Como ser um ser humano de sucesso (fora dos padrões normais)

Olá, pessoas bonitas!

Andei um tempo escrevendo no meu outro blog, mais voltado para literatura, e acabei parando o ritmo intenso de postagens por aqui..rs..Como a boa filha a casa torna, cá estou eu com algumas ideias e pensamentos que organizei recentemente, e que tem muito mais a ver com o cantinho de cá.

Muito se fala sobre sucesso hoje em dia. Dicas, livros, fórmulas. Um sucesso pronto e empacotado, em que nós todos supostamente devemos nos encaixar. Um sucesso que tem a ver com dinheiro, com carreira nos moldes normais, com essa ideia estranha de “ser adulto” que permeia a internet. Como eu vivi e vivo completamente fora desses padrões (e tenho certeza que quem gosta dos meus textos também vive ou gostaria de viver), trago hoje um apanhado de dicas sobre o assunto. Coisas que aprendi com o tempo e outras que gostaria de ter dado ouvidos mais cedo (sim, não estou reinventando a roda! Muito disso vem de ideias e pensamentos que me deram ao longo do tempo e hoje compartilho ^^). Lá vamos nós:

1 – Seja gentil

Esse é o conselho mais precioso da vida. Seja gentil e atencioso com todas as pessoas que passarem pelo seu caminho. Não sabemos o dia de amanhã, e aquela conversa aleatória na fila da padaria ou o comentário em uma publicação pode render amizades e até parcerias profissionais. Esteja presente (falo muito sobre presença, e acho que merece até um texto próprio!), ouça tudo, absorva o que te couber! Com gentileza e atenção chegamos muito mais longe. Diferente do que pregam, a vida não precisa ser uma competição: o pensamento e a ação coletivos rendem muito mais frutos!

2 – Abrace as oportunidades

Você já deve ter lido e ouvido incontáveis vezes a expressão “agarrar as oportunidades”. Não gosto dessa expressão! Além de trazer em si uma agressividade forte, me parece tudo muito corrido e voraz. Pra aproveitar a vida de verdade é preciso paciência e amor, então faça diferente: abrace as oportunidades. Com amor e carinho e dedicação. Dê o seu melhor pro projeto grande e pro pequeno. Coloque o mesmo ímpeto e a mesma vontade em tudo que se propuser a fazer. Converse com as pessoas, peça feedback, não deixe o medo te impedir! Coloque os bracinhos em volta da oportunidade, feche os olhos e deixe a vida fluir! haha 😀

3 – Vá sem julgamentos

Já vi muita gente dispensar projetos porque não tinha ninguém “”importante”” envolvido. Acho que todos nós conhecemos gente assim, que acredita que só vale a pena pro currículo e pra vida o que envolve determinados tipos de pessoa. Esqueça completamente esse conceito. Todo mundo traz consigo uma bagagem fantástica esperando para ser compartilhada. Se manter aberto e sem julgamentos pode te levar a lugares incríveis. Foi sendo assim que fiz os melhores passeios, estive nos melhores eventos e conheci as melhores pessoas.

4  – Respeite seu tempo

Esse é um conselho bem clichê, mas que eu demorei muito tempo pra entender e aceitar. Com as redes sociais e a internet, fomos nos acostumando a comparar nossa vida a dos outros. Cada um tem um caminho a trilhar e com ele todos os altos e baixos. Aquela pessoa que se formou novinha, por exemplo, pode ter tido oportunidades que você não teve, assim como a sua formação mais tarde pode te proporcionar uma experiência que ela nunca vai ter. Uma coisa não invalida a outra, e se você se mantiver aberto a troca, pode aprender muito quem tem um caminho diferente do seu. Sem julgamento, sem competição e – especialmente – sem a sensação de que você deveria estar nesse ou naquele lugar a essa altura da vida.

5 – E por falar em formação…

…vida acadêmica não é tudo, e muito menos é o único caminho para se alcançar o sucesso! Eu me dei muito muito bem em todas as faculdades que entrei, e sou lembrada pelos meus professores até hoje. Apesar disso, o sistema de ensino apenas não funciona pra mim. Não tenho formação superior, e não pretendo ter tão cedo.

O que fiz com isso? Li e escrevi e aprendi o que eu queria, da forma que eu queria. Não tenho diploma, mas tenho uma carga de conhecimento muito maior do que a de muitos estudantes de mestrado que eu conheço. O ambiente acadêmico pode ser muito limitador, especialmente pra quem é curioso e inquieto. Isso não significa que seja ruim, significa apenas que ele é bom pra quem o aceita como ele é e consegue funcionar dessa maneira.

Sou designer e trabalho em uma agência onde atendo clientes de diferentes portes. Lá também atuo como redatora e web designer. Falo inglês fluente, sou artesã, canto, componho músicas, toco ukulele, sou cabeleireira, fotografo, sou escritora e artista visual. Aprendi tudo isso sozinha. Li uma infinidade de livros. Vi uma infinidade de filmes. Conheci uma infinidade de pessoas e consigo manter conversas significativas em qualquer meio. Não escrevi esse parágrafo pra me vangloriar, só pra mostrar que uma vida rica e produtiva é possível fora dos muros da universidade!

6 – Seja a exceção

Toda vez que conto minha história, ouço coisas como “ah, mas é diferente”, “mas você é exceção” e relacionados. Nunca consegui entender muito bem quem se enxerga como regra, então fica aqui o conselho: seja a exceção. Pense como exceção. Crie a sua forma de viver, de ver o mundo e de produzir. Isso vale para todos os campos da vida! Não aceite menos do que você merece, e todos nós merecemos nos sentir plenos, amados e felizes.

Sei bem como de vez em quando bate a insegurança e a vontade de desistir, mas quando isso acontecer, mantenha o seguinte em mente: você é exemplo para alguém. Podem ser seus amigos ou pessoas aleatórias que te acompanham na internet. Pode ser aquela prima mais nova ou seus irmãos. Alguém está vendo o que você faz e tira forças disso pra continuar. Então seja a exceção! Seja a pessoa fora da casinha! Agindo assim você vai ter que aturar muito julgamento e talvez até pessoas próximas tentem de convencer de que você está errado. Se você acredita, vai fundo. A diferença muda o mundo, não a regra. Pode parecer exagero, mas te digo: todos nós podemos ser uma semente da mudança. Pra florescer, basta acreditar, ir regando tudo com amor e seguindo em frente. O vento vem, a chuva vem, tudo parece ir contra, mas no final a gente com certeza floresce! <3

Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de coração! Quem quiser me mandar mensagem ou bater um papo, me adiciona no face clicando aqui, ou comenta aí embaixo! Vem sem medo que a troca é certa! 😀

Dicas de costura para mentes inquietas

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A costura faz parte da minha vida desde a infância. Minha vó fazia qualquer coisa com o pé nas costas, numa rapidez que me impressiona até hoje, especialmente pelo nível de qualidade do acabamento. Quem pensa que o dom é herdado, se engana. Quem pensa que é um dom, aliás: a costura – assim como qualquer ofício – pode ser aprendida com tempo, paciência e disciplina!

