Autogentileza

Tenho problemas ortopédicos que me fizeram por muito tempo me sentir menos. Minha deficiência é sutil quando vista de fora, mas a dor que ela causa já me tirou o sono e me deu de presente muitas noites mal dormidas. Para completar, fui obesa por muito tempo, o que me fazia sentir ainda menos e motivava os exageros que cometi na tentativa de mostrar que era tão capaz quanto os outros. Do auge dos 140kg, sentar no chão de pernas cruzadas era uma atividade excruciante. Encostar os joelhos no chão? Garantia de que ficariam por dias ainda mais inchados e doloridos. A perna menor, que suportava a maior parte desse peso, sente até hoje as consequências de anos de negligência.

Não me culpo por isso. Cresci ouvindo que minhas dores não existiam. Sentia que talvez fosse dramática e que devia aguentar tudo, todo o tempo, e mostrar que de fato não era nada, mesmo sentindo a dor me consumir. Desse tempo até aqui perdi muito peso, fruto da prática de yoga, caminhada, trilhas e alimentação adequada. Não foi um esforço ou um sacrifício, tudo aconteceu naturalmente. O que nunca foi natural foi o desejo de provar para o mundo que eu era tão ou mais capaz. Desde a adolescência sei, por exemplo, que não posso correr. Ainda assim, lá estava eu correndo, e com isso consegui mais uma fratura, mais uma dor, mais tempo parada. Isso é o que ganhamos quando não respeitamos nosso corpo: uma quebra na rotina de exercícios (em todas as rotinas, na realidade) que nos faz ficar ainda piores. Sem a corrida nada disso teria acontecido, mas sem ela eu também nunca teria descoberto a razão de tanto sofrimento: uma fratura do fêmur que me aconteceu na infância e não teve o tratamento adequado. Ver o estado do osso do meu quadril na tomografia foi uma mistura de emoções. Não dava mais pra fugir do fato de que tenho uma deficiência, porque agora eu tinha a certeza que nunca tive. Ao mesmo tempo, morreu ali qualquer pretensa coragem de me desafiar. Quando se tem uma deficiência certas coisas não são desafios, são somente inconsequência. Uma coisa é fazer sem saber, outra coisa é fazer sabendo.

Cada vez que me lesiono porque não tive amor, compaixão e gentileza comigo mesma, passo meses sem conseguir me mover direito, e todo o meu esforço – de tempos, muitas vezes – vai por água abaixo. De que adianta se desafiar se você vai terminar sem conseguir andar? Exatamente, não adianta de nada. Isso não é desafio, é ódio por si. Quão longe eu estaria agora se não tivesse cismado em fazer coisas que eu sabia não poder, só para provar pro mundo que sou capaz? Eu não sou normal, nunca vou ser perfeita, não existe cirurgia ou tratamento que resolva meu problema, a não ser que inventem um transplante de perna que se torne popular durante meu tempo de vida. Recentemente me dei conta: eu sentiria tanta vontade de ser normal se vivesse em uma sociedade que respeita deficientes? Eu teria esse desejo se fosse aceita? Acredito muito que não.

Por muito tempo eu sentia uma vergonha imensa de me exercitar. Não tinha roupas adequadas, tinha vergonha de suar muito, tinha medo de me machucar, tinha emoções tão fortes que me impediam de respirar. Quando comecei na yoga, há muitos anos atrás, temia certos asanas não por qualquer questão física, mas porque mostrariam o estado deplorável da única calça que eu tinha, remendada à exaustão no meio das pernas. Sentia tanta ansiedade que não conseguia respirar, muito menos encontrar equilíbrio ou ritmo. Só consegui relaxar e realmente aproveitar a prática quando comecei a fazer tudo em casa. Para além da minha falta de roupas, me dava vergonha do corpo. Vergonha de como as gorduras do meu lipedema se penduravam em certas posturas. Vergonha da minha barriga, dos meus joelhos tortos, de tudo. Eu me odiava tão profundamente que não conseguia enxergar a realidade: todo o ódio que sentimos não vem de nós, vem da forma como a sociedade nos olha. Tem gente que vai internalizar isso e passar a vida se odiando. Eu, por sorte, consegui sair dessa. Ainda não encontrei o amor profundo por mim mesma, mas já não me desprezo completamente como antes. A dor me mostrou que sem autogentileza e autocuidado eu terminaria morrendo jovem, muito jovem, muito antes do que imaginava ou gostaria, e apesar do suicídio ter passado muitas vezes pela minha cabeça, sei que meu desejo era que a minha realidade desaparecesse, e não que eu morresse.

