Como ser um ser humano de sucesso (fora dos padrões normais)

Olá, pessoas bonitas!

Andei um tempo escrevendo no meu outro blog, mais voltado para literatura, e acabei parando o ritmo intenso de postagens por aqui..rs..Como a boa filha a casa torna, cá estou eu com algumas ideias e pensamentos que organizei recentemente, e que tem muito mais a ver com o cantinho de cá.

Muito se fala sobre sucesso hoje em dia. Dicas, livros, fórmulas. Um sucesso pronto e empacotado, em que nós todos supostamente devemos nos encaixar. Um sucesso que tem a ver com dinheiro, com carreira nos moldes normais, com essa ideia estranha de “ser adulto” que permeia a internet. Como eu vivi e vivo completamente fora desses padrões (e tenho certeza que quem gosta dos meus textos também vive ou gostaria de viver), trago hoje um apanhado de dicas sobre o assunto. Coisas que aprendi com o tempo e outras que gostaria de ter dado ouvidos mais cedo (sim, não estou reinventando a roda! Muito disso vem de ideias e pensamentos que me deram ao longo do tempo e hoje compartilho ^^). Lá vamos nós:

1 – Seja gentil

Esse é o conselho mais precioso da vida. Seja gentil e atencioso com todas as pessoas que passarem pelo seu caminho. Não sabemos o dia de amanhã, e aquela conversa aleatória na fila da padaria ou o comentário em uma publicação pode render amizades e até parcerias profissionais. Esteja presente (falo muito sobre presença, e acho que merece até um texto próprio!), ouça tudo, absorva o que te couber! Com gentileza e atenção chegamos muito mais longe. Diferente do que pregam, a vida não precisa ser uma competição: o pensamento e a ação coletivos rendem muito mais frutos!

2 – Abrace as oportunidades

Você já deve ter lido e ouvido incontáveis vezes a expressão “agarrar as oportunidades”. Não gosto dessa expressão! Além de trazer em si uma agressividade forte, me parece tudo muito corrido e voraz. Pra aproveitar a vida de verdade é preciso paciência e amor, então faça diferente: abrace as oportunidades. Com amor e carinho e dedicação. Dê o seu melhor pro projeto grande e pro pequeno. Coloque o mesmo ímpeto e a mesma vontade em tudo que se propuser a fazer. Converse com as pessoas, peça feedback, não deixe o medo te impedir! Coloque os bracinhos em volta da oportunidade, feche os olhos e deixe a vida fluir! haha 😀

3 – Vá sem julgamentos

Já vi muita gente dispensar projetos porque não tinha ninguém “”importante”” envolvido. Acho que todos nós conhecemos gente assim, que acredita que só vale a pena pro currículo e pra vida o que envolve determinados tipos de pessoa. Esqueça completamente esse conceito. Todo mundo traz consigo uma bagagem fantástica esperando para ser compartilhada. Se manter aberto e sem julgamentos pode te levar a lugares incríveis. Foi sendo assim que fiz os melhores passeios, estive nos melhores eventos e conheci as melhores pessoas.

4  – Respeite seu tempo

Esse é um conselho bem clichê, mas que eu demorei muito tempo pra entender e aceitar. Com as redes sociais e a internet, fomos nos acostumando a comparar nossa vida a dos outros. Cada um tem um caminho a trilhar e com ele todos os altos e baixos. Aquela pessoa que se formou novinha, por exemplo, pode ter tido oportunidades que você não teve, assim como a sua formação mais tarde pode te proporcionar uma experiência que ela nunca vai ter. Uma coisa não invalida a outra, e se você se mantiver aberto a troca, pode aprender muito quem tem um caminho diferente do seu. Sem julgamento, sem competição e – especialmente – sem a sensação de que você deveria estar nesse ou naquele lugar a essa altura da vida.

5 – E por falar em formação…

…vida acadêmica não é tudo, e muito menos é o único caminho para se alcançar o sucesso! Eu me dei muito muito bem em todas as faculdades que entrei, e sou lembrada pelos meus professores até hoje. Apesar disso, o sistema de ensino apenas não funciona pra mim. Não tenho formação superior, e não pretendo ter tão cedo.

O que fiz com isso? Li e escrevi e aprendi o que eu queria, da forma que eu queria. Não tenho diploma, mas tenho uma carga de conhecimento muito maior do que a de muitos estudantes de mestrado que eu conheço. O ambiente acadêmico pode ser muito limitador, especialmente pra quem é curioso e inquieto. Isso não significa que seja ruim, significa apenas que ele é bom pra quem o aceita como ele é e consegue funcionar dessa maneira.

Sou designer e trabalho em uma agência onde atendo clientes de diferentes portes. Lá também atuo como redatora e web designer. Falo inglês fluente, sou artesã, canto, componho músicas, toco ukulele, sou cabeleireira, fotografo, sou escritora e artista visual. Aprendi tudo isso sozinha. Li uma infinidade de livros. Vi uma infinidade de filmes. Conheci uma infinidade de pessoas e consigo manter conversas significativas em qualquer meio. Não escrevi esse parágrafo pra me vangloriar, só pra mostrar que uma vida rica e produtiva é possível fora dos muros da universidade!

6 – Seja a exceção

Toda vez que conto minha história, ouço coisas como “ah, mas é diferente”, “mas você é exceção” e relacionados. Nunca consegui entender muito bem quem se enxerga como regra, então fica aqui o conselho: seja a exceção. Pense como exceção. Crie a sua forma de viver, de ver o mundo e de produzir. Isso vale para todos os campos da vida! Não aceite menos do que você merece, e todos nós merecemos nos sentir plenos, amados e felizes.

Sei bem como de vez em quando bate a insegurança e a vontade de desistir, mas quando isso acontecer, mantenha o seguinte em mente: você é exemplo para alguém. Podem ser seus amigos ou pessoas aleatórias que te acompanham na internet. Pode ser aquela prima mais nova ou seus irmãos. Alguém está vendo o que você faz e tira forças disso pra continuar. Então seja a exceção! Seja a pessoa fora da casinha! Agindo assim você vai ter que aturar muito julgamento e talvez até pessoas próximas tentem de convencer de que você está errado. Se você acredita, vai fundo. A diferença muda o mundo, não a regra. Pode parecer exagero, mas te digo: todos nós podemos ser uma semente da mudança. Pra florescer, basta acreditar, ir regando tudo com amor e seguindo em frente. O vento vem, a chuva vem, tudo parece ir contra, mas no final a gente com certeza floresce! <3

Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de coração! Quem quiser me mandar mensagem ou bater um papo, me adiciona no face clicando aqui, ou comenta aí embaixo! Vem sem medo que a troca é certa! 😀

Namastreta

Resultado de imagem para 50 namaste 50 vai

Acho engraçado como hoje em dia existe toda uma cultura do ser zen e ficar de boa. Acredito que sejam de fato práticas maravilhosas, quando feitas da maneira correta. O que ninguém explica é qual é exatamente o limite entre ser “de boas” e estar na realidade engolindo sapos e se autodestruindo. Te soa exagerado falar em autodestruição? Pra mim, qualquer coisa que não funciona para nos elevar, funciona para nos sabotar. Vamos por partes.