Como eu era uma adolescente sem nenhum dos três, aprendi bem menos do que poderia com dona Cleyd. Eu queria as coisas prontas rápido. Queria fazer bainha sem marcar, dobrar prega sem medir e por aí vai. Sempre me estressava e queria rasgar tudo. Mais de uma vez enfiei a tesoura em algo que estava fazendo (minha vó nunca me deixaria usar um corte de tecido de verdade, eram sempre retalhos. Uma vez transformei uma cortina antiga numa saia que amava – e ela quem fez, lógico), e no final largava de lado e implorava pra ela terminar.

Ainda assim, sempre fui apaixonada por indumentária e modelagem. A máquina ficou parada por anos e anos, e só recentemente comecei a fazer coisas que consigo usar na rua sem medo de se desfazerem. HAHA Como mente inquieta, pessoa impaciente e estressadinha de plantão, resolvi passar adiante algumas dicas que podem ajudar muito quem é um poço de caos e está começando a costurar:

Paciência!

Parece óbvio, mas paciência aqui vai muito além. As coisas tomam tempo. Modelar, cortar, alfinetar, tudo isso toma mais tempo do que a costura em si. Fechar a peça parece brincadeira de criança quando comparado ao resto. Tem horas (muitas haha) que dá vontade de desistir, mas o importante é respirar fundo (juro, respirar fundo ajuda em todas as áreas da vida!) e continuar.

Atenção

Costurar é uma oportunidade de praticar a atenção total, especialmente porque é impossível ficar disperso e conseguir terminar algo minimamente usável. Coloque o celular no silencioso, feche as redes sociais e tire esse tempo pra você. Vale colocar música, preparar um refresco (evite os drinks se quiser usar o resultado HAHA) e relaxar. A atividade é pra ser divertida, e não uma tortura!

Comece com retalhos ou tecidos baratos

Uma vez comprei um plush lindo, vermelho, fantástico. Queria fazer um super vestido meio mamãe noel, meio musa dos anos 50. O pano escorregava mais que quiabo e no final das contas estraguei tudo! Foi um roubo e eu as vezes me sinto mal até hoje hahaha

Comece com tecidos baratos ou retalhos (dá pra achar peças inteiras de tecido nos brechós), evite o arrependimento e vá ser feliz. Tecidos escorregadios ou cheios de riqueza são melhores quando somos mais experientes!

Não se cobre tanto

Não nascemos sabendo nada, e somente com estudo e aperfeiçoamento conseguimos aprender e melhorar. Sendo assim, não se cobre tanto. Comece com modelagens simples, peças menores e acessórios. Aumente gradualmente o nível de dificuldade. Pode ser que você consiga fazer uma calça super difícil de primeira? Pode! Mas pode ser também que você se frustre num nível tão grande que acabe deixando a costura de lado. Pequenas recompensas trazem grandes felicidades, e é melhor fazer uma sainha simples linda de viver do que um vestido complexo que deu errado.

O ferro de passar é seu melhor amigo

Se você não tem um ferro de passar (coisa cada vez mais comum haha), é hora de arranjar um! Comprei o meu na Casa & Video por R$ 19,90. É um modelo do mais maaais simples, e você consegue também de segunda mão por bons preços.

O ferro ajuda a marcar e costurar bainhas fininhas que pareciam impossíveis. Um tecido passado é muuuuuito mais fácil de cortar e costurar sem erro, e por aí vai. Ferro de passar = vitória!

Alfinete tudo

Alfinetar pode ser chato e demorado, dependendo da peça, mas vale tão a pena que compensa a chatice. Aproveite pra cantar alto, refletir sobre a vida, entoar mantras, o céu é o limite. Alfinetes seguram as partes no lugar e garantem costuras mais rentes. Eu gosto dos de cabecinha de bolinha, são mais difíceis de perder (tenho gatos e não quero causar acidentes) e não saem nos tecidos mais finos. Só amor.

Meça duas vezes, corte uma

Esse é um dito popular que faz mais e mais sentido pra mim a cada dia que passa! Meça, meça de novo, meça a terceira vez. Em resumo, quando somos pacientes e conferimos tudo mais de uma vez, a chance de cortar algo errado é muito menor. É ter mais trabalho antes pra ter menos trabalho depois. 😉

E aí, quem já se aventurou pelo mundo da costura? ♥

Referências: o ponto essencial para se ter mais criatividade

header - criatividade

Muito vejo falarem sobre criatividade, seja ligada a escrita, arte e design ou mesmo no mundo dos negócios. Ela é extremamente valorizada e ligada à inovação e capacidade de raciocinar rápido e resolver problemas. Entre uma porção de materiais sobre o assunto, encontramos muitos exercícios e soluções milagrosas para se desenvolver a tão falada criatividade. Na maioria dos casos, acho tudo uma baboseira sem tamanho, por um motivo muito simples: ser criativo não diz respeito a uma capacidade mágica sem ligação ao resto da vida, seja inata ou aprendida. Durante muito tempo acreditei que era um dom, mas quando comecei a enxergar por outra perspectiva, percebi que ela pode sim ser desenvolvida. Esse desenvolvimento, no entanto, nada tem a ver com exercícios e fórmulas. Ser criativo depende, prioritariamente, de uma única coisa: referências.