Com tudo, hoje quis escrever um pouco mais sobre essa camada da minha história, com o intuito de provocar alguns questionamentos e passar alguns pensamentos adiante: você pratica a gentileza consigo mesma? Você se exercita por amor ou por ódio? Você quer ser melhor dentro da forma na qual nasceu, ou seu desejo é alcançar o impossível? Você se odiaria se não tivesse sido ensinada a se odiar? Você consegue sequer enxergar que foi ensinada, ou ainda acredita que a tua falta de autoestima e de amor realmente saiu do seu coração?

A vida é muito curta e muito longa, tudo ao mesmo tempo. Quando se sente dor, uma noite é uma vida inteira. Mas se existe qualquer chance de acabar com a dor, precisamos agarrar essa chance com unhas e dentes, com carinho e compaixão, com força e tranquilidade. O exagero de hoje é a dor de amanhã, mas a paciência de hoje é o sucesso da semana que vem. Dane-se que eles conseguem fazer crossfit, subir parede ou levantar o próprio peso. Foda-se os bombados, os viciados em academia, os corredores. Importa nosso próprio corpo, nossa própria jornada, e ela não pode ser comparada a de mais ninguém. Hoje me maravilho por terminar um alongamento simples, porque a dois meses atrás eu mal conseguia andar até o banheiro. Me sinto orgulhosa de mim por conseguir encher meus pulmões de ar e por ter reduzido meu consumo de cigarros em 85%. Eu poderia me odiar e me sentir mal por não ser nesse momento capaz de fazer 14km de trilha – coisa que já fui – ou por ainda fumar cigarros, mas o que eu ganharia com isso? Apenas uma ansiedade e um ódio por mim que me fariam ir ainda mais devagar.

No final, se amar é mais importante do que qualquer desafio. Se respeitar é libertador, rebelde, revolucionário. E se o amor por si por difícil, comece pela gentileza. Se trate como trataria uma criança, com cuidado e com afeto. Você colocaria uma criança para se exaurir fazendo exercício físico? Se sim, procure ajuda psiquiátrica, porque você é louca. Que tal pegar esse ódio que aprendeu a sentir por si e transformar em ódio do sistema? Talvez assim chegue o dia em que ninguém precise passar pelo que passamos.

Gratidão e pensamento positivo: como sobreviver a quarentena de dentro pra fora

Desde que começou a quarentena, a vida virou um carrossel de emoções. Experienciei diferentes fases do luto, especialmente a negação, e agora que superei a raiva e a tristeza, consigo olhar pro ano com outros olhos. Se de início me apeguei a uma tristeza imensa por tudo que 2020 não seria, nos últimos dias consegui olhar pra tudo que ele é, pra tudo que ele ainda pode ser.

De maneira geral, nem sempre as coisas saem como planejamos. Na minha experiência, ao menos, elas não saem conforme o planejado na maioria das vezes (haha). Me acostumei a repensar, refazer, recriar, recomeçar. Só que existe diferença entre estar acostumado a isso em condições normais, e se pegar completamente impossibilitado por forças maiores. Não achei que veria o mundo passar por algo assim no meu tempo de vida, mas já que estamos aqui, resta aceitar e seguir.

