Acho engraçado como hoje em dia existe toda uma cultura do ser zen e ficar de boa. Acredito que sejam de fato práticas maravilhosas, quando feitas da maneira correta. O que ninguém explica é qual é exatamente o limite entre ser “de boas” e estar na realidade engolindo sapos e se autodestruindo. Te soa exagerado falar em autodestruição? Pra mim, qualquer coisa que não funciona para nos elevar, funciona para nos sabotar. Vamos por partes.
Ser zen, meditar, falar de maneira tranquila e todas as coisas relacionadas sempre soam como coisa de gente elevada. Gente elevada não grita, não briga, não desce do salto. Gente elevada não coloca a mão na cintura com o dedo pro alto. Gente elevada medita, come orgânicos, anda e bicicleta e perdoa como quem compra banana na feira (isso faz sentido? hahahaha). Todas essas coisas estão bem distantes da realidade do cidadão comum. É difícil ser zen no ônibus sem ar condicionado. Comprando no Supermercado Mundial. Andando embaixo dessa lua. Com vários gatos, cachorros, tartarugas e humanos em casa. Daí o ser humano proletário começa a ler muito, tenta praticar, tenta se “””elevar””” copiando os caminhos. Já caí nisso a alguns anos atrás, mas agora volto vacinada pra dizer: é possível. Mesmo com todos os problemas e perrengues do dia a dia, com todas as provações.
O segredo, em essência, é não confundir ser zen com ser banana. Não confundir tranquilidade com passividade. Se te dói parecer tranquilo, você não está sendo tranquilo. O objetivo não é parecer, aliás, é ser. Pra você, por você, e não pras outras pessoas.
Com todas as coisas que penso, e juntando os conhecimentos que fui acumulando ao longo dos anos, percebi que minha vibe é muito mais a Namastreta. Calma, sim, mas passiva nunca. De boas, mas com limite.
No mais, acho muito chato gente que é zen demais. Sempre desconfio que tem alguma coisa errada com quem não se exalta – especialmente de felicidade. Acumular raiva, peso, tristeza é muito ruim (pra saúde, inclusive), e é importante aprender a deixar ir. Mas não ceda a pressão pra parecer tranquilo. Vira e mexe tudo que a vida precisa é de uma boa sacudida! 🙂