Ser zen, meditar, falar de maneira tranquila e todas as coisas relacionadas sempre soam como coisa de gente elevada. Gente elevada não grita, não briga, não desce do salto. Gente elevada não coloca a mão na cintura com o dedo pro alto. Gente elevada medita, come orgânicos, anda e bicicleta e perdoa como quem compra banana na feira (isso faz sentido? hahahaha). Todas essas coisas estão bem distantes da realidade do cidadão comum. É difícil ser zen no ônibus sem ar condicionado. Comprando no Supermercado Mundial. Andando embaixo dessa lua. Com vários gatos, cachorros, tartarugas e humanos em casa. Daí o ser humano proletário começa a ler muito, tenta praticar, tenta se “””elevar””” copiando os caminhos. Já caí nisso a alguns anos atrás, mas agora volto vacinada pra dizer: é possível. Mesmo com todos os problemas e perrengues do dia a dia, com todas as provações.

O segredo, em essência, é não confundir ser zen com ser banana. Não confundir tranquilidade com passividade. Se te dói parecer tranquilo, você não está sendo tranquilo. O objetivo não é parecer, aliás, é ser. Pra você, por você, e não pras outras pessoas.

Com todas as coisas que penso, e juntando os conhecimentos que fui acumulando ao longo dos anos, percebi que minha vibe é muito mais a Namastreta. Calma, sim, mas passiva nunca. De boas, mas com limite.

No mais, acho muito chato gente que é zen demais. Sempre desconfio que tem alguma coisa errada com quem não se exalta – especialmente de felicidade. Acumular raiva, peso, tristeza é muito ruim (pra saúde, inclusive), e é importante aprender a deixar ir. Mas não ceda a pressão pra parecer tranquilo. Vira e mexe tudo que a vida precisa é de uma boa sacudida! 🙂

 

Referências: o ponto essencial para se ter mais criatividade

header - criatividade

Muito vejo falarem sobre criatividade, seja ligada a escrita, arte e design ou mesmo no mundo dos negócios. Ela é extremamente valorizada e ligada à inovação e capacidade de raciocinar rápido e resolver problemas. Entre uma porção de materiais sobre o assunto, encontramos muitos exercícios e soluções milagrosas para se desenvolver a tão falada criatividade. Na maioria dos casos, acho tudo uma baboseira sem tamanho, por um motivo muito simples: ser criativo não diz respeito a uma capacidade mágica sem ligação ao resto da vida, seja inata ou aprendida. Durante muito tempo acreditei que era um dom, mas quando comecei a enxergar por outra perspectiva, percebi que ela pode sim ser desenvolvida. Esse desenvolvimento, no entanto, nada tem a ver com exercícios e fórmulas. Ser criativo depende, prioritariamente, de uma única coisa: referências.

Quanto mais aprendemos sobre assuntos diversos, mais somos capazes de fazer ligações entre eles e desenvolver opiniões, pensamento crítico e criatividade. Ter um repertório vasto de referências é primordial pra ser criativo. Mais do que isso, é essencial! Acredito que exista sim o talento, a capacidade de se tornar um “buscador de referências” sem ser ensinado a tal, mas acredito também que é possível ensinar a ser curioso. Quando colocamos essa intenção nas nossas ações, o universo com certeza responde! (para os céticos de plantão, isso nada tem a ver com religião ou misticismo: quanto mais pesquisamos, mais nos sentimos motivados a continuar aprendendo. Energia positiva sempre! :D)

Sem mais delongas, segue aqui uma listinha que pode te ajudar a se tornar mais criativo, com um repertório vasto de referências e muita vontade de continuar aprendendo:

1 – Invista no que você gosta

Vamos partir do princípio de que “investir” não precisa envolver dinheiro, então nada de dar desculpas. O investimento mais importante que podemos fazer é o de tempo! Invista tempo no que você gosta. Ama ouvir música? Que tal pesquisar sobre suas bandas e artistas favoritos? Leia entrevistas, descubra artistas similares, entenda a motivação por trás de cada música, filme, série e livro que te interessa. Mesmo que você reserve só meia hora por dia pra fazer alguma atividade com atenção total, no final da semana você terá passado 3h30 aprendendo algo novo. Já parou pra pensar que existem palestras e workshops que duram menos? 🙂

2 – Valorize as pequenas vitórias

E por falar em dedicar só meia hora por dia (pra quem insiste em dizer que não tem tempo. Falaremos disso em outro post! haha), você anda valorizando suas vitórias diárias? Costumamos acreditar que ser criativo acontece de estalo, ou é algo que outras pessoas tem naturalmente, e por isso diminuímos o que alcançamos! Quando você coloca sua mente e seu corpo 100% na tarefa, por menor que ela seja, isso é uma vitória. Em alguns dias da vida, levantar da cama já é uma vitória, e devemos valorizar cada uma das nossas ações. Olhar o lado positivo e pensar na solução ao invés de focar no problema também é criatividade!

3 – Leia mais

Essa é uma dica simples, né? Mas na prática vai ficando complicada, especialmente pra quem não tem o hábito. Valem artigos na internet, livros, revistas, vale tudo! Deixe o celular de lado por algum tempo e foque na leitura. Faça anotações, guarde palavras e nomes pra pesquisar depois, anote as frases que você mais gostar. Além de nos tornar mais criativos, a leitura constante também nos ajuda a escrever melhor, aumentando nosso leque de palavras e expressões.