Não quero que o “aceitar e seguir” se confunda de nenhuma forma com ficar parado. Aceitar uma coisa não é socar ela pro fundo da cabeça e continuar vivendo. Aceitar é se colocar de peito aberto. A coisa aconteceu, não tem nada que possamos fazer sobre ela, então juntamos os caquinhos e planejamos tudo de novo, com energia positiva e amor no coração.

Mas como encontrar energia positiva num tempo tão bosta?

É simples, mas não é fácil. É preciso olhar pra dentro. Do que você gosta? Pelo que você é grato? Quem é você quando se fecham as cortinas? É preciso olhar pra fora. Quem é sua rede de apoio? Por quem e pelo que você é grato? Gratidão é o clichê contemporâneo, mas a essa altura da vida superei o desejo de não ser clichê: se é positivo, quem liga? Sejamos gratos. Sejamos muito gratos. Sejamos gratos até o osso. Não pela comparação ao outro (coisa que detesto, aliás, essa de “imagina quem x y ou z”. Cada um sabe onde o calo aperta), mas por voltar o olhar a nós mesmos. A pessoa que eu era mês passado, ano passado, década passada, vive aqui por dentro, na essência, e ao mesmo tempo não existe mais. Sou um ser humano melhor, uma amiga melhor, uma irmã melhor, uma filha melhor. Me encho de alegria quando olho pra vida e penso: daqui a um ano, serei ainda melhor. E foi pensando isso tudo que encontrei a energia necessária para não me afundar. Sou grata pela minha família e amigos. Grata pelo marido maravilhoso que eu tenho. Grata pelas minhas oportunidades e, acima de tudo, grata por esse corpo grande e forte que me enche de possibilidades.

Através do exercício da gratidão a gente se entende melhor, se conhece melhor, e tem mais ferramentas pra passar por períodos ruins. É focar no que é bom e positivo, ao invés de deixar a mente vagar em pensamentos ruins. Eles vão vir e existir, e que bom que sim, porque pra mim a morte da negatividade é a alienação. Um pouquinho de melancolia mantém o pé na realidade rs.

Mas eu tô aqui agradecendo de joelho e continuo me sentindo um lixo, Dand, eu to sendo gratx errado?

Além do esforço pelo foco na gratidão, outra coisa que me ajudou muito nos últimos tempos foi substituir o pensamento autodestrutivo, na hora em que ele vem, por uma opção mais feliz, motivadora e agradável. Por exemplo:

– Eu a um mês atrás: eu desenho mal mesmo, sou péssima nas proporções, é tudo um lixo.
Resultado: fui parando de desenhar
– Eu hoje, quando esse tipo de pensamento vem: quero melhorar minhas habilidades em proporções e perspectiva, então acho que vou desenhar todo dia.
Resultado: continua torto, mas melhora a cada dia e eu amo cada resultado. HAHA

Só não podemos confundir a motivação-positiva-salvadora com a negação, certo? Qual é a diferença? Negação é ignorar a coisa/pensamento ruim e agir como se ela não existisse. Motivação positiva é olhar a coisa de frente, pelo que ela é, e colocar a coisa em termos motivacionais ao invés de derrubacionais (pra derrubar já basta a vida, né? ahaha).

E daí é só pensar positivo que tudo melhora?

Resposta curta: não. rs

Resposta longa: pensar positivo e se manter motivado e cheio de amor nos ajuda a passar bem pelas circunstâncias, mas, dependendo da circunstância, nada vai mudar além de você (o que já me parece grandioso e foda o suficiente). Pensar positivo e me manter grata não faz o Corona ir embora, nem mata a saudade que eu tô da minha mãe, irmãos e amigos. Não faz com que a pandemia acabe, nem com que mais leitos apareçam nos hospitais. Mas me faz passar por isso tudo com muito mais leveza e muito menos culpa, e pode te ajudar também, além de trazer benefícios que vão além desse período difícil.