Quanto mais aprendemos sobre assuntos diversos, mais somos capazes de fazer ligações entre eles e desenvolver opiniões, pensamento crítico e criatividade. Ter um repertório vasto de referências é primordial pra ser criativo. Mais do que isso, é essencial! Acredito que exista sim o talento, a capacidade de se tornar um “buscador de referências” sem ser ensinado a tal, mas acredito também que é possível ensinar a ser curioso. Quando colocamos essa intenção nas nossas ações, o universo com certeza responde! (para os céticos de plantão, isso nada tem a ver com religião ou misticismo: quanto mais pesquisamos, mais nos sentimos motivados a continuar aprendendo. Energia positiva sempre! :D)

Sem mais delongas, segue aqui uma listinha que pode te ajudar a se tornar mais criativo, com um repertório vasto de referências e muita vontade de continuar aprendendo:

1 – Invista no que você gosta

Vamos partir do princípio de que “investir” não precisa envolver dinheiro, então nada de dar desculpas. O investimento mais importante que podemos fazer é o de tempo! Invista tempo no que você gosta. Ama ouvir música? Que tal pesquisar sobre suas bandas e artistas favoritos? Leia entrevistas, descubra artistas similares, entenda a motivação por trás de cada música, filme, série e livro que te interessa. Mesmo que você reserve só meia hora por dia pra fazer alguma atividade com atenção total, no final da semana você terá passado 3h30 aprendendo algo novo. Já parou pra pensar que existem palestras e workshops que duram menos? 🙂

2 – Valorize as pequenas vitórias

E por falar em dedicar só meia hora por dia (pra quem insiste em dizer que não tem tempo. Falaremos disso em outro post! haha), você anda valorizando suas vitórias diárias? Costumamos acreditar que ser criativo acontece de estalo, ou é algo que outras pessoas tem naturalmente, e por isso diminuímos o que alcançamos! Quando você coloca sua mente e seu corpo 100% na tarefa, por menor que ela seja, isso é uma vitória. Em alguns dias da vida, levantar da cama já é uma vitória, e devemos valorizar cada uma das nossas ações. Olhar o lado positivo e pensar na solução ao invés de focar no problema também é criatividade!

3 – Leia mais

Essa é uma dica simples, né? Mas na prática vai ficando complicada, especialmente pra quem não tem o hábito. Valem artigos na internet, livros, revistas, vale tudo! Deixe o celular de lado por algum tempo e foque na leitura. Faça anotações, guarde palavras e nomes pra pesquisar depois, anote as frases que você mais gostar. Além de nos tornar mais criativos, a leitura constante também nos ajuda a escrever melhor, aumentando nosso leque de palavras e expressões.

4 – Faça algo pela primeira vez

Essa frase não é cliché a toa! Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Quando pensamos isso, nos vem a mente coisas grandiosas como saltar de paraquedas, fazer grandes travessias ou viagens. Nessa hora bate o desânimo – nem sempre temos condições físicas e financeiras pra essas coisas grandiosas. Agora imagina o seguinte: você nunca cozinhou. Você ama estrogonofe. Se você pegar a receita e for aprender, isso é uma primeira vez! Existem primeiras-vezes de todos os graus e tipos. Muitas delas custam muito pouco ou são gratuitas, então dá pra conciliar e fazer diferente. Cada vez que você faz algo novo, sua mente se abre mais um pouco, e é como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original

5 – Não se leve tão a sério

Aprender algo novo – seja um idioma, habilidade, esporte, etc – demanda tempo e paciência. Um pouco de disciplina, sim, mas você não precisa desenvolver isso tudo da noite pro dia. Quando levamos tudo a sério demais, a tendência é desanimar rápido e perder a motivação. O que é melhor: andar três horas no primeiro dia e não aguentar andar direito por uma semana, ou andar 20 minutos no primeiro dia e se sentir bem pra andar mais 20 no dia seguinte e assim por diante? Todas essas coisas são construções, e construções demandam tempo. Não existe um marco do tipo “a partir desse dia sou uma pessoa criativa”, e por isso não existe forma de mensurar. Só quem sabe do seu progresso e da sua criatividade é você. Então ria, se divirta, leve as coisas de forma leve! Comece pequeno, foque nos primeiros passos e antes que você perceba um mundo novo e incrível se abriu a sua frente. <3

Espero que vocês tenham gostado da listinha e levem essas ideias pra vida! As pessoas sempre comentam que sou criativa e me perguntam o que eu fiz pra me tornar assim. Outras comentam coisas do tipo “ah, mas você é criativa”, como se eu tivesse nascido dessa forma. Nasci curiosa, sim, e assim me mantive, mas acredito de coração que somos todos capazes de aprender, de nos tornar curiosos e motivados! Se você acha que não, faça a experiência e venha me contar depois como foi. Se você não se sentir um tiquinho que seja mais motivado e criativo, te pago um sorvete com direito a chantilly! haha 😀

Contextualização: para ler e ouvir melhor

Ler, escrever e ouvir música são minhas coisas favoritas na vida. Mesmo antes de aprender a escrever já pegava a caneta e rabiscava “palavras” no papel, ou batia teclas aleatórias da máquina de escrever. Assim que aprendi a ler me tornei uma leitora ávida: livros, bulas de remédios, letreiros, queria saber o que significavam todas as palavras ao redor. A música também faz parte da minha vida desde a infância. Minha mãe fazia tudo ouvindo música, e na casa do meu pai o violão era presença garantida nas festas, reuniões e madrugadas insones. Sempre me atentei muito às letras, mais até do que às melodias. O que queriam dizer os artistas? Qual era o sentido de tudo? Com o advento da internet, ler e ouvir música se tornaram pra mim exercícios mais completos: eu podia agora pesquisar mais sobre a vida dos cantores, bandas e autores que gostava.

Com tudo isso, e por vezes sem perceber, desenvolvi um costume maravilhoso: o da contextualização. Colocar as coisas em seu devido contexto é importantíssimo para compreender seu significado. Como nem todo mundo desenvolve isso, resolvi fazer uma lista breve, quase um guia da contextualização. Além de ajudar a ouvir e ler melhor, ajuda também na vida escolar e acadêmica. Acredito que analisar qualquer coisa fora de contexto – por melhor que seja a intenção – é sempre muito raso. Infelizmente isso tem acontecido bastante, e é uma das coisas que mais me incomoda na produção acadêmica contemporânea. Se é pra ter opinião, que seja completa! “gostei” e “não gostei” não devem fazer parte da vida de quem se propõe a escrever e pesquisar. O melhor desse exercício é que quanto mais você faz, mais tem vontade de descobrir e aprender. Como o objetivo é instigar a curiosidade e a pesquisa, seguem algumas perguntas cruciais:

1 – Em que época vivia o autor?

Essa pergunta muito simples leva a outras tão importantes quanto: o que acontecia no mundo neste período? Qual era o panorama político e social? Quais eram as modas da época? Quais são os artistas contemporâneos a ele? Em que classe social ele estava inserido? Tendo a resposta para estas perguntas, fica mais fácil pensar nas próximas e ter noção de quais assuntos relacionados à música e literatura nos interessam.

2 – Em que lugar ele vivia?

Nossa forma de ver o mundo e os acontecimentos está intimamente ligada com o lugar em que vivemos. Onde o autor passou a infância? Em que cidades viveu? Ele passou a vida no mesmo lugar? Como era este lugar? O clima, a língua, a estrutura, tudo isso influencia nossa escrita. Sem precisar ir longe, a escrita de um autor nordestino é completamente diferente de um que cresceu no sudeste. Quer um exemplo? Compare o trabalho de Caetano com o de Chico (comparar o trabalho de pessoas de diferentes regiões de um mesmo país, aliás, é outro exercício excelente!)