4 – Faça algo pela primeira vez

Essa frase não é cliché a toa! Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Quando pensamos isso, nos vem a mente coisas grandiosas como saltar de paraquedas, fazer grandes travessias ou viagens. Nessa hora bate o desânimo – nem sempre temos condições físicas e financeiras pra essas coisas grandiosas. Agora imagina o seguinte: você nunca cozinhou. Você ama estrogonofe. Se você pegar a receita e for aprender, isso é uma primeira vez! Existem primeiras-vezes de todos os graus e tipos. Muitas delas custam muito pouco ou são gratuitas, então dá pra conciliar e fazer diferente. Cada vez que você faz algo novo, sua mente se abre mais um pouco, e é como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original

5 – Não se leve tão a sério

Aprender algo novo – seja um idioma, habilidade, esporte, etc – demanda tempo e paciência. Um pouco de disciplina, sim, mas você não precisa desenvolver isso tudo da noite pro dia. Quando levamos tudo a sério demais, a tendência é desanimar rápido e perder a motivação. O que é melhor: andar três horas no primeiro dia e não aguentar andar direito por uma semana, ou andar 20 minutos no primeiro dia e se sentir bem pra andar mais 20 no dia seguinte e assim por diante? Todas essas coisas são construções, e construções demandam tempo. Não existe um marco do tipo “a partir desse dia sou uma pessoa criativa”, e por isso não existe forma de mensurar. Só quem sabe do seu progresso e da sua criatividade é você. Então ria, se divirta, leve as coisas de forma leve! Comece pequeno, foque nos primeiros passos e antes que você perceba um mundo novo e incrível se abriu a sua frente. <3

Espero que vocês tenham gostado da listinha e levem essas ideias pra vida! As pessoas sempre comentam que sou criativa e me perguntam o que eu fiz pra me tornar assim. Outras comentam coisas do tipo “ah, mas você é criativa”, como se eu tivesse nascido dessa forma. Nasci curiosa, sim, e assim me mantive, mas acredito de coração que somos todos capazes de aprender, de nos tornar curiosos e motivados! Se você acha que não, faça a experiência e venha me contar depois como foi. Se você não se sentir um tiquinho que seja mais motivado e criativo, te pago um sorvete com direito a chantilly! haha 😀

A 1ª selfie do ano

Estando fora das redes sociais, não tirei nenhuma foto minha do início do ano até o dia de hoje. Quase metade do mês sem milhares de selfies que não seriam postadas. Quase metade do mês sem me sentir horrível nas fotos repetidas vezes e reparar em detalhes da minha imagem que ninguém mais veria. Isso tudo está nos deixando doentes. Abalando nossa autoestima, nossa autoconfiança. Esse desespero com a imagem, desespero de estar presente em tudo, de participar. Uma angústia que só nos torna mais distantes e ansiosos.

Mais do que tudo isso, quase metade do mês sem nenhuma mini crise de ansiedade. Sem o coração disparando e sem falta de ar e sem pressa. Eu fiz mais, li mais, escrevi mais, experimentei mais. Me sinto mais bonita e mais ativa. Saio de casa sem maquiagem, olho no espelho e me acho linda. Me acho eu. Me sinto uma pessoa completa e presente nos momentos, sem a distração de um feed infinito colocando gradativa e sutilmente coisas na minha cabeça. Quando estava lá, achava que era imune. Hoje vejo que mesmo não estando tão profundamente viciada quanto a maioria das pessoas que conheço, em algum grau me afetava sim negativamente. Me sinto muito melhor agora.

Por outro lado, essa experiência – como tudo na vida – também tem seu lado ruim. As pessoas passam mais de 4 horas do dia perdidas em redes sociais, mas me acusam de ser “extrema”. Extrema por não participar de algo que não quero? Extrema por fazer o que quero da minha vida e não tentar obrigar ninguém a fazer o mesmo? Não faz sentido pra mim. Outro ponto super ruim é o fato de que pessoas próximas passaram a agir como se eu não existisse. E eu fiquei triste por perceber que muitos dos assuntos que essas pessoas puxavam comigo tinham a ver com as redes sociais. “Viu o que tal pessoa fez?”, “viu o que eu postei?”, “viu o que eu te marquei?”. Muitos assuntos começavam assim. Não sei se por isso ou por qual outra coisa, é como se eu tivesse deixado de existir. Me sinto as vezes ligeiramente isolada, mas por outro lado parece haver um mundo inteiro de possibilidades e pessoas na mesma sintonia pra conhecer. As pessoas realmente próximas permanecem próximas, sem decepções, e isso é o que importa.

Fico bastante impressionada com a diferença que isso tem feito na minha vida, e talvez por isso esteja dedicando um segundo texto pra falar sobre. Recomendo a todos a experiência, do fundo do coração. Não se deixe ser engolido pelo mar de ansiedade que a internet está se tornando. Não deixe eles lucrarem as custas da sua sanidade e do seu bem estar. Existe um mundo enorme e maravilhoso fora disso tudo.

Pra finalizar – especialmente pra quem insiste em querer me convencer de que o Facebook ajuda a criar conexões reais – deixo aqui algumas provocações:

  • Faça uma lista com três pessoas com as quais você tenha se conectado profundamente – mente, corpo e alma – somente por causa do facebook. Não vale gente que você admira de longe, não vale quem você curte e comenta os textos sem conversar profundamente sobre o assunto. Não vale a sensação da conexão. Só valem as conexões reais. Gente que você conhece a vida, a família pelo nome, os sonhos, ambições, vontades. Gente que você encontra e abraça e ama.
  • Quantas vezes você já saiu de casa mesmo sem muita vontade, porque se sentiu ansioso pensando no que ia perder, ou em como ia ser ruim ver as pessoas se divertindo no instagram e não estar lá?
  • Quantas vezes você postou foto em festas, eventos e lugares – mesmo que não estivesse realmente se divertindo – com legendas que davam a entender que aquilo estava sendo ótimo, do tipo “melhor noite da vida”?
  • Quantas pessoas você já stalkeou virtualmente? Isso te fez mais feliz ou mais ansioso?
  • Quando foi a última vez que você não se importou com a cara que ia sair na foto?

WhatsApp Image 2018-01-12 at 14.04.36

Eu hoje, por exemplo, não me importei nem um pouco.

Deixa pra lá

Em alguns dias você vai acordar se sentindo a pessoa mais maravilhosa da face da terra. Em outros, um lixo completo. Haverão dias cheios de alegria e acontecimentos. Alguns deles vão ficar guardados com carinho na memória, mas quando você parar pra relembrar a vida, vai perceber que os pequenos momentos são os mais marcantes. Uma conversa no quarto no meio da semana. A forma como o sol ilumina um determinado ponto da cidade e te faz lembrar da infância. A árvore do lado de fora da janela. De vez em quando você vai se sentir no fundo do poço. Talvez nem esteja, mas é importante respeitar a sensação. Nem tudo são flores na vida. Tentar evitar a tristeza e o desconforto jogando pro fundo da mente só faz eles se tornarem mais fortes.

Você vai esquecer alguns anos inteiros. Outros vão parecer sempre frescos no tecido da memória. Certos anos são pinturas, certos anos são rabiscos. Por vezes os rabiscos valem mais do que as imagens mais realistas. Você vai perder pessoas, e vai conhecer outras tantas pelo caminho. Nenhuma delas nunca vai preencher o espaço das que se foram. Você vai conhecer a morte e a vida. O princípio e o fim de todas as coisas. O cheiro do hálito de um recém nascido e o cheiro dos corpos em decomposição num cemitério. Com sorte, vai ver mais nascimentos do que mortes. Eu espero que chegue o dia em que você vai compreender que os dois tem a sua devida importância. Sem o que é ruim, não alcançamos a dimensão grandiosa do que é bom.