Se você acha impossível mudar seus padrões de pensamento, eu te digo: dê uma chance. Eu tendo ao pessimismo e ao deprêshow, e nada me ajudou tanto quanto isso. Acredito na autocura, e pra isso precisamos estar alertas, atentos e dispostos. Ninguém pode te ajudar a ser um serumaninho melhor tanto quanto você, porque mesmo a ajuda externa tem limite se a gente não se ajuda. Um passinho de cada vez e chegamos muito mais longe do que acreditávamos ser possível. O segredo é o passinho. Um dia as pernas se fortalecem e a gente sai correndo.

Ninguém devia ser elogiado por emagrecer

Entre o ano passado e esse alguma coisa aconteceu comigo. Na realidade, entre o ano retrasado e esse. Basicamente, eu mudei muito minha alimentação (prioritariamente pra melhor, mas ainda dou meus vacilos de ficar muitas horas sem comer. Eu esqueço. Mesmo.) e comecei a andar feito uma louca – coisa que eu amo e fazia antes, mas tinha deixado de lado no void-das-coisas-que-a-gente-perde-o-ânimo-porque-trabalhar-fora-é-esgotante. Daí eu fui andando e andando e andando e comendo melhor e comecei a emagrecer. Eu não queria emagrecer. Eu não fazia nenhuma questão. De repente eu tinha emagrecido o suficiente pra ficar com o menor peso que tenho em mais de uma década. Que eu não queria e não fazia questão, guardem essa informação.

Antes que eu pudesse perceber – e imediatamente ao sair do que é considerado gordo e feio e chegar ao que é considerado gordo e socialmente aceitável – os elogios começaram. Era um tal de “nossa, você emagreceu muito, parabéns!” efusivo, uns “você tá mais bonita, emagreceu” e as variações disso. Uma porção de parabéns. Uma porção de olhares felizes de conhecidas me perguntando o que eu tinha feito. Todo mundo espera uma dieta milagrosa ou uma resposta. Eu nunca tenho resposta. Só agradeço se for alguma das vózinhas do meu convívio ou pessoas mais velhas, porque sei que seria desgastante explicar porque é tão problemático elogiar alguém por ter emagrecido.

Vivemos em uma sociedade focada na aparência, todo mundo sabe disso. Não vou falar sobre os problemas todos da indústria da beleza e da dieta nesse texto (em um outro, talvez, porque amo falar sobre isso hahaha), mas pegar nessa questão do elogio. Essa coisa que diz pra gente e pras pessoas que emagrecer é excelente e engordar é a morte. Essa coisa que faz meninas pararem de comer, vomitarem o que comem, perderem cabelo, ficarem com as unhas destruídas (eu, inclusive, lá pros meus 15 anos). Essa coisa que gera esforços e medos e angústias e dietas mirabolantes e soluções mágicas pro que não necessariamente é um problema.

Com meus 135kg de antes, eu me sentia bem, até não me sentir mais. Não por nenhuma questão estética, mas basicamente porque tinha virado uma pessoa muito sedentária que não aguentava andar 5 minutos sem morrer. Eu não subia um lance de escada. Eu parava no meio de todas as ladeiras. Isso foi me incomodando porque eu era acostumada a ser ativa e feliz, independentemente do meu peso. Era isso o que eu queria mudar. Ter preparo, me sentir fisicamente bem pra fazer o que eu gostava, ver meu organismo funcionando melhor. O peso foi uma consequência, e o peso sempre deveria ser consequência. Existe gente com pesos mais altos super saudável e ativa. Existe gente magra que é sedentária e come mal. Relacionar saúde com peso é um erro terrível e que não condiz com a realidade. Além de qualquer questão desse tipo – e nem vou entrar nelas porque por mais que saiam pesquisas e por mais que a realidade confirme, eu precisaria de um textão bem maior pra tentar convencer alguém.

