Dicas de costura para mentes inquietas

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A costura faz parte da minha vida desde a infância. Minha vó fazia qualquer coisa com o pé nas costas, numa rapidez que me impressiona até hoje, especialmente pelo nível de qualidade do acabamento. Quem pensa que o dom é herdado, se engana. Quem pensa que é um dom, aliás: a costura – assim como qualquer ofício – pode ser aprendida com tempo, paciência e disciplina!

Como eu era uma adolescente sem nenhum dos três, aprendi bem menos do que poderia com dona Cleyd. Eu queria as coisas prontas rápido. Queria fazer bainha sem marcar, dobrar prega sem medir e por aí vai. Sempre me estressava e queria rasgar tudo. Mais de uma vez enfiei a tesoura em algo que estava fazendo (minha vó nunca me deixaria usar um corte de tecido de verdade, eram sempre retalhos. Uma vez transformei uma cortina antiga numa saia que amava – e ela quem fez, lógico), e no final largava de lado e implorava pra ela terminar.

Ainda assim, sempre fui apaixonada por indumentária e modelagem. A máquina ficou parada por anos e anos, e só recentemente comecei a fazer coisas que consigo usar na rua sem medo de se desfazerem. HAHA Como mente inquieta, pessoa impaciente e estressadinha de plantão, resolvi passar adiante algumas dicas que podem ajudar muito quem é um poço de caos e está começando a costurar:

Paciência!

Parece óbvio, mas paciência aqui vai muito além. As coisas tomam tempo. Modelar, cortar, alfinetar, tudo isso toma mais tempo do que a costura em si. Fechar a peça parece brincadeira de criança quando comparado ao resto. Tem horas (muitas haha) que dá vontade de desistir, mas o importante é respirar fundo (juro, respirar fundo ajuda em todas as áreas da vida!) e continuar.

Atenção

Costurar é uma oportunidade de praticar a atenção total, especialmente porque é impossível ficar disperso e conseguir terminar algo minimamente usável. Coloque o celular no silencioso, feche as redes sociais e tire esse tempo pra você. Vale colocar música, preparar um refresco (evite os drinks se quiser usar o resultado HAHA) e relaxar. A atividade é pra ser divertida, e não uma tortura!

Comece com retalhos ou tecidos baratos

Uma vez comprei um plush lindo, vermelho, fantástico. Queria fazer um super vestido meio mamãe noel, meio musa dos anos 50. O pano escorregava mais que quiabo e no final das contas estraguei tudo! Foi um roubo e eu as vezes me sinto mal até hoje hahaha

Comece com tecidos baratos ou retalhos (dá pra achar peças inteiras de tecido nos brechós), evite o arrependimento e vá ser feliz. Tecidos escorregadios ou cheios de riqueza são melhores quando somos mais experientes!

Não se cobre tanto

Não nascemos sabendo nada, e somente com estudo e aperfeiçoamento conseguimos aprender e melhorar. Sendo assim, não se cobre tanto. Comece com modelagens simples, peças menores e acessórios. Aumente gradualmente o nível de dificuldade. Pode ser que você consiga fazer uma calça super difícil de primeira? Pode! Mas pode ser também que você se frustre num nível tão grande que acabe deixando a costura de lado. Pequenas recompensas trazem grandes felicidades, e é melhor fazer uma sainha simples linda de viver do que um vestido complexo que deu errado.

O ferro de passar é seu melhor amigo

Se você não tem um ferro de passar (coisa cada vez mais comum haha), é hora de arranjar um! Comprei o meu na Casa & Video por R$ 19,90. É um modelo do mais maaais simples, e você consegue também de segunda mão por bons preços.

O ferro ajuda a marcar e costurar bainhas fininhas que pareciam impossíveis. Um tecido passado é muuuuuito mais fácil de cortar e costurar sem erro, e por aí vai. Ferro de passar = vitória!

Alfinete tudo

Alfinetar pode ser chato e demorado, dependendo da peça, mas vale tão a pena que compensa a chatice. Aproveite pra cantar alto, refletir sobre a vida, entoar mantras, o céu é o limite. Alfinetes seguram as partes no lugar e garantem costuras mais rentes. Eu gosto dos de cabecinha de bolinha, são mais difíceis de perder (tenho gatos e não quero causar acidentes) e não saem nos tecidos mais finos. Só amor.