Existem pessoas que vem pra ficar. Outras vem pra ir embora. Uma sala vazia. O vazio de quem parte e a gente fica ali no canto tentando entender o que deu errado. Amigos, amores. Então em algum momento compramos um sofá. Um quadro, um tapete, uma luminária, uma mesa de centro. Antes que a gente perceba o ambiente já está redecorado e pronto pra receber outra pessoa. Certas pessoas vão deixar a cadeira vazia e ninguém nunca mais vai sentar ali. A presença permanece, mesmo quando não física. O vento de uma determinada forma, uma expressão, um papel com a letra escrita. Recortes e lembranças na colcha de retalhos que é a vida. Mas sempre tem espaço, sempre. Sempre cabe mais um na casa e no coração. Não feche a porta, ainda. Você não sabe quem vem virando a esquina.

Certos momentos parecem tão errados que é difícil seguir em frente. Aí a gente um dia olha pra trás e vê que nada foi tão ruim assim. Algumas coisas são, mas não são a maioria. Cabe a cada um encaixar as peças e continuar vivendo. Hoje vim pra casa pensando em deixar de existir. Uma tristeza muito grande veio junto com o tempo nublado. Não sei bem porque. Não busquei explicação. Deixei ela vir e passar. Chorei e senti e então me peguei ouvindo um monte de músicas que me fazem feliz. Conversei com Diogo, conversei com João. Jantei na copa de casa com a família na mesa. E de repente eu estava feliz de novo. A melancolia inerente ao tempo chuvoso permanece, mas é branda, quase uma lembrança. Eu provavelmente não vou lembrar do dia de hoje daqui a um ano. Mas como é bom me sentir presente nele agora, cercada por todo o amor que tenho e mereço.

E toda vez que bater isso tudo, volto pra ouvir de novo essa canção, e pra reaprender quantas vezes for preciso que o segredo de tudo é deixar pra lá:

 

Contextualização: para ler e ouvir melhor

Ler, escrever e ouvir música são minhas coisas favoritas na vida. Mesmo antes de aprender a escrever já pegava a caneta e rabiscava “palavras” no papel, ou batia teclas aleatórias da máquina de escrever. Assim que aprendi a ler me tornei uma leitora ávida: livros, bulas de remédios, letreiros, queria saber o que significavam todas as palavras ao redor. A música também faz parte da minha vida desde a infância. Minha mãe fazia tudo ouvindo música, e na casa do meu pai o violão era presença garantida nas festas, reuniões e madrugadas insones. Sempre me atentei muito às letras, mais até do que às melodias. O que queriam dizer os artistas? Qual era o sentido de tudo? Com o advento da internet, ler e ouvir música se tornaram pra mim exercícios mais completos: eu podia agora pesquisar mais sobre a vida dos cantores, bandas e autores que gostava.

Com tudo isso, e por vezes sem perceber, desenvolvi um costume maravilhoso: o da contextualização. Colocar as coisas em seu devido contexto é importantíssimo para compreender seu significado. Como nem todo mundo desenvolve isso, resolvi fazer uma lista breve, quase um guia da contextualização. Além de ajudar a ouvir e ler melhor, ajuda também na vida escolar e acadêmica. Acredito que analisar qualquer coisa fora de contexto – por melhor que seja a intenção – é sempre muito raso. Infelizmente isso tem acontecido bastante, e é uma das coisas que mais me incomoda na produção acadêmica contemporânea. Se é pra ter opinião, que seja completa! “gostei” e “não gostei” não devem fazer parte da vida de quem se propõe a escrever e pesquisar. O melhor desse exercício é que quanto mais você faz, mais tem vontade de descobrir e aprender. Como o objetivo é instigar a curiosidade e a pesquisa, seguem algumas perguntas cruciais:

1 – Em que época vivia o autor?

Essa pergunta muito simples leva a outras tão importantes quanto: o que acontecia no mundo neste período? Qual era o panorama político e social? Quais eram as modas da época? Quais são os artistas contemporâneos a ele? Em que classe social ele estava inserido? Tendo a resposta para estas perguntas, fica mais fácil pensar nas próximas e ter noção de quais assuntos relacionados à música e literatura nos interessam.

2 – Em que lugar ele vivia?

Nossa forma de ver o mundo e os acontecimentos está intimamente ligada com o lugar em que vivemos. Onde o autor passou a infância? Em que cidades viveu? Ele passou a vida no mesmo lugar? Como era este lugar? O clima, a língua, a estrutura, tudo isso influencia nossa escrita. Sem precisar ir longe, a escrita de um autor nordestino é completamente diferente de um que cresceu no sudeste. Quer um exemplo? Compare o trabalho de Caetano com o de Chico (comparar o trabalho de pessoas de diferentes regiões de um mesmo país, aliás, é outro exercício excelente!)

3 – Quantos anos ele tinha quando escreveu o livro/música em questão?

Cada fase da vida nos inspira de forma diferente. O que na adolescência parece um problema muito grave, aos 30 já não faz nenhum sentido. Da mesma forma, o que aos 30 parece o fim do mundo, nada significa aos 50 e por aí vai. Saber a idade do autor e tentar compreender suas motivações e visões de mundo pode levar a várias reflexões interessantes.

4 – Qual era o estado mental do autor quando escreveu a obra?

Além da idade, é importante pensar e pesquisar o aconteceu na vida do autor antes, durante e depois da música/livro existirem. Ele vivia sozinho? Quem eram seus amigos? O que ele fazia no dia a dia? Trabalhava com alguma outra coisa, ou se dedicava somente a escrita? Entender o background da pessoa nos ajuda a compreender seu estado mental, e as motivações por trás das letras, personagens e histórias.

5 – Quais eram as influências do autor?

O que ele ouvia e lia? Quem eram seus ídolos? O que lemos e ouvimos constrói nossa base intelectual, e essa base é impressa no nosso trabalho. Saber quem eram as influências do autor em questão nos leva não somente a compreender melhor o trabalho, mas também a buscar estas referências e aumentar nossa própria base. O mais incrível – além de ir descobrindo mais e mais coisas – é ir percebendo as influências em comum entre diferentes artistas que nos inspiram. Tentar descobrir a essência de um gosto, de onde ele vem, quem fez primeiro, isso tudo só nos enriquece! Mais do que isso, torna tudo menos superficial: o conhecimento, no geral, nos torna cada vez mais imunes a superficialidade.