O ponto é outro:

Quando você elogia alguém por emagrecer, está basicamente dizendo pra pessoa “você é uma bosta, que bom que está tentando se adequar a sociedade e deixar de ser gorda!”. Não é legal. Porque elogiar o emagrecimento faz automaticamente o peso parecer ruim, errado, algo a se envergonhar e perder. Se você elogia e recompensa quando alguém emagrece, está dizendo a uma categoria inteira de pessoas que elas não são o suficiente. Que existir e ser feliz como se é não é o suficiente. Eu não me sinto feliz com os elogios. Minha primeira reação é pensar “poxa vida, então essa pessoa me achava gorda e horrível e socialmente inaceitável”, e logo em seguida não saber como responder. Não é bom. Não vem como um elogio se você entende o quanto é pesado transitar pela sociedade sendo gordo. Fico pensando que não passo mais por situações estranhas e constrangedoras nas lojas, mas uma porrada de mulheres continua passando, e então o elogio é também uma surra em todas elas. É uma porrada que diz:

A sociedade não vai se adaptar a você. A gente não vai vender roupa pra você. A gente não quer você nesse espaço. A culpa não é nossa se você é gorda e essas roupas não te servem, vai emagrecer.

E se fosse o contrário? E se ninguém elogiasse ou criticasse ninguém por conta do peso? E se as lojas vendessem pra todo mundo e todo mundo se sentisse lindo, amado, gostosão e muito foda? Porque é esse mundo que eu quero ver. Não um mundo em que alguém me elogia efusivamente porque eu emagreci. Eu sou gorda. Não tenho problema nenhum em ser gorda. Peso menos de 100 quilos, já pesei mais de 130 e em nenhuma dessas configurações o problema era eu. Oi pessoa gorda, o problema não é você. Se é pra elogiar, elogiem meus textos, minhas músicas, minhas ideais. Comentários sobre o meu corpo eu dispenso.

No final, ninguém tem NADA a ver com isso.

Referências: o ponto essencial para se ter mais criatividade

header - criatividade

Muito vejo falarem sobre criatividade, seja ligada a escrita, arte e design ou mesmo no mundo dos negócios. Ela é extremamente valorizada e ligada à inovação e capacidade de raciocinar rápido e resolver problemas. Entre uma porção de materiais sobre o assunto, encontramos muitos exercícios e soluções milagrosas para se desenvolver a tão falada criatividade. Na maioria dos casos, acho tudo uma baboseira sem tamanho, por um motivo muito simples: ser criativo não diz respeito a uma capacidade mágica sem ligação ao resto da vida, seja inata ou aprendida. Durante muito tempo acreditei que era um dom, mas quando comecei a enxergar por outra perspectiva, percebi que ela pode sim ser desenvolvida. Esse desenvolvimento, no entanto, nada tem a ver com exercícios e fórmulas. Ser criativo depende, prioritariamente, de uma única coisa: referências.

Quanto mais aprendemos sobre assuntos diversos, mais somos capazes de fazer ligações entre eles e desenvolver opiniões, pensamento crítico e criatividade. Ter um repertório vasto de referências é primordial pra ser criativo. Mais do que isso, é essencial! Acredito que exista sim o talento, a capacidade de se tornar um “buscador de referências” sem ser ensinado a tal, mas acredito também que é possível ensinar a ser curioso. Quando colocamos essa intenção nas nossas ações, o universo com certeza responde! (para os céticos de plantão, isso nada tem a ver com religião ou misticismo: quanto mais pesquisamos, mais nos sentimos motivados a continuar aprendendo. Energia positiva sempre! :D)

Sem mais delongas, segue aqui uma listinha que pode te ajudar a se tornar mais criativo, com um repertório vasto de referências e muita vontade de continuar aprendendo:

