos, estou cortando tudo, mas isso é assunto pra outro post.
  • Papel higiênico: quão bizarro é o costume de usar papel higiênico, certo? Certo? É sim, bastante bizarro. A gente desperdiça uma quantidade gigantesca de papel pra coisas que poderiam ser resolvidas com água, ou água e sabão. Além de ser bem mais higiênico, é também muito mais sustentável. Alguém pode vir com o argumento de “mas você deixa de usar papel pra gastar água, outro recurso”. Vá pesquisar sobre a quantidade de árvores, água e energia usados na produção de papel higiênico e depois a gente conversa. 😉
  • Supermercado: já dizia Zeca Baleiro que “lugar de ser feliz não é supermercado” e eu não poderia concordar mais. Eu abomino as grandes redes, e abomino mais ainda o que elas fazem com os preços. Diferente do que se possa acreditar (ou fomos levados a acreditar?), já faz tempo que os preços nos supermercados não saem mais em conta do que em mercadinhos e feiras de bairro. Houve um tempo em que a compra de produtos em larga escala fazia com que os preços fossem competitivos, mas hoje em dia isso não existe mais. Para além dos preços, não concordo com a forma com que eles descartam alimentos que poderiam ser consumidos, com os salários que pagam aos funcionários e com as jornadas absurdas de trabalho. É possível (bastante possível) encontrar formas de se alimentar que não envolvem compactuar com as grandes redes.
  • Descartáveis: andar com um copo na bolsa é muito fácil. É possível encontrar copinhos retráteis que mal ocupam espaço, então porque utilizar copos descartáveis? Além disso, aboli também os guardanapos. Comer com a mão é uma experiência incrível! Adicionamos mais um sentido ao momento da alimentação, e evitamos o desperdício de papel. Só vantagem!
  • Produtos de limpeza: água, limão, óleos essenciais e extratos glicólicos dão conta de praticamente qualquer coisa envolvendo limpeza. Produtos de limpeza envolvem químicos pesados que fazem mal a nossa pele, as superfícies (se pensarmos a longo prazo) e ao meio ambiente. Quando você lava um paninho de limpeza, todo aquele desinfetante cheiroso vai pra água. Se resseca a sua mão e é capaz de tirar gordura sem esforço, imagina o que faz com os animais?

Bom, pra começo de conversa, é isso! Ficou enorme, eu sei, mas quis definir alguns parâmetros da experiência. O intuito do blog é documentar os caminhos, receitas e substituições que fiz e pretendo fazer. Nenhum perrengue foi passado até agora, mas tenho certeza que aparecerão! hahaha. Espero que vocês leiam, comentem, se solidarizem com a minha loucura e experimentem também. Abrir mão do que crescemos acreditando ser certo e bom pro nosso corpo e pro planeta não é fácil, eu sei, mas a sensação no final do dia compensa. 😀

 

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