 

Uma semana sem redes sociais

No início da segunda-feira resolvi dar tchau ao Facebook e ao Instagram. Não era um adeus, porque não gosto de medidas extremas, mas a sensação era quase essa. Além da leveza sentida logo após postar meu texto de despedida, minha semana pareceu durar o dobro do tempo. Eu trabalhei, li, pesquisei, estudei, assisti vídeos (o TED do post anterior foi o ponto alto do meu dia ♥) e me senti até um pouco perdida. No dia seguinte mesmo já pude notar algumas diferenças. Achei que seria ruim, que teria os sintomas comuns da abstinência e que me daria uma vontade enorme de voltar. Não sinto nada disso. Na realidade, isso foi a melhor coisa que eu poderia ter feito pelo meu início de ano

Mais do que o tempo gasto em tarefas inúteis – postar fotos de atividades cotidianas e descer o feed indefinidamente, por exemplo – as redes sociais nos tornam mais burros e mais tristes. Não sou eu que digo, diversas pesquisas começam a comprovar os malefícios do vício em internet e relacionados (eu queria citar tudo que li, mas joguem no google. Pesquisar aguça nossos sensos e nos torna mais espertos), e mesmo que o impacto disso na sociedade só possa ser medido a longo prazo, já dá pra ter noção agora. Basta abrir os olhos e observar com calma. Tenho percebido nestes cinco dias (e em outras vezes em que dei um tempo das redes sociais) que somente percebemos isso tudo olhando de fora. Esse texto possivelmente ficará enorme, mas tenho algumas considerações e questionamentos que gostaria de compartilhar. Como tudo que é bom vem em listas (mais um derivado do vício em redes sociais e sites rasos como Buzzfeed, talvez rs), lá vai mais uma:

Porque as atitudes alheias incomodam tanto as pessoas?

Viciados em redes sociais – em resumo, a maior parte dos usuários delas – não são muito diferentes de viciados em drogas ou álcool. Basta você cogitar sair ou sair que eles tentam te puxar de volta. Isso na realidade diz respeito a basicamente qualquer mudança de vida que se pretenda fazer. Já vi mais de uma vez pessoas resolverem começar uma dieta diferente, por exemplo, e os “amigos” terem reações por vezes até violentas. Seja buscando emagrecimento, saúde ou por questões éticas (evitar o consumo de carne, vegetais que não sejam orgânicos, etc), a reação das pessoas ao redor é sempre explosiva. Ninguém tem a mesma reação quando um amigo ou conhecido se alimenta prioritariamente de fast food.

Esse mesmo princípio – de que mudanças incomodam os outros – vale tanto pras redes sociais, como para atitudes como parar de beber ou fumar. Me dei conta recentemente de que as pessoas não processam essas reações. Elas não tem argumentos, no geral, e a reação é instantânea, violenta e infundada (especialmente se pensarmos que elas não tem nada a ver com isso). Uma explicação possível é a de que a massa se comporta de uma determinada forma, e qualquer coisa que quebre esses ciclos precisa ser expurgada (existem diversas pesquisas nesse sentido, ta aí mais uma oportunidade de pesquisa rs). É muito difícil hoje em dia encontrar círculos que apoiem as decisões, e essas pessoas costumeiramente são encontradas fora do círculo social de quem decide (como em grupos de apoio, igrejas, fóruns de alimentação e estilo de vida e por aí vai). Muitos destes itens nos levam, infelizmente, ao segundo item da lista.

A dependência na internet leva ao extremismo

É muito comum ver determinados grupos criticando igrejas e relacionados por pregarem visões extremas e “mente fechada” sobre determinados assuntos. Apesar de concordar com isso em muitos casos, a maioria das pessoas não se dá conta de que elas mesmas são extremistas. A internet facilitou – e muito – a vida dessas pessoas. Por exemplo: se alguém tinha visões preconceituosas específicas antes dela, provavelmente ia passar a vida sem conversar sobre com alguém ou, na melhor (ou pior) das hipóteses, encontrar um grupo local, costumeiramente pequeno. Com a internet, esses grupos são enormes, pois não dependem de localidade. Foi assim que nos últimos anos coisas aparentemente extintas como o fascismo, nazismo e similares voltaram a vida. Ela facilita mesmo pra encontrar pessoas com visões similares que morem próximas e que de outra forma não se conheceriam (não é como se – espera-se – alguém fosse colocar um cartaz de reunião nazista nos muros do bairro).

Com tudo, juntando religião, conservadorismo e movimentos sociais, o potencial da internet foi usado pra transformar o mundo num lugar ainda mais caótico e cheio de preconceito. Todo mundo pensa da mesma forma, não importa qual for o assunto. Sendo assim, todo mundo está certo. Se todo mundo está certo, alguma coisa está errada. Um subproduto desse sistema é a lógica burra que permeia diversos meios. Um exemplo que vi recentemente foi uma faixa escrito “miscigenação também é genocídio”. Grupo nazista? Nem de longe: manifestação do movimento negro. A primeira vista a lógica parece correta e – pra mentes acostumadas com o flood de coisas da internet e desacostumada a raciocinar por mais de cinco minutos sobre alguma coisa – a mão de compartilhar é mais rápida do que a capacidade de processamento do cérebro. Nisso, assuntos realmente importantes a diversas causas vão passando batidos, enquanto a disseminação do ódio é feita por todos os lados.

Isso me faz pensar em uma história que me aconteceu recentemente:

Nas redes sociais, você precisa fazer parte de algum grupo

Na vida real, nem tanto. Antes das redes sociais, a sexualidade de cada um dizia respeito somente a cada um, quando muito as pessoas com as quais cada um se relacionava. Com o advento das redes sociais com seus grupos, fóruns e páginas, a coisa toda tomou um outro espectro: você precisa fazer parte de alguma coisa e se reafirmar como tal. Sou uma pessoa muito suscetível a essas questões. Se alguém me repetir três vezes alguma coisa já me sinto convencida, e com isso vou me afundando em questionamentos, até me perder nos pensamentos. Demoro mais do que o tempo considerado normal hoje em dia para processar informações e opiniões. Longe de mim ser maria vai com as outras ou não ter opinião: eu só não fui construída pra processar as coisas de maneira leviana.

Sempre me considerei bissexual, desde a adolescência. No meu tempo não existiam as infinitas denominações que existem hoje em dia. Ninguém se dizia “cis não-binário” ou qualquer coisa com tantas sílabas e significados (ainda me esforço pra entender o que significa tudo). De uns tempos pra cá, comecei a conviver mais com mulheres lésbicas, participar de grupos, fóruns, festas, rodas de conversa. Não sei se vocês já passaram por isso, mas eu comecei a me sentir sobrecarregada de informações e pressionada a ter uma posição. Eu nunca expus minha sexualidade pra ninguém, sempre fui muito na minha. Nunca senti a necessidade de me reafirmar como alguma coisa, ou de participar de alguma coisa, porque acho que grupos cuja única motivação seja algo que não é uma real motivação nem deveriam existir (música é uma motivação. Cinema é uma motivação. Se reunir com pessoas que não tem nada a ver com você pura e simplesmente porque compartilham cor, gênero ou sexualidade? Nunca achei uma motivação válida).