1 – Invista no que você gosta

Vamos partir do princípio de que “investir” não precisa envolver dinheiro, então nada de dar desculpas. O investimento mais importante que podemos fazer é o de tempo! Invista tempo no que você gosta. Ama ouvir música? Que tal pesquisar sobre suas bandas e artistas favoritos? Leia entrevistas, descubra artistas similares, entenda a motivação por trás de cada música, filme, série e livro que te interessa. Mesmo que você reserve só meia hora por dia pra fazer alguma atividade com atenção total, no final da semana você terá passado 3h30 aprendendo algo novo. Já parou pra pensar que existem palestras e workshops que duram menos? 🙂

2 – Valorize as pequenas vitórias

E por falar em dedicar só meia hora por dia (pra quem insiste em dizer que não tem tempo. Falaremos disso em outro post! haha), você anda valorizando suas vitórias diárias? Costumamos acreditar que ser criativo acontece de estalo, ou é algo que outras pessoas tem naturalmente, e por isso diminuímos o que alcançamos! Quando você coloca sua mente e seu corpo 100% na tarefa, por menor que ela seja, isso é uma vitória. Em alguns dias da vida, levantar da cama já é uma vitória, e devemos valorizar cada uma das nossas ações. Olhar o lado positivo e pensar na solução ao invés de focar no problema também é criatividade!

3 – Leia mais

Essa é uma dica simples, né? Mas na prática vai ficando complicada, especialmente pra quem não tem o hábito. Valem artigos na internet, livros, revistas, vale tudo! Deixe o celular de lado por algum tempo e foque na leitura. Faça anotações, guarde palavras e nomes pra pesquisar depois, anote as frases que você mais gostar. Além de nos tornar mais criativos, a leitura constante também nos ajuda a escrever melhor, aumentando nosso leque de palavras e expressões.

4 – Faça algo pela primeira vez

Essa frase não é cliché a toa! Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Quando pensamos isso, nos vem a mente coisas grandiosas como saltar de paraquedas, fazer grandes travessias ou viagens. Nessa hora bate o desânimo – nem sempre temos condições físicas e financeiras pra essas coisas grandiosas. Agora imagina o seguinte: você nunca cozinhou. Você ama estrogonofe. Se você pegar a receita e for aprender, isso é uma primeira vez! Existem primeiras-vezes de todos os graus e tipos. Muitas delas custam muito pouco ou são gratuitas, então dá pra conciliar e fazer diferente. Cada vez que você faz algo novo, sua mente se abre mais um pouco, e é como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original

5 – Não se leve tão a sério

Aprender algo novo – seja um idioma, habilidade, esporte, etc – demanda tempo e paciência. Um pouco de disciplina, sim, mas você não precisa desenvolver isso tudo da noite pro dia. Quando levamos tudo a sério demais, a tendência é desanimar rápido e perder a motivação. O que é melhor: andar três horas no primeiro dia e não aguentar andar direito por uma semana, ou andar 20 minutos no primeiro dia e se sentir bem pra andar mais 20 no dia seguinte e assim por diante? Todas essas coisas são construções, e construções demandam tempo. Não existe um marco do tipo “a partir desse dia sou uma pessoa criativa”, e por isso não existe forma de mensurar. Só quem sabe do seu progresso e da sua criatividade é você. Então ria, se divirta, leve as coisas de forma leve! Comece pequeno, foque nos primeiros passos e antes que você perceba um mundo novo e incrível se abriu a sua frente. <3

Espero que vocês tenham gostado da listinha e levem essas ideias pra vida! As pessoas sempre comentam que sou criativa e me perguntam o que eu fiz pra me tornar assim. Outras comentam coisas do tipo “ah, mas você é criativa”, como se eu tivesse nascido dessa forma. Nasci curiosa, sim, e assim me mantive, mas acredito de coração que somos todos capazes de aprender, de nos tornar curiosos e motivados! Se você acha que não, faça a experiência e venha me contar depois como foi. Se você não se sentir um tiquinho que seja mais motivado e criativo, te pago um sorvete com direito a chantilly! haha 😀