3 – Quantos anos ele tinha quando escreveu o livro/música em questão?

Cada fase da vida nos inspira de forma diferente. O que na adolescência parece um problema muito grave, aos 30 já não faz nenhum sentido. Da mesma forma, o que aos 30 parece o fim do mundo, nada significa aos 50 e por aí vai. Saber a idade do autor e tentar compreender suas motivações e visões de mundo pode levar a várias reflexões interessantes.

4 – Qual era o estado mental do autor quando escreveu a obra?

Além da idade, é importante pensar e pesquisar o aconteceu na vida do autor antes, durante e depois da música/livro existirem. Ele vivia sozinho? Quem eram seus amigos? O que ele fazia no dia a dia? Trabalhava com alguma outra coisa, ou se dedicava somente a escrita? Entender o background da pessoa nos ajuda a compreender seu estado mental, e as motivações por trás das letras, personagens e histórias.

5 – Quais eram as influências do autor?

O que ele ouvia e lia? Quem eram seus ídolos? O que lemos e ouvimos constrói nossa base intelectual, e essa base é impressa no nosso trabalho. Saber quem eram as influências do autor em questão nos leva não somente a compreender melhor o trabalho, mas também a buscar estas referências e aumentar nossa própria base. O mais incrível – além de ir descobrindo mais e mais coisas – é ir percebendo as influências em comum entre diferentes artistas que nos inspiram. Tentar descobrir a essência de um gosto, de onde ele vem, quem fez primeiro, isso tudo só nos enriquece! Mais do que isso, torna tudo menos superficial: o conhecimento, no geral, nos torna cada vez mais imunes a superficialidade.

 

Uma semana sem redes sociais

No início da segunda-feira resolvi dar tchau ao Facebook e ao Instagram. Não era um adeus, porque não gosto de medidas extremas, mas a sensação era quase essa. Além da leveza sentida logo após postar meu texto de despedida, minha semana pareceu durar o dobro do tempo. Eu trabalhei, li, pesquisei, estudei, assisti vídeos (o TED do post anterior foi o ponto alto do meu dia ♥) e me senti até um pouco perdida. No dia seguinte mesmo já pude notar algumas diferenças. Achei que seria ruim, que teria os sintomas comuns da abstinência e que me daria uma vontade enorme de voltar. Não sinto nada disso. Na realidade, isso foi a melhor coisa que eu poderia ter feito pelo meu início de ano

Mais do que o tempo gasto em tarefas inúteis – postar fotos de atividades cotidianas e descer o feed indefinidamente, por exemplo – as redes sociais nos tornam mais burros e mais tristes. Não sou eu que digo, diversas pesquisas começam a comprovar os malefícios do vício em internet e relacionados (eu queria citar tudo que li, mas joguem no google. Pesquisar aguça nossos sensos e nos torna mais espertos), e mesmo que o impacto disso na sociedade só possa ser medido a longo prazo, já dá pra ter noção agora. Basta abrir os olhos e observar com calma. Tenho percebido nestes cinco dias (e em outras vezes em que dei um tempo das redes sociais) que somente percebemos isso tudo olhando de fora. Esse texto possivelmente ficará enorme, mas tenho algumas considerações e questionamentos que gostaria de compartilhar. Como tudo que é bom vem em listas (mais um derivado do vício em redes sociais e sites rasos como Buzzfeed, talvez rs), lá vai mais uma:

Porque as atitudes alheias incomodam tanto as pessoas?

Viciados em redes sociais – em resumo, a maior parte dos usuários delas – não são muito diferentes de viciados em drogas ou álcool. Basta você cogitar sair ou sair que eles tentam te puxar de volta. Isso na realidade diz respeito a basicamente qualquer mudança de vida que se pretenda fazer. Já vi mais de uma vez pessoas resolverem começar uma dieta diferente, por exemplo, e os “amigos” terem reações por vezes até violentas. Seja buscando emagrecimento, saúde ou por questões éticas (evitar o consumo de carne, vegetais que não sejam orgânicos, etc), a reação das pessoas ao redor é sempre explosiva. Ninguém tem a mesma reação quando um amigo ou conhecido se alimenta prioritariamente de fast food.

Esse mesmo princípio – de que mudanças incomodam os outros – vale tanto pras redes sociais, como para atitudes como parar de beber ou fumar. Me dei conta recentemente de que as pessoas não processam essas reações. Elas não tem argumentos, no geral, e a reação é instantânea, violenta e infundada (especialmente se pensarmos que elas não tem nada a ver com isso). Uma explicação possível é a de que a massa se comporta de uma determinada forma, e qualquer coisa que quebre esses ciclos precisa ser expurgada (existem diversas pesquisas nesse sentido, ta aí mais uma oportunidade de pesquisa rs). É muito difícil hoje em dia encontrar círculos que apoiem as decisões, e essas pessoas costumeiramente são encontradas fora do círculo social de quem decide (como em grupos de apoio, igrejas, fóruns de alimentação e estilo de vida e por aí vai). Muitos destes itens nos levam, infelizmente, ao segundo item da lista.

A dependência na internet leva ao extremismo

É muito comum ver determinados grupos criticando igrejas e relacionados por pregarem visões extremas e “mente fechada” sobre determinados assuntos. Apesar de concordar com isso em muitos casos, a maioria das pessoas não se dá conta de que elas mesmas são extremistas. A internet facilitou – e muito – a vida dessas pessoas. Por exemplo: se alguém tinha visões preconceituosas específicas antes dela, provavelmente ia passar a vida sem conversar sobre com alguém ou, na melhor (ou pior) das hipóteses, encontrar um grupo local, costumeiramente pequeno. Com a internet, esses grupos são enormes, pois não dependem de localidade. Foi assim que nos últimos anos coisas aparentemente extintas como o fascismo, nazismo e similares voltaram a vida. Ela facilita mesmo pra encontrar pessoas com visões similares que morem próximas e que de outra forma não se conheceriam (não é como se – espera-se – alguém fosse colocar um cartaz de reunião nazista nos muros do bairro).