Com tudo – textos, pessoas, opiniões, questionamentos – lá estava eu me sentindo mal, e culpando diversas coisas da minha vida em questões relacionadas a isso. Eu fiquei completamente cega. Meu relacionamento ia bem, minha vida ia bem, mas eu queria fazer parte. Eu queria fazer parte dos grupos e das páginas e dos círculos. Soa estranho, mas pare pra pensar: quantas coisas você fez ou deixou de fazer nos últimos anos pensando nos reflexos nas suas redes sociais? Soa superficial, também, mas pare pra pensar de novo: quantas coisas superficiais você posta por dia na internet? Exatamente. Todos estamos suscetíveis. Sair de tudo e me afastar das pessoas me fez questionar novamente coisas das quais eu achava ter certeza a duas semanas atrás. Porque sem a presença constante das redes sociais e da sensação de julgamento e observação alheios, eu fui me desintoxicando e perdendo essa necessidade.

Me sinto agora como me senti o resto da vida, antes das incursões no meio lésbico no ano passado e em um curto período do retrasado (em que cheguei a mesma conclusão, mas fui novamente engolida pela superficialidade das interações na internet): fluida, livre e não presa a convenções. Não sou hétero e não sou lésbica e não sou bissexual, sou a Dandara, uma pessoa que ama e se apaixona por pessoas. Que se sente atraída pelas pessoas pelo que elas tem a oferecer como seres humanos, e não por órgãos sexuais. Acho que isso vale inclusive um texto a parte.

O tempo é infinito sem as redes sociais

Eu vejo uma quantidade enorme de pessoas falando sobre o quanto não tem tempo, e acho que elas não se dão conta de quanto tempo é gasto diariamente postando, checando notificações e descendo o feed infinitamente. É realmente um vício, e como qualquer outro, é difícil admitir. Desde que me desloguei de tudo, meus dias parecem durar muito mais. Tenho visto um filme por dia. No trabalho, faço bem mais, com muito mais facilidade. Meus níveis de concentração vão gradativamente voltando ao que eram antes. Teve um dia essa semana em que eu nem sabia o que fazer com tanto tempo livre. Li metade de um livro nesse dia.

Dificilmente alguém é tão ocupado quanto diz ser. Somos levados a nos sentir ocupados, tudo nas redes sociais é arquitetado pra que a gente permaneça por lá descendo os feed infinitamente. Eles precisam da nossa permanência, porque geramos dinheiro. Nada ali é feito para de fato conectar as pessoas, porque eles não poderiam se importar menos. A falsa sensação de conexão, e a sensação de que perderemos contato caso não estejamos lá nos faz continuar. É libertador se livrar disso, garanto. Temos tempo pra todas as coisas. O tempo, aliás, não passa mais rápido do que passava antigamente, é tudo questão de percepção. Não estamos mais ocupados, estamos somente viciados e presos a isso.

Aquele tempo no ônibus descendo o feed? Dá pra ler, dormir, ouvir música, fechar os olhos e não fazer nada. O tempo gasto tirando mil selfies pra postar uma no instagram? Dá pra de fato aprender a fotografar. São tantas as possibilidades que nem caberia aqui escrever.

Conclusão

Sair das redes sociais foi a melhor coisa que fiz no meu ano – mesmo que ele esteja ainda no quinto dia de sua existência rs. Me sinto mais feliz, mais disposta, mais conectada comigo mesma. Desconfio, inclusive, que grande parte do período que passei em depressão tenha a ver com o vício em internet. A ansiedade também diminuiu, e me sinto agora muito menos aflita, com uma visão muito mais clara sobre a vida e o que preciso fazer. Recomendo fortemente que todos façam a mesma experiência. Pra quem ainda não se convenceu de que o vício em internet é tão forte quanto o vício em qualquer outra droga, dê uma pesquisada. Use a internet para algo realmente útil! Pare pra pensar de coração aberto e se dê conta de que ela pode estar consumindo os melhores anos da sua vida.

No mais – e pelo que me lembro com carinho – o mundo era muito melhor antes do facebook e do instagram. Espero que um dia todo mundo se dê conta. Espero também que não seja tarde demais.

Ser radical me deixou doente

Sabe quando o tempo passa e conseguimos enxergar os padrões de fora? Me sinto exatamente assim agora. Pode ser a proximidade com o meu aniversário (faltam dois dias só rs) ou com o final do ano, mas parei recentemente pra analisar minha vida e minhas escolhas em 2016/2017, e cheguei a uma conclusão: ser radical me deixou doente.

Pra quem não sabe – já falei diversas vezes, mas vai que – entrei num processo depressivo pesado do meio pro final do ano passado. No início desse ano a vontade de desistir de tudo era grande, mas graças a Deus encontrei pessoas e oportunidades incríveis que me ajudaram a dar a volta por cima. Como tudo na vida é processo não vou dizer que estou 100% todos os dias, mas hoje entendo que às vezes o 50% é uma grande vitória. Deixando essas questões de lado, vamos ao assunto do post.

O que é ser radical, afinal?

É possível ser radical de diversas formas, em diversas questões diferentes. Meu radicalismo, por exemplo, dizia respeito as questões que trato aqui: consumo, capitalismo, cadeia produtiva e relacionados. Primeiro foram diversos experimentos com alternativas pros cosméticos. Aliado a isso, um desespero muito grande de saber a origem de tudo que eu consumia. Pra muita gente, isso leva a uma vida com mais propósito e significado. Pra mim, em algum ponto, se tornou uma obsessão. Essa obsessão dava as caras das mais diversas maneiras: culpa por consumir alguma coisa que eu não soubesse a origem precisa, culpa por comprar qualquer coisa, mesmo que necessária, culpa por usar maquiagem. Era um esforço honesto que se transformou num caos. Eu fui afundando e afundando e afundando. Me vicio fácil em absolutamente qualquer coisa. Tenho uma facilidade enorme e triste para os vícios. Quando adolescente isso me levou a bulimia. Já fui viciada em jogos, em atitudes, tudo se torna obsessivo e eu perco a hora de parar. Com essas coisas não foi diferente.

