Feira da Pracinha no MAR ♥

No último sábado, dia 25, nossa Feira da Pracinha foi convidada a participar de um evento incrível: uma feira de trocas no Museu de Arte do Rio. A feira aconteceu paralelamente ao Congresso dos Irreais, representando as feiras de economia colaborativa da cidade, e a “moeda de troca” foram os Irreais, moeda criada pelo artista José Miguel Casanova. Para saber mais sobre esse projeto incrível que é o Banco dos Irreais e abrir sua conta, clique aqui. Um breve resumo pra ambientar o que vou contar a seguir (hehe):

“Um Banco de Tempo é uma ferramenta de desenvolvimento de trocas sociais que permite uma nova forma de relacionamento entre os membros de uma comunidade. Ele é uma das práticas da economia solidária, que é uma forma de organização da produção-consumo, ambiente de cooperação comercial e boa vida das pessoas, ao contrário da concorrência e acumulação de capital que caracterizam o sistema capitalista. É uma economia de trocas que não procuram a acumulação de quantidades, mas são baseadas no uso e circulação de bens e serviços para o bem comum”.

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Com essas coisas maravilhosas em mente, saímos de Jacarepaguá de mala e cuia, com caixote debaixo de braço, uma porção de livros e roupas, e a vontade enorme de compartilhar experiências. Além da Feira da Pracinha, eu e minha mãe também participamos do grupo Viajantes do Território, que estava na feira (ficamos grudadinhos barraca com barraca <3) e fez um trabalho maravilhoso ao longo do dia. Chegamos por volta de 12h, e a feira durou de 13h as 16h30, seguida por uma confraternização que envolveu comida mexicana, tequila, mezcal e muito amor. É incrível a energia que circula após uma experiência como essa!

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A parte mais fantástica, pra mim, foi explicar aos passantes o que era a feira, o Banco dos Irreais e qual era o intuito da experiência. Muitos visitantes desavisados paravam na barraca pra tentar entender, e era engraçado ver o espanto e os olhinhos brilhando quando perguntavam “mas é pra troca? não tem que pagar nada?”. De fato, a maioria das pessoas não está acostumada a trocar algo que não use mais por algo que quer ou precisa. Não estamos acostumados a transações que não envolvem dinheiro, pois crescemos aprendendo que precisamos dele para ter o que queremos ou precisamos. Acho que essa é a beleza dos Irreais: mostrar que existem diferentes formas de consumo, e que o seu tempo, seu afeto e seus conhecimentos valem tanto – ou mais – do que dinheiro. Quando trocamos alguma coisa, não trocamos apenas a coisa em si, mas também uma quantidade de energia que alcança a outra pessoa. Uma quantidade de energia boa que é capaz de reconfortar, encher o peito de amor, arrancar sorrisos e tornar o dia mais bonito.

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Dito isso, compartilho o momento mais singelo que vivi no dia 25: Uma senhora chegou a barraca perguntando o que estava acontecendo ali. Expliquei, ela olhou as coisas e ficou apaixonada por um dos cachecóis. Coincidentemente, da pilha que levamos, aquele era o único que eu tinha tricotado. Como não tinha nada pra trocar, a senhora perguntou se eu não poderia vender. Expliquei que o intuito da feira era a troca, e que por isso não poderíamos vender os itens, e ela repetiu com pesar “gostei tanto desse cachecol, é tão lindo”, se despediu e continuou o passeio. Fiquei muito chateada por alguém ter gostado tanto de algo que eu fiz e não poder levar, então resolvi ir atrás dela e oferecer uma troca diferente: um cachecol por um abraço. Ela ficou tão feliz que deu um grito, me abraçou apertado e logo colocou a peça no pescoço. Acho que eu nunca me senti tão abraçada! haha Meia hora depois, passou novamente pela barraca e me deu mais um abraço. No final do dia, quando já estávamos desmontando, veio uma última vez pra me mostrar que ainda estava com ele no pescoço. Momentos como este não tem preço, mas tem um valor absurdo e marcam a gente. Vou levar comigo pro resto da vida a sensação de fazer uma desconhecida tão feliz com um ato tão simples. Dinheiro nenhum no mundo pagaria por isso.

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Além desta, outras trocas inusitadas aconteceram ao longo do dia: trocamos roupas por comida (quem já comeu nas barraquinhas próximas ao MAR sabe que foi uma das melhores trocas. hahaha), irreais por uma muda de batata doce, sabão e amaciante caseiros, sal de ervas e mais uma porção de coisas incríveis. Aproveitando o momento, Diogo também levou uma pilha de fotografias pra doar, o que gerou uma reação fantástica nas pessoas: ninguém está acostumado a ganhar nada de um desconhecido. Mais do que a doação das fotos, foi uma troca de tempo. Ninguém parava pra escolher fotografias sem conversar com a gente e contar alguma coisa. É impressionante o poder que esse tipo de acontecimento tem de “destravar” as pessoas, de fazer com que a gente fique mais vulnerável, mais aberto ao novo.

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Se eu escrevesse mil posts sobre o excelente dia que tive no sábado, ainda seria pouco pra descrever tudo que senti. Foi uma experiência revigorante, uma memória que vou guardar com muito carinho. Gostaria de agradecer imensamente a todos os envolvidos! A Bruna Camargos pelo convite, pela simpatia e pelo sorriso contagiante; Ao José Miguel Casanova, por viabilizar todas essas trocas e experiências fantásticas; A Núbia, João (a.k.a. minha mãe e irmão hehe) e Diogo pela alegria que é compartilhar projetos e ideias com vocês; Aos outros participantes da feira, pois é sempre muito lindo conhecer gente com pensamentos próximos aos nossos; Aos Viajantes do Território pela troca, pelos papos e pelas rabanadas, vocês são incríveis de lindos! Dizer “Muito obrigada!” é pouco pra toda essa gente linda, deixo aqui minha gratidão desmedida. <3

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Se você leu até aqui e ainda não tem conta no Banco dos Irreais, corre lá e compartilha seus saberes, tempo e experiências! Já cadastrei algumas coisas e vou adorar poder trocar com vocês. 🙂

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