Com tudo, juntando religião, conservadorismo e movimentos sociais, o potencial da internet foi usado pra transformar o mundo num lugar ainda mais caótico e cheio de preconceito. Todo mundo pensa da mesma forma, não importa qual for o assunto. Sendo assim, todo mundo está certo. Se todo mundo está certo, alguma coisa está errada. Um subproduto desse sistema é a lógica burra que permeia diversos meios. Um exemplo que vi recentemente foi uma faixa escrito “miscigenação também é genocídio”. Grupo nazista? Nem de longe: manifestação do movimento negro. A primeira vista a lógica parece correta e – pra mentes acostumadas com o flood de coisas da internet e desacostumada a raciocinar por mais de cinco minutos sobre alguma coisa – a mão de compartilhar é mais rápida do que a capacidade de processamento do cérebro. Nisso, assuntos realmente importantes a diversas causas vão passando batidos, enquanto a disseminação do ódio é feita por todos os lados.

Isso me faz pensar em uma história que me aconteceu recentemente:

Nas redes sociais, você precisa fazer parte de algum grupo

Na vida real, nem tanto. Antes das redes sociais, a sexualidade de cada um dizia respeito somente a cada um, quando muito as pessoas com as quais cada um se relacionava. Com o advento das redes sociais com seus grupos, fóruns e páginas, a coisa toda tomou um outro espectro: você precisa fazer parte de alguma coisa e se reafirmar como tal. Sou uma pessoa muito suscetível a essas questões. Se alguém me repetir três vezes alguma coisa já me sinto convencida, e com isso vou me afundando em questionamentos, até me perder nos pensamentos. Demoro mais do que o tempo considerado normal hoje em dia para processar informações e opiniões. Longe de mim ser maria vai com as outras ou não ter opinião: eu só não fui construída pra processar as coisas de maneira leviana.

Sempre me considerei bissexual, desde a adolescência. No meu tempo não existiam as infinitas denominações que existem hoje em dia. Ninguém se dizia “cis não-binário” ou qualquer coisa com tantas sílabas e significados (ainda me esforço pra entender o que significa tudo). De uns tempos pra cá, comecei a conviver mais com mulheres lésbicas, participar de grupos, fóruns, festas, rodas de conversa. Não sei se vocês já passaram por isso, mas eu comecei a me sentir sobrecarregada de informações e pressionada a ter uma posição. Eu nunca expus minha sexualidade pra ninguém, sempre fui muito na minha. Nunca senti a necessidade de me reafirmar como alguma coisa, ou de participar de alguma coisa, porque acho que grupos cuja única motivação seja algo que não é uma real motivação nem deveriam existir (música é uma motivação. Cinema é uma motivação. Se reunir com pessoas que não tem nada a ver com você pura e simplesmente porque compartilham cor, gênero ou sexualidade? Nunca achei uma motivação válida).

Com tudo – textos, pessoas, opiniões, questionamentos – lá estava eu me sentindo mal, e culpando diversas coisas da minha vida em questões relacionadas a isso. Eu fiquei completamente cega. Meu relacionamento ia bem, minha vida ia bem, mas eu queria fazer parte. Eu queria fazer parte dos grupos e das páginas e dos círculos. Soa estranho, mas pare pra pensar: quantas coisas você fez ou deixou de fazer nos últimos anos pensando nos reflexos nas suas redes sociais? Soa superficial, também, mas pare pra pensar de novo: quantas coisas superficiais você posta por dia na internet? Exatamente. Todos estamos suscetíveis. Sair de tudo e me afastar das pessoas me fez questionar novamente coisas das quais eu achava ter certeza a duas semanas atrás. Porque sem a presença constante das redes sociais e da sensação de julgamento e observação alheios, eu fui me desintoxicando e perdendo essa necessidade.

Me sinto agora como me senti o resto da vida, antes das incursões no meio lésbico no ano passado e em um curto período do retrasado (em que cheguei a mesma conclusão, mas fui novamente engolida pela superficialidade das interações na internet): fluida, livre e não presa a convenções. Não sou hétero e não sou lésbica e não sou bissexual, sou a Dandara, uma pessoa que ama e se apaixona por pessoas. Que se sente atraída pelas pessoas pelo que elas tem a oferecer como seres humanos, e não por órgãos sexuais. Acho que isso vale inclusive um texto a parte.

O tempo é infinito sem as redes sociais

Eu vejo uma quantidade enorme de pessoas falando sobre o quanto não tem tempo, e acho que elas não se dão conta de quanto tempo é gasto diariamente postando, checando notificações e descendo o feed infinitamente. É realmente um vício, e como qualquer outro, é difícil admitir. Desde que me desloguei de tudo, meus dias parecem durar muito mais. Tenho visto um filme por dia. No trabalho, faço bem mais, com muito mais facilidade. Meus níveis de concentração vão gradativamente voltando ao que eram antes. Teve um dia essa semana em que eu nem sabia o que fazer com tanto tempo livre. Li metade de um livro nesse dia.

Dificilmente alguém é tão ocupado quanto diz ser. Somos levados a nos sentir ocupados, tudo nas redes sociais é arquitetado pra que a gente permaneça por lá descendo os feed infinitamente. Eles precisam da nossa permanência, porque geramos dinheiro. Nada ali é feito para de fato conectar as pessoas, porque eles não poderiam se importar menos. A falsa sensação de conexão, e a sensação de que perderemos contato caso não estejamos lá nos faz continuar. É libertador se livrar disso, garanto. Temos tempo pra todas as coisas. O tempo, aliás, não passa mais rápido do que passava antigamente, é tudo questão de percepção. Não estamos mais ocupados, estamos somente viciados e presos a isso.

Aquele tempo no ônibus descendo o feed? Dá pra ler, dormir, ouvir música, fechar os olhos e não fazer nada. O tempo gasto tirando mil selfies pra postar uma no instagram? Dá pra de fato aprender a fotografar. São tantas as possibilidades que nem caberia aqui escrever.

Conclusão

Sair das redes sociais foi a melhor coisa que fiz no meu ano – mesmo que ele esteja ainda no quinto dia de sua existência rs. Me sinto mais feliz, mais disposta, mais conectada comigo mesma. Desconfio, inclusive, que grande parte do período que passei em depressão tenha a ver com o vício em internet. A ansiedade também diminuiu, e me sinto agora muito menos aflita, com uma visão muito mais clara sobre a vida e o que preciso fazer. Recomendo fortemente que todos façam a mesma experiência. Pra quem ainda não se convenceu de que o vício em internet é tão forte quanto o vício em qualquer outra droga, dê uma pesquisada. Use a internet para algo realmente útil! Pare pra pensar de coração aberto e se dê conta de que ela pode estar consumindo os melhores anos da sua vida.

No mais – e pelo que me lembro com carinho – o mundo era muito melhor antes do facebook e do instagram. Espero que um dia todo mundo se dê conta. Espero também que não seja tarde demais.