Conto isso pra alertar você. Você mesmo, que acabou de assistir um documentário que mostra como as roupas das grandes redes são produzidas, ou sobre os animais, ou sobre o capitalismo. Você que ficou chocado e enojado e desesperado. Porque eu fiquei. Eu permaneço.

E como ser consciente sem cair na obsessão?

Como em tudo na vida, é preciso equilíbrio. Na forma de pensar, na forma de consumir. Eu fui ao extremo e me fez tão mal quanto estar na outra ponta – da pessoa que comprava sem pensar, usava sem pensar, descartava sem pensar. Se você não consegue lidar com o cabelo cheirando a cabelo e ama um shampoo cheirosinho, encontre algo que seja eco friendly e caiba no seu orçamento, por exemplo. Não se martirize tentando viver a base de vinagre e bicarbonato. Isso vale pra todos os cosméticos, na verdade.

Se você gosta de se vestir bem, além dos brechós existem lojas que produzem de maneira consciente sem custar um absurdo. Vale a pena pesquisar! Eu não deixei de me importar com nada que aprendi, eu só deixei o radicalismo de lado. No final do dia, não importa quanta coisa você deixou de fazer, se isso está te deixando miserável. Não vale muito mais a pena encontrar o meio termo? Pode parecer difícil, mas ele existe.

No mais, eu não quero ser uma dessas pessoas que produzem um quilo de lixo por ano. Não quero ser a pessoa que só usa cosmético natural feito em casa, nem a pessoa que não consome alimentos industrializados. Em algum ponto eu gostaria de ser essa pessoa. Eu admiro quem tem a fibra pra fazer isso, mas a minha saúde mental apenas não me permite.

E como foi bom me perdoar. Como está sendo bom tentar encontrar esse equilíbrio. Como é maravilhoso conseguir separar o que eu fazia pela influência da mídia e do meio das coisas que eu realmente gosto! No mais, espero encontrar cada vez mais o balanço perfeito pra minha vida. Porque ela é minha, no final, e só eu sei o que é melhor pra mim.

Espero honestamente que você tenha esbarrado com esse texto no início da jornada rumo a uma vida mais saudável e consciente! Espero que ele ajude a manter o pé no chão e traçar metas concretas e organizadas. Espero que você encontre o equilíbrio mais cedo, e viva uma vida repleta de realizações e amor ao próximo! Os tombos fazem parte, mas saber que existe ajuda torna tudo um pouco mais fácil. Acredite: existe ajuda! Qualquer coisa que precisar, estou aqui pra ajudar. <3

Por mais elogios sem “mas”

Tenho reparado um costume das pessoas, que na realidade não é contemporâneo, mas tem me parecido mais latente: a mania de fazer elogios com um “mas” no final. O “mas” por vezes vem implícito, mas ainda assim está lá. E é chato, sabem? Tem vezes que esse complemento ao elogio soa como uma porrada na boca do estômago.

Evito a muito tempo fazer isso. Quando elogio, o faço de coração e sem aproveitar o momento pra apontar algum defeito da pessoa, especialmente porque defeitos são – na maioria das vezes – questão de ponto de vista. Quando foi a última vez que você elogiou alguém sinceramente? Você já se percebeu usando um elogio pra mascarar uma crítica?

Um dos comentários mais comuns nesse sentido se direciona a nós gordas. Passei por isso apenas uma vez na minha vida: a pessoa vira e fala algo como “você tem um rosto lindo, mas…”. Esse “mas” é seguido de “precisa emagrecer”, “só precisava fechar a boca”, “ia ficar mais linda ainda se perdesse uns quilinhos”. Isso não é um elogio. Isso é pegar um padrão e massacrar alguém usando ele. Passei por isso – como em todas as situações de gordofobia – com uma mulher. Me reconheço como uma gorda dentro do padrão e sei que por isso não sofro preconceito: tenho a cintura fina, os seios pequenos e sou bem alta. Imagina quantas vezes na vida uma menina gorda fora desse padrão ouve isso?

Para além das questões de corpo, existem um tipo de “mas” que sempre me incomoda: o “mas” utilizado para reforçar um comportamento que a pessoa algum dia teve. Pouco importa se a pessoa mudou ou se esforça para mudar ou reconhecer o padrão que a levava a fazer aquilo. Pouco importa, na realidade, se o padrão de fato existiu ou foi fruto de outras questões. Quando esse porém vem, é sempre devastador. Pode ser a mãe que insiste em reforçar padrões que o filho teve ao longo de algum período da vida. Pode ser a amiga reforçando algo que batalhamos pra deixar de lado. Pode ser um(a) namorado(a), marido ou esposa que bate constantemente na mesma tecla. Costumeiramente, os poréns vem das pessoas mais próximas e são, por isso, ainda mais devastadores. O pior de tudo? Essas maldades podem até ter no fundo o desejo de nos ajudar, mas o efeito é justamente o oposto. Quando ouvimos fazer algo que acreditamos ter deixado de lado na vida, nos vemos de volta no loop que causava aquilo. É uma espécie de trigger (um gatilho), especialmente pra quem sofre com problemas como depressão e ansiedade. Em resumo, além de não ajudar ainda atrapalha.

Por isso peço a quem ler esse texto: tenha um pouco mais de empatia, mesmo que seu objetivo seja ajudar. Você pode estar fazendo alguém dar passos pra trás, mesmo com o esforço para andar pra frente. De verdade (e de preferência), não faça isso com ninguém, mesmo que você ache que a pessoa está em um estado mental bom. Não sabemos o que se passa na cabeça dos outros e, caso seja um padrão realmente prejudicial, o melhor a fazer é insistir para que a pessoa procure ajuda médica. Quer ajudar? Ajude a buscar ajuda.

Hoje é o penúltimo dia de Setembro, mas acho o tema pertinente ao Setembro Amarelo. Nós nunca sabemos até onde vai nossa influência e impacto na vida das pessoas. Não seja uma das razões. Vira e mexe no comentário mais inocente mora a reação mais perigosa. Vai elogiar? Elogie sem “mas”. A vida já é difícil o suficiente sem alguém apontando constantemente nossos erros.

Minimalismo? Não, obrigada.