Meça duas vezes, corte uma

Esse é um dito popular que faz mais e mais sentido pra mim a cada dia que passa! Meça, meça de novo, meça a terceira vez. Em resumo, quando somos pacientes e conferimos tudo mais de uma vez, a chance de cortar algo errado é muito menor. É ter mais trabalho antes pra ter menos trabalho depois. 😉

E aí, quem já se aventurou pelo mundo da costura? ♥

Cinco razões pra começar a costurar hoje

Depois de eras e eras e eras sem escrever aqui por motivos de vida degringolada (nem vou entrar em detalhes, ao menos não nesse post), voltei pra falar sobre algo que tem me feito muito feliz: costurar. É lindo, é feliz, toma menos tempo do que todo mundo acredita, e absolutamente qualquer pessoa (com o mínimo de paciência hehe) consegue aprender! Eis uma lista (não supero esse amor por listas haha) de razões para começar a costurar:

1 – É econômico

Tenho visto saias no estilo que gosto com preços que variam entre R$ 150,00 e R$ 400,00. Por uma porção enorme de motivos (alguns serão inclusive expostos abaixo), não pago isso em uma roupa, especialmente se ela estiver sendo vendida em uma grande rede. Acredito em valorizar o trabalho de quem faz, mas mesmo que eu quisesse, não conseguiria dar tanto em uma peça de roupa.

Agora corta pra costura. É possível encontrar tecidos lindos por preços super acessíveis. Pra saia de melancia que postei no Insta semana passada gastei R$ 17,00 no tecido e reaproveitei um zíper de outra peça. Uma saia que é vendida por aí por uns 200 mangos saiu por 17 reais. Se eu for computador a minha hora de trabalho, ainda assim sairia mais barato, porque demorei aproximadamente 2h30 pra terminar tudo.

Além dos tecidos que já são baratos, algumas lojas possuem bancas de retalhos, em que você acha barganhas ainda melhores. O tecido de melancia mesmo custava R$ 19 o metro. Comprei 1,80m pelos 17, pois estava na banca. Não necessariamente são retalhos pequenos: o fim do rolo e tecidos com pequenas avarias também vão pra banca. Vale se afundar nas montanhas e encontrar pechinchas incríveis! A maioria das lojas do SAARA tem essas bancas, vale uma visita!

estampa

2 – Você tem certeza da procedência

Toda vez que comprava roupas, ficava encafifada pensando nas condições de trabalho de quem fez aquilo. Essa pessoa era bem paga? Trabalhava uma quantidade humana de horas? Tinha benefícios? Trabalhava em um ambiente seguro? É muito difícil responder essas questões com certeza quando se compra em grandes redes. Pra minha classe social/condição financeira, esses eram os únicos lugares em que eu conseguiria comprar. Já me preocupava antes, mas depois de ver o doc The True Cost, se tornou impossível fazer vista grossa mesmo de vez em quando (não sou uma santa, cheguei a comprar nessas lojas antes do doc, mesmo sabendo de onde poderia ter vindo. Me senti mal, mas fiz). Aqui não vale aquele ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”. Meu coração sente sim, e eu prefiro não fazer.

Corta pra costura de novo! Quando você costura, sabe como está trabalhando quem faz a sua roupa! HAHA Além disso, pode também inventar mil coisas diferentes, usar peças exclusivas, fazer consertos e reformar peças de brechó. Nunca mais calça caindo ou camiseta furada embaixo do braço! hahaha

Como eu ainda assim me preocupo, procuro comprar tecidos fabricados no Brasil, e sempre dar uma conferida na internet se existe algum escândalo ou problema relacionado a empresa. Normalmente a marca do tecido vem estampada nas barrinhas laterais, e é só jogar no google. Não vale se preocupar com a roupa pronta, mas comprar tecido fabricado nos cafundós do oriente, né? Na dúvida, a gente evita!

3 – Ter algo feito por você é maravilhoso!