Ser radical me deixou doente

Sabe quando o tempo passa e conseguimos enxergar os padrões de fora? Me sinto exatamente assim agora. Pode ser a proximidade com o meu aniversário (faltam dois dias só rs) ou com o final do ano, mas parei recentemente pra analisar minha vida e minhas escolhas em 2016/2017, e cheguei a uma conclusão: ser radical me deixou doente.

Pra quem não sabe – já falei diversas vezes, mas vai que – entrei num processo depressivo pesado do meio pro final do ano passado. No início desse ano a vontade de desistir de tudo era grande, mas graças a Deus encontrei pessoas e oportunidades incríveis que me ajudaram a dar a volta por cima. Como tudo na vida é processo não vou dizer que estou 100% todos os dias, mas hoje entendo que às vezes o 50% é uma grande vitória. Deixando essas questões de lado, vamos ao assunto do post.

O que é ser radical, afinal?

É possível ser radical de diversas formas, em diversas questões diferentes. Meu radicalismo, por exemplo, dizia respeito as questões que trato aqui: consumo, capitalismo, cadeia produtiva e relacionados. Primeiro foram diversos experimentos com alternativas pros cosméticos. Aliado a isso, um desespero muito grande de saber a origem de tudo que eu consumia. Pra muita gente, isso leva a uma vida com mais propósito e significado. Pra mim, em algum ponto, se tornou uma obsessão. Essa obsessão dava as caras das mais diversas maneiras: culpa por consumir alguma coisa que eu não soubesse a origem precisa, culpa por comprar qualquer coisa, mesmo que necessária, culpa por usar maquiagem. Era um esforço honesto que se transformou num caos. Eu fui afundando e afundando e afundando. Me vicio fácil em absolutamente qualquer coisa. Tenho uma facilidade enorme e triste para os vícios. Quando adolescente isso me levou a bulimia. Já fui viciada em jogos, em atitudes, tudo se torna obsessivo e eu perco a hora de parar. Com essas coisas não foi diferente.

Conto isso pra alertar você. Você mesmo, que acabou de assistir um documentário que mostra como as roupas das grandes redes são produzidas, ou sobre os animais, ou sobre o capitalismo. Você que ficou chocado e enojado e desesperado. Porque eu fiquei. Eu permaneço.

E como ser consciente sem cair na obsessão?

Como em tudo na vida, é preciso equilíbrio. Na forma de pensar, na forma de consumir. Eu fui ao extremo e me fez tão mal quanto estar na outra ponta – da pessoa que comprava sem pensar, usava sem pensar, descartava sem pensar. Se você não consegue lidar com o cabelo cheirando a cabelo e ama um shampoo cheirosinho, encontre algo que seja eco friendly e caiba no seu orçamento, por exemplo. Não se martirize tentando viver a base de vinagre e bicarbonato. Isso vale pra todos os cosméticos, na verdade.

Se você gosta de se vestir bem, além dos brechós existem lojas que produzem de maneira consciente sem custar um absurdo. Vale a pena pesquisar! Eu não deixei de me importar com nada que aprendi, eu só deixei o radicalismo de lado. No final do dia, não importa quanta coisa você deixou de fazer, se isso está te deixando miserável. Não vale muito mais a pena encontrar o meio termo? Pode parecer difícil, mas ele existe.

No mais, eu não quero ser uma dessas pessoas que produzem um quilo de lixo por ano. Não quero ser a pessoa que só usa cosmético natural feito em casa, nem a pessoa que não consome alimentos industrializados. Em algum ponto eu gostaria de ser essa pessoa. Eu admiro quem tem a fibra pra fazer isso, mas a minha saúde mental apenas não me permite.

E como foi bom me perdoar. Como está sendo bom tentar encontrar esse equilíbrio. Como é maravilhoso conseguir separar o que eu fazia pela influência da mídia e do meio das coisas que eu realmente gosto! No mais, espero encontrar cada vez mais o balanço perfeito pra minha vida. Porque ela é minha, no final, e só eu sei o que é melhor pra mim.

Espero honestamente que você tenha esbarrado com esse texto no início da jornada rumo a uma vida mais saudável e consciente! Espero que ele ajude a manter o pé no chão e traçar metas concretas e organizadas. Espero que você encontre o equilíbrio mais cedo, e viva uma vida repleta de realizações e amor ao próximo! Os tombos fazem parte, mas saber que existe ajuda torna tudo um pouco mais fácil. Acredite: existe ajuda! Qualquer coisa que precisar, estou aqui pra ajudar. <3

Minimalismo? Não, obrigada.

Longe de mim querer dar pitaco na vida alheia. Detesto quando dão pitaco na minha vida. É apenas uma questão de opinião! Vou expor os meus porquês e se após o texto o que chamam minimalismo ainda te apetecer, vai fundo. Cada um sabe como funciona melhor e o que considera melhor pra si. Vamos lá (em lista, porque né, lista é vida):

1 – O “”minimalismo”” é super classe média…

…e eu detesto a classe média! Aqui o média vai bem no sentido de medíocre mesmo. Economicamente, seria a média-alta e a alta. O minimalismo é um movimento que vem dessas classes. O que chamam minimalismo agora diz mais respeito a gastar do que a de fato reduzir. Comprar uma camiseta de R$ 400,00 porque ela é orgânica e produzida de “””maneira sustentável””” não tem nada de minimalista. Nem um sofá de R$ 4.000,00. E por aí vai, você entendeu o ponto. A sustentabilidade – o ativismo em geral – vendem, e as marcas perceberam isso. No início desse mês a C&A lançou uma camiseta sustentável, com direito a todos os blablabla sobre a cadeia de produção e reciclagem, com campanha bonita e vários jovens esguios sorrindo e sendo felizes. A mesma rede que compra roupas da China e da Índia, onde a produção não respeita nada e nem ninguém. Pesado, né? Se a gente pegar em pequena escala, mesmo as marcas com carinha de minimal e artesanal fazem o mesmo. Pode não ser da China ou da Índia, mas exploram alguém da mesma forma. E vendem camisetas de algodão do Peru pras patricinhas entrarem na onda do minimalismo e se sentirem muito desapegadas. Não, obrigada.

2 – O Minimalismo não respeita o passado, e eu aaamooo história

Li uma matéria outro dia num site famoso sobre minimalismo, falando sobre como a geração de agora não sabe lidar com o “”lixo”” que está ganhando dos pais e avós. O que eles chamam lixo diz respeito a louças, coisas de família, móveis, livros e coisas do tipo. Porque eles são minimalistas, eles não acumulam, isso é lixo. Eu chamo isso de tesouro. Venho de uma família pobre, e dou valor a cada coisa que foi deixada pra mim: o abajur que era da minha avó e me traz lembranças da infância, os panos e toalhas que ela bordou, os discos e livros que estão na família a duas ou três gerações.