Longe de mim querer dar pitaco na vida alheia. Detesto quando dão pitaco na minha vida. É apenas uma questão de opinião! Vou expor os meus porquês e se após o texto o que chamam minimalismo ainda te apetecer, vai fundo. Cada um sabe como funciona melhor e o que considera melhor pra si. Vamos lá (em lista, porque né, lista é vida):

1 – O “”minimalismo”” é super classe média…

…e eu detesto a classe média! Aqui o média vai bem no sentido de medíocre mesmo. Economicamente, seria a média-alta e a alta. O minimalismo é um movimento que vem dessas classes. O que chamam minimalismo agora diz mais respeito a gastar do que a de fato reduzir. Comprar uma camiseta de R$ 400,00 porque ela é orgânica e produzida de “””maneira sustentável””” não tem nada de minimalista. Nem um sofá de R$ 4.000,00. E por aí vai, você entendeu o ponto. A sustentabilidade – o ativismo em geral – vendem, e as marcas perceberam isso. No início desse mês a C&A lançou uma camiseta sustentável, com direito a todos os blablabla sobre a cadeia de produção e reciclagem, com campanha bonita e vários jovens esguios sorrindo e sendo felizes. A mesma rede que compra roupas da China e da Índia, onde a produção não respeita nada e nem ninguém. Pesado, né? Se a gente pegar em pequena escala, mesmo as marcas com carinha de minimal e artesanal fazem o mesmo. Pode não ser da China ou da Índia, mas exploram alguém da mesma forma. E vendem camisetas de algodão do Peru pras patricinhas entrarem na onda do minimalismo e se sentirem muito desapegadas. Não, obrigada.

2 – O Minimalismo não respeita o passado, e eu aaamooo história

Li uma matéria outro dia num site famoso sobre minimalismo, falando sobre como a geração de agora não sabe lidar com o “”lixo”” que está ganhando dos pais e avós. O que eles chamam lixo diz respeito a louças, coisas de família, móveis, livros e coisas do tipo. Porque eles são minimalistas, eles não acumulam, isso é lixo. Eu chamo isso de tesouro. Venho de uma família pobre, e dou valor a cada coisa que foi deixada pra mim: o abajur que era da minha avó e me traz lembranças da infância, os panos e toalhas que ela bordou, os discos e livros que estão na família a duas ou três gerações.

O argumento dele é que as coisas tem que ficar na memória e não precisam de representação física. Imagina como vai ser o mundo daqui a 100 anos se essa moda pega: completamente sem identidade. Se dependermos somente de meios virtuais para guardar imagens do que existiu e existe, corremos o risco de perder isso. Existe um limite pro compartilhamento do conhecimento oral. Eu posso te explicar o que é uma coisa, mas você nunca vai saber como essa coisa realmente é até ver na sua frente.

Pegando numa escala um pouco maior, se considerarmos tudo que é antigo como lixo, quem somos nós e pra onde vamos? Isso me leva ao próximo item.

3 – O minimalismo não consegue diferenciar acúmulo de preservação

Se eu guardo mil papéis de bala, uma montanha de caixas de leite vazias, pilhas e mais pilhas de jornais, estou acumulando. Sou, inclusive, forte candidata a programas do tipo Acumuladores. É triste, inclusive, que tanta gente passe por isso e desenvolva esses problemas. Mas não tem como relacionar isso com quem coleciona livros, discos, porcelanas. Ao menos não a princípio (porque qualquer coisa pode se tornar um vício – o minimalismo inclusive. risos kkk rs). Se eu coleciono coisas com o intuito de preservar para a próxima geração, ou porque me agrada a estética e tenho espaço, não consigo ver problema nisso.

Mas essa gente estimula todo mundo a jogar tudo que for “”inútil”” no lixo. Alguns sites não falam nem de doação, falam lixo mesmo. Se desfaça de tudo e tenha um grande (ou pequeno) espaço vazio na sua vida. Para contemplar como é maravilhoso não acumular. E? Isso torna o mundo melhor exatamente como, se são coisas que já estão no mundo? Eu acredito em valor sentimental. Eu acredito em preservação. Eu acredito que faço um puta trabalho pro futuro quando salvo uma vitrola ou um livro antigo da deterioração total. Não consigo achar bonito ou engraçado que alguém não saiba o que é alguma dessas coisas. Não acho que seja um sinal bom dos tempos ou da tecnologia. A ignorância, no final, só nos leva a cometer os mesmos erros.

4 – O minimalismo não respeita as diferenças

Cada grupo, etnia, população tem suas peculiaridades. Dos turbantes aos colares, dos vestidos às botinas. O que se conhece por minimalismo é norte americano e – como quase tudo que é norte americano esses dias – é imperialista e só contribui pro desmonte dessas peculiaridades. Se uma menina do Peru, uma de Angola e uma do Brasil, por exemplo, revolvem seguir essa tendência a risca, em pouco tempo elas vão abrir mão de uma porrada de coisas que dizem respeito a suas culturas, e em menos tempo ainda vão parecer todas uma versão da mesma pessoa. Sabem? O minimalismo contribui pra pasteurização do mundo, pra essa globalização burra que coloca algo como certo e o resto todo como errado. Eu não consigo enxergar isso como bom a longo prazo.

A internet já faz um desserviço enorme no que diz respeito a indumentária. Se antes dela o que se entendia como tendência era adaptado a cultura de cada lugar, depois dela tudo vai ficando igual. Os mesmos ícones inspiram pessoas de diferentes partes do mundo, e a cada dia as lojas todas vendem as mesmas roupas, nas mesmas numerações, com a mesma modelagem, independentemente do tipo de corpo predominante em cada local. Em larga escala, essa é só mais uma tendência que contribui para que pessoas como eu – plus size, alta, quadril largo, cintura fina – não consigam encontrar roupas que lhes agradem (ou sequer funcionem, haja visto que toda calça fica quase no meio da minha batata da perna haha). O minimalismo é excludente. Tem quem argumente o contrário, dizendo que não diz respeito a moda, mas sempre diz. Ingênuo quem pensa que não.

5 – Em resumo, eu acho bem ridículo rs

Eu acho. Mesmo. Essa ideia do não acúmulo a qualquer custo, essa ideia atrelada ao “largar tudo pra viajar o mundo”, ao “””empreendedorismo”””, ao ativismo vazio. Eu acho bem ridículo. Acho que não contribui para um mundo melhor, e é apenas parte de uma grande cadeia de coisas que não contribuem. Mas eu entendo. É mais fácil comprar a camiseta sustentável ou o móvel de madeira do site hipster e achar que é muito minimalista e descolado. É mais fácil se achar a ativista porque é contra testes em animais, mas continuar comprando cosméticos produzidos por pessoas mal remuneradas. É mais fácil se preocupar com tudo que é superficial disfarçado de profundo, do que de fato abrir mão disso tudo.

Eu poderia aderir ao minimalismo, se ele fosse um pouco mais focado nas pessoas e no que acontece com elas. Se ele fosse mais sobre preservar e menos sobre não acumular cegamente. Se ele fosse feito e difundido por e entre quem tem menos, e não nas camadas mais altas. Se ser minimalista for viver com menos aproveitando ao máximo, eu até sou. Mas prefiro achar um outro nome pra isso. Eu sou devagarista. Eu sou suburbanista. Sou bonitezarista. Mas minimalista? Não, obrigada.