Quando é a gente que faz, acabamos dando mais valor. Assim como peças compradas de pequenos empreendedores, as costuradas por você tem um valor que vai muuuito além do financeiro. Você coloca capricho nos detalhes, investe em coisas bacanas e pode dizer com orgulho “fui eu que fiz!” quando alguém elogiar. Costurando fazemos amigos, e quando mais se pesquisa, mais se encontra gente que também costura, blogs, tutoriais, é quase um vício! HAHA

melancia

Na semana passada três desconhecidas elogiaram minha saia na rua, e eu quase morri de felicidade. Confesso que estava andando com mais confiança, é uma felicidade indescritível. Uma senhora no ônibus até me deu os parabéns quando eu disse que fui eu que fiz, foi lindo! <3

4 – Costurar é o melhor caminho pra quem está fora do padrão

Como a roupa feita em casa é desenvolvida a partir das suas medidas, ela sempre cai bem! Não importa se você é alta, baixa, magra ou gorda: o comprimento, o gancho e a cintura vão sempre ficar perfeitos. Eu por exemplo, além de ser plus size, tenho uma diferença enorme entre o tamanho da cintura e o do quadril. Pra vocês terem noção, minha cintura tem metade do tamanho da minha bunda! HAHA Em resumo, é muuuuito difícil uma roupa de loja ficar bem em mim, mesmo de loja plus. normalmente sobra muito na cintura ou, quando fica bem na cintura, aperta muito no quadril. Como resultado, a maioria das roupas não valoriza minhas curvas fartas: ou eu pareço um saco de batata amarrado no meio, ou pareço ter uns 30kg a mais do que tenho. Amo meu corpo e meu tamanho, mas também amo ver minha cintura fina valorizada, né? hehe

saco de batata

Um caimento é um caimento, é a parte mais importante pra se sentir bem com uma roupa. Cintura alta que é realmente alta, calça que não deixa o cofrinho aparecendo, roupa que não aperta em canto nenhum e por aí vai. Além disso, você escolhe o que você veste, como veste, como é. Isso é revolucionário!

5 – Exclusividade e mais exclusividade

Eu amo coisas exclusivas na mesma proporção que odeio fast fashion. Acho que o prêt-à-porter só surgiu pra fazer as pessoas se sentirem piores, especialmente as mulheres. Não existe lugar em que todas as pessoas tenham o mesmo corpo, e o pronto pra usar não respeita essas particularidades. Algumas empresas até lançaram linhas com modelagens para diferentes tipos de corpo, como a Levi’s, mas só vão até um determinado tamanho. Por alguma razão, a indústria acha que todos os gordos tem o mesmo corpo, todas as pessoas altas, todas as minorias. Aos olhos da indústria, é você que se adequa a ela, e não o contrário. Porque dar dinheiro pra quem não te respeita, né? É quase como alguém virar pra você e falar “Otário!”, e você entregar dinheiro pra pessoa por isso. Não seja a Naiara Azevedo: a superioridade de dar 50 reais pra quem te magoa só funciona na música. HAHAHAHA

Além de todas essas questões (socorro, eu amo a palavra além), tem mais: imagina chegar em qualquer lugar com a certeza de que absolutamente ninguém tem uma roupa igual a sua? Isso é quase ser uma celebridade no tapete vermelho! Mais legal, até, porque vira e mexe rolam aquelas gafes e duas pessoas vão com a mesma roupa a algum evento. Quando você compra um tecido, mesmo que outras pessoas comprem, é praticamente impossível que elas façam a mesma coisa que você. Mesmo que a base seja a mesma, cada um adiciona diferentes detalhes e nuances as peças.

florzinha

Não sei vocês, mas eu amo me sentir a Barbie Noiva do rolê: só ela tem, mais ninguém.

Bem amigos da Rede Bobo, é isso! Espero que esses cinco motivos sejam tão fortes e lindos pra vocês quanto são pra mim, e que você termine esse texto com uma vontade loka de começar a costurar! Não tem máquina? Mantenha a calma! É possível encontrar máquinas de segunda mão por valores justos, e pesquisando dá pra achar ateliês que alugam o espaço, com várias máquinas a disposição. Minha dica nesse caso é: modele em casa e vá com tudo cortadinho, pra economizar. hehe

Quem for do RJ e quiser ajuda, me manda mensagem, vamos marcar um café com costura (e bolo, porque tudo fica melhor com bolo haha)! Ainda não sei muuuita coisa, mas vou adorar passar adiante o que sei. <3

Beijos, queijos e uma excelente semana pra vocês! \o/