O argumento dele é que as coisas tem que ficar na memória e não precisam de representação física. Imagina como vai ser o mundo daqui a 100 anos se essa moda pega: completamente sem identidade. Se dependermos somente de meios virtuais para guardar imagens do que existiu e existe, corremos o risco de perder isso. Existe um limite pro compartilhamento do conhecimento oral. Eu posso te explicar o que é uma coisa, mas você nunca vai saber como essa coisa realmente é até ver na sua frente.

Pegando numa escala um pouco maior, se considerarmos tudo que é antigo como lixo, quem somos nós e pra onde vamos? Isso me leva ao próximo item.

3 – O minimalismo não consegue diferenciar acúmulo de preservação

Se eu guardo mil papéis de bala, uma montanha de caixas de leite vazias, pilhas e mais pilhas de jornais, estou acumulando. Sou, inclusive, forte candidata a programas do tipo Acumuladores. É triste, inclusive, que tanta gente passe por isso e desenvolva esses problemas. Mas não tem como relacionar isso com quem coleciona livros, discos, porcelanas. Ao menos não a princípio (porque qualquer coisa pode se tornar um vício – o minimalismo inclusive. risos kkk rs). Se eu coleciono coisas com o intuito de preservar para a próxima geração, ou porque me agrada a estética e tenho espaço, não consigo ver problema nisso.

Mas essa gente estimula todo mundo a jogar tudo que for “”inútil”” no lixo. Alguns sites não falam nem de doação, falam lixo mesmo. Se desfaça de tudo e tenha um grande (ou pequeno) espaço vazio na sua vida. Para contemplar como é maravilhoso não acumular. E? Isso torna o mundo melhor exatamente como, se são coisas que já estão no mundo? Eu acredito em valor sentimental. Eu acredito em preservação. Eu acredito que faço um puta trabalho pro futuro quando salvo uma vitrola ou um livro antigo da deterioração total. Não consigo achar bonito ou engraçado que alguém não saiba o que é alguma dessas coisas. Não acho que seja um sinal bom dos tempos ou da tecnologia. A ignorância, no final, só nos leva a cometer os mesmos erros.

4 – O minimalismo não respeita as diferenças

Cada grupo, etnia, população tem suas peculiaridades. Dos turbantes aos colares, dos vestidos às botinas. O que se conhece por minimalismo é norte americano e – como quase tudo que é norte americano esses dias – é imperialista e só contribui pro desmonte dessas peculiaridades. Se uma menina do Peru, uma de Angola e uma do Brasil, por exemplo, revolvem seguir essa tendência a risca, em pouco tempo elas vão abrir mão de uma porrada de coisas que dizem respeito a suas culturas, e em menos tempo ainda vão parecer todas uma versão da mesma pessoa. Sabem? O minimalismo contribui pra pasteurização do mundo, pra essa globalização burra que coloca algo como certo e o resto todo como errado. Eu não consigo enxergar isso como bom a longo prazo.

A internet já faz um desserviço enorme no que diz respeito a indumentária. Se antes dela o que se entendia como tendência era adaptado a cultura de cada lugar, depois dela tudo vai ficando igual. Os mesmos ícones inspiram pessoas de diferentes partes do mundo, e a cada dia as lojas todas vendem as mesmas roupas, nas mesmas numerações, com a mesma modelagem, independentemente do tipo de corpo predominante em cada local. Em larga escala, essa é só mais uma tendência que contribui para que pessoas como eu – plus size, alta, quadril largo, cintura fina – não consigam encontrar roupas que lhes agradem (ou sequer funcionem, haja visto que toda calça fica quase no meio da minha batata da perna haha). O minimalismo é excludente. Tem quem argumente o contrário, dizendo que não diz respeito a moda, mas sempre diz. Ingênuo quem pensa que não.

5 – Em resumo, eu acho bem ridículo rs

Eu acho. Mesmo. Essa ideia do não acúmulo a qualquer custo, essa ideia atrelada ao “largar tudo pra viajar o mundo”, ao “””empreendedorismo”””, ao ativismo vazio. Eu acho bem ridículo. Acho que não contribui para um mundo melhor, e é apenas parte de uma grande cadeia de coisas que não contribuem. Mas eu entendo. É mais fácil comprar a camiseta sustentável ou o móvel de madeira do site hipster e achar que é muito minimalista e descolado. É mais fácil se achar a ativista porque é contra testes em animais, mas continuar comprando cosméticos produzidos por pessoas mal remuneradas. É mais fácil se preocupar com tudo que é superficial disfarçado de profundo, do que de fato abrir mão disso tudo.

Eu poderia aderir ao minimalismo, se ele fosse um pouco mais focado nas pessoas e no que acontece com elas. Se ele fosse mais sobre preservar e menos sobre não acumular cegamente. Se ele fosse feito e difundido por e entre quem tem menos, e não nas camadas mais altas. Se ser minimalista for viver com menos aproveitando ao máximo, eu até sou. Mas prefiro achar um outro nome pra isso. Eu sou devagarista. Eu sou suburbanista. Sou bonitezarista. Mas minimalista? Não, obrigada.

Cinco razões pra começar a costurar hoje

Depois de eras e eras e eras sem escrever aqui por motivos de vida degringolada (nem vou entrar em detalhes, ao menos não nesse post), voltei pra falar sobre algo que tem me feito muito feliz: costurar. É lindo, é feliz, toma menos tempo do que todo mundo acredita, e absolutamente qualquer pessoa (com o mínimo de paciência hehe) consegue aprender! Eis uma lista (não supero esse amor por listas haha) de razões para começar a costurar:

1 – É econômico

Tenho visto saias no estilo que gosto com preços que variam entre R$ 150,00 e R$ 400,00. Por uma porção enorme de motivos (alguns serão inclusive expostos abaixo), não pago isso em uma roupa, especialmente se ela estiver sendo vendida em uma grande rede. Acredito em valorizar o trabalho de quem faz, mas mesmo que eu quisesse, não conseguiria dar tanto em uma peça de roupa.

Agora corta pra costura. É possível encontrar tecidos lindos por preços super acessíveis. Pra saia de melancia que postei no Insta semana passada gastei R$ 17,00 no tecido e reaproveitei um zíper de outra peça. Uma saia que é vendida por aí por uns 200 mangos saiu por 17 reais. Se eu for computador a minha hora de trabalho, ainda assim sairia mais barato, porque demorei aproximadamente 2h30 pra terminar tudo.