A 1ª selfie do ano

Estando fora das redes sociais, não tirei nenhuma foto minha do início do ano até o dia de hoje. Quase metade do mês sem milhares de selfies que não seriam postadas. Quase metade do mês sem me sentir horrível nas fotos repetidas vezes e reparar em detalhes da minha imagem que ninguém mais veria. Isso tudo está nos deixando doentes. Abalando nossa autoestima, nossa autoconfiança. Esse desespero com a imagem, desespero de estar presente em tudo, de participar. Uma angústia que só nos torna mais distantes e ansiosos.

Mais do que tudo isso, quase metade do mês sem nenhuma mini crise de ansiedade. Sem o coração disparando e sem falta de ar e sem pressa. Eu fiz mais, li mais, escrevi mais, experimentei mais. Me sinto mais bonita e mais ativa. Saio de casa sem maquiagem, olho no espelho e me acho linda. Me acho eu. Me sinto uma pessoa completa e presente nos momentos, sem a distração de um feed infinito colocando gradativa e sutilmente coisas na minha cabeça. Quando estava lá, achava que era imune. Hoje vejo que mesmo não estando tão profundamente viciada quanto a maioria das pessoas que conheço, em algum grau me afetava sim negativamente. Me sinto muito melhor agora.

Por outro lado, essa experiência – como tudo na vida – também tem seu lado ruim. As pessoas passam mais de 4 horas do dia perdidas em redes sociais, mas me acusam de ser “extrema”. Extrema por não participar de algo que não quero? Extrema por fazer o que quero da minha vida e não tentar obrigar ninguém a fazer o mesmo? Não faz sentido pra mim. Outro ponto super ruim é o fato de que pessoas próximas passaram a agir como se eu não existisse. E eu fiquei triste por perceber que muitos dos assuntos que essas pessoas puxavam comigo tinham a ver com as redes sociais. “Viu o que tal pessoa fez?”, “viu o que eu postei?”, “viu o que eu te marquei?”. Muitos assuntos começavam assim. Não sei se por isso ou por qual outra coisa, é como se eu tivesse deixado de existir. Me sinto as vezes ligeiramente isolada, mas por outro lado parece haver um mundo inteiro de possibilidades e pessoas na mesma sintonia pra conhecer. As pessoas realmente próximas permanecem próximas, sem decepções, e isso é o que importa.

Fico bastante impressionada com a diferença que isso tem feito na minha vida, e talvez por isso esteja dedicando um segundo texto pra falar sobre. Recomendo a todos a experiência, do fundo do coração. Não se deixe ser engolido pelo mar de ansiedade que a internet está se tornando. Não deixe eles lucrarem as custas da sua sanidade e do seu bem estar. Existe um mundo enorme e maravilhoso fora disso tudo.

Pra finalizar – especialmente pra quem insiste em querer me convencer de que o Facebook ajuda a criar conexões reais – deixo aqui algumas provocações:

  • Faça uma lista com três pessoas com as quais você tenha se conectado profundamente – mente, corpo e alma – somente por causa do facebook. Não vale gente que você admira de longe, não vale quem você curte e comenta os textos sem conversar profundamente sobre o assunto. Não vale a sensação da conexão. Só valem as conexões reais. Gente que você conhece a vida, a família pelo nome, os sonhos, ambições, vontades. Gente que você encontra e abraça e ama.
  • Quantas vezes você já saiu de casa mesmo sem muita vontade, porque se sentiu ansioso pensando no que ia perder, ou em como ia ser ruim ver as pessoas se divertindo no instagram e não estar lá?
  • Quantas vezes você postou foto em festas, eventos e lugares – mesmo que não estivesse realmente se divertindo – com legendas que davam a entender que aquilo estava sendo ótimo, do tipo “melhor noite da vida”?
  • Quantas pessoas você já stalkeou virtualmente? Isso te fez mais feliz ou mais ansioso?
  • Quando foi a última vez que você não se importou com a cara que ia sair na foto?