Além dos tecidos que já são baratos, algumas lojas possuem bancas de retalhos, em que você acha barganhas ainda melhores. O tecido de melancia mesmo custava R$ 19 o metro. Comprei 1,80m pelos 17, pois estava na banca. Não necessariamente são retalhos pequenos: o fim do rolo e tecidos com pequenas avarias também vão pra banca. Vale se afundar nas montanhas e encontrar pechinchas incríveis! A maioria das lojas do SAARA tem essas bancas, vale uma visita!

estampa

2 – Você tem certeza da procedência

Toda vez que comprava roupas, ficava encafifada pensando nas condições de trabalho de quem fez aquilo. Essa pessoa era bem paga? Trabalhava uma quantidade humana de horas? Tinha benefícios? Trabalhava em um ambiente seguro? É muito difícil responder essas questões com certeza quando se compra em grandes redes. Pra minha classe social/condição financeira, esses eram os únicos lugares em que eu conseguiria comprar. Já me preocupava antes, mas depois de ver o doc The True Cost, se tornou impossível fazer vista grossa mesmo de vez em quando (não sou uma santa, cheguei a comprar nessas lojas antes do doc, mesmo sabendo de onde poderia ter vindo. Me senti mal, mas fiz). Aqui não vale aquele ditado “o que os olhos não veem o coração não sente”. Meu coração sente sim, e eu prefiro não fazer.

Corta pra costura de novo! Quando você costura, sabe como está trabalhando quem faz a sua roupa! HAHA Além disso, pode também inventar mil coisas diferentes, usar peças exclusivas, fazer consertos e reformar peças de brechó. Nunca mais calça caindo ou camiseta furada embaixo do braço! hahaha

Como eu ainda assim me preocupo, procuro comprar tecidos fabricados no Brasil, e sempre dar uma conferida na internet se existe algum escândalo ou problema relacionado a empresa. Normalmente a marca do tecido vem estampada nas barrinhas laterais, e é só jogar no google. Não vale se preocupar com a roupa pronta, mas comprar tecido fabricado nos cafundós do oriente, né? Na dúvida, a gente evita!

3 – Ter algo feito por você é maravilhoso!

Quando é a gente que faz, acabamos dando mais valor. Assim como peças compradas de pequenos empreendedores, as costuradas por você tem um valor que vai muuuito além do financeiro. Você coloca capricho nos detalhes, investe em coisas bacanas e pode dizer com orgulho “fui eu que fiz!” quando alguém elogiar. Costurando fazemos amigos, e quando mais se pesquisa, mais se encontra gente que também costura, blogs, tutoriais, é quase um vício! HAHA

melancia

Na semana passada três desconhecidas elogiaram minha saia na rua, e eu quase morri de felicidade. Confesso que estava andando com mais confiança, é uma felicidade indescritível. Uma senhora no ônibus até me deu os parabéns quando eu disse que fui eu que fiz, foi lindo! <3

4 – Costurar é o melhor caminho pra quem está fora do padrão

Como a roupa feita em casa é desenvolvida a partir das suas medidas, ela sempre cai bem! Não importa se você é alta, baixa, magra ou gorda: o comprimento, o gancho e a cintura vão sempre ficar perfeitos. Eu por exemplo, além de ser plus size, tenho uma diferença enorme entre o tamanho da cintura e o do quadril. Pra vocês terem noção, minha cintura tem metade do tamanho da minha bunda! HAHA Em resumo, é muuuuito difícil uma roupa de loja ficar bem em mim, mesmo de loja plus. normalmente sobra muito na cintura ou, quando fica bem na cintura, aperta muito no quadril. Como resultado, a maioria das roupas não valoriza minhas curvas fartas: ou eu pareço um saco de batata amarrado no meio, ou pareço ter uns 30kg a mais do que tenho. Amo meu corpo e meu tamanho, mas também amo ver minha cintura fina valorizada, né? hehe

saco de batata

Um caimento é um caimento, é a parte mais importante pra se sentir bem com uma roupa. Cintura alta que é realmente alta, calça que não deixa o cofrinho aparecendo, roupa que não aperta em canto nenhum e por aí vai. Além disso, você escolhe o que você veste, como veste, como é. Isso é revolucionário!

5 – Exclusividade e mais exclusividade

Eu amo coisas exclusivas na mesma proporção que odeio fast fashion. Acho que o prêt-à-porter só surgiu pra fazer as pessoas se sentirem piores, especialmente as mulheres. Não existe lugar em que todas as pessoas tenham o mesmo corpo, e o pronto pra usar não respeita essas particularidades. Algumas empresas até lançaram linhas com modelagens para diferentes tipos de corpo, como a Levi’s, mas só vão até um determinado tamanho. Por alguma razão, a indústria acha que todos os gordos tem o mesmo corpo, todas as pessoas altas, todas as minorias. Aos olhos da indústria, é você que se adequa a ela, e não o contrário. Porque dar dinheiro pra quem não te respeita, né? É quase como alguém virar pra você e falar “Otário!”, e você entregar dinheiro pra pessoa por isso. Não seja a Naiara Azevedo: a superioridade de dar 50 reais pra quem te magoa só funciona na música. HAHAHAHA

Além de todas essas questões (socorro, eu amo a palavra além), tem mais: imagina chegar em qualquer lugar com a certeza de que absolutamente ninguém tem uma roupa igual a sua? Isso é quase ser uma celebridade no tapete vermelho! Mais legal, até, porque vira e mexe rolam aquelas gafes e duas pessoas vão com a mesma roupa a algum evento. Quando você compra um tecido, mesmo que outras pessoas comprem, é praticamente impossível que elas façam a mesma coisa que você. Mesmo que a base seja a mesma, cada um adiciona diferentes detalhes e nuances as peças.

florzinha

Não sei vocês, mas eu amo me sentir a Barbie Noiva do rolê: só ela tem, mais ninguém.

Bem amigos da Rede Bobo, é isso! Espero que esses cinco motivos sejam tão fortes e lindos pra vocês quanto são pra mim, e que você termine esse texto com uma vontade loka de começar a costurar! Não tem máquina? Mantenha a calma! É possível encontrar máquinas de segunda mão por valores justos, e pesquisando dá pra achar ateliês que alugam o espaço, com várias máquinas a disposição. Minha dica nesse caso é: modele em casa e vá com tudo cortadinho, pra economizar. hehe

Quem for do RJ e quiser ajuda, me manda mensagem, vamos marcar um café com costura (e bolo, porque tudo fica melhor com bolo haha)! Ainda não sei muuuita coisa, mas vou adorar passar adiante o que sei. <3

Beijos, queijos e uma excelente semana pra vocês! \o/