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Eu hoje, por exemplo, não me importei nem um pouco.

Por mais elogios sem “mas”

Tenho reparado um costume das pessoas, que na realidade não é contemporâneo, mas tem me parecido mais latente: a mania de fazer elogios com um “mas” no final. O “mas” por vezes vem implícito, mas ainda assim está lá. E é chato, sabem? Tem vezes que esse complemento ao elogio soa como uma porrada na boca do estômago.

Evito a muito tempo fazer isso. Quando elogio, o faço de coração e sem aproveitar o momento pra apontar algum defeito da pessoa, especialmente porque defeitos são – na maioria das vezes – questão de ponto de vista. Quando foi a última vez que você elogiou alguém sinceramente? Você já se percebeu usando um elogio pra mascarar uma crítica?

Um dos comentários mais comuns nesse sentido se direciona a nós gordas. Passei por isso apenas uma vez na minha vida: a pessoa vira e fala algo como “você tem um rosto lindo, mas…”. Esse “mas” é seguido de “precisa emagrecer”, “só precisava fechar a boca”, “ia ficar mais linda ainda se perdesse uns quilinhos”. Isso não é um elogio. Isso é pegar um padrão e massacrar alguém usando ele. Passei por isso – como em todas as situações de gordofobia – com uma mulher. Me reconheço como uma gorda dentro do padrão e sei que por isso não sofro preconceito: tenho a cintura fina, os seios pequenos e sou bem alta. Imagina quantas vezes na vida uma menina gorda fora desse padrão ouve isso?

Para além das questões de corpo, existem um tipo de “mas” que sempre me incomoda: o “mas” utilizado para reforçar um comportamento que a pessoa algum dia teve. Pouco importa se a pessoa mudou ou se esforça para mudar ou reconhecer o padrão que a levava a fazer aquilo. Pouco importa, na realidade, se o padrão de fato existiu ou foi fruto de outras questões. Quando esse porém vem, é sempre devastador. Pode ser a mãe que insiste em reforçar padrões que o filho teve ao longo de algum período da vida. Pode ser a amiga reforçando algo que batalhamos pra deixar de lado. Pode ser um(a) namorado(a), marido ou esposa que bate constantemente na mesma tecla. Costumeiramente, os poréns vem das pessoas mais próximas e são, por isso, ainda mais devastadores. O pior de tudo? Essas maldades podem até ter no fundo o desejo de nos ajudar, mas o efeito é justamente o oposto. Quando ouvimos fazer algo que acreditamos ter deixado de lado na vida, nos vemos de volta no loop que causava aquilo. É uma espécie de trigger (um gatilho), especialmente pra quem sofre com problemas como depressão e ansiedade. Em resumo, além de não ajudar ainda atrapalha.

Por isso peço a quem ler esse texto: tenha um pouco mais de empatia, mesmo que seu objetivo seja ajudar. Você pode estar fazendo alguém dar passos pra trás, mesmo com o esforço para andar pra frente. De verdade (e de preferência), não faça isso com ninguém, mesmo que você ache que a pessoa está em um estado mental bom. Não sabemos o que se passa na cabeça dos outros e, caso seja um padrão realmente prejudicial, o melhor a fazer é insistir para que a pessoa procure ajuda médica. Quer ajudar? Ajude a buscar ajuda.

Hoje é o penúltimo dia de Setembro, mas acho o tema pertinente ao Setembro Amarelo. Nós nunca sabemos até onde vai nossa influência e impacto na vida das pessoas. Não seja uma das razões. Vira e mexe no comentário mais inocente mora a reação mais perigosa. Vai elogiar? Elogie sem “mas”. A vida já é difícil o suficiente sem alguém apontando constantemente nossos erros.