Hoje corri pela primeira vez

A muitos e muitos anos eu tinha vontade de correr. Toda vez em que cheguei perto de tentar, coloquei algum empecilho e desisti, mantendo somente a caminhada. Eu sentia por dentro uma vergonha gigantesca, fruto da minha timidez (que apesar de superada, vez ou outra se mostra presente) e inseguranças em relação ao corpo. Tinha por dentro a ideia de que todo mundo ficaria olhando pra minha cara, de que as pessoas ririam porque sou desengonçada, enfim, o pacote inteiro das afirmações que contamos para nós mesmos quando nos autossabotamos. A autossabotagem foi, aliás, um dos principais fatores que me afastou de sequer tentar. E então eu era essa pessoa, que vira e mexe pesquisava zilhões de coisas sobre corrida, mas desistia sempre que chegava o momento de fazer de fato.

Um dos meus focos do ano é ser mais saudável. Esse foco foi herdado do ano passado, e percebo que já é fixo na lista, por um motivo muito simples: há sempre mais a ser feito. Ter saúde vai muito além de comer bem e fazer exercícios, tem a ver também com saúde mental, com autoestima e por aí vai. Estas coisas são sementes, que precisam ser regadas constantemente para que a planta cresça e vire árvore. Sei por dentro que enquanto mantiver este foco, as raízes de cada hábito serão cada vez mais fortes e profundas. Com isso em mente, escolhi uma atividade que parece super divertida, mas que infelizmente só volta das férias em fevereiro (quando começar conto como foi). O que fazer com o mês de janeiro? Como começar a me desafiar ainda este mês? A resposta veio das conversas com o noivo: vamos começar a correr. Eu queria fazer, ele também, temos roupas e calçados adequados e essa motivação toda do ano que se inicia. É importante investir em algum dos focos ainda em janeiro, para firmar os alicerces do ano, então a ideia parecia excelente.

A sensação no primeiro dia de corrida

Precisávamos sair para buscar o violão do Matheus no conserto (a aproximadamente 1.8km daqui), então unimos o útil ao agradável: corremos o caminho de ida, caminhamos o de volta (um percurso que já fazemos normalmente a pé). Como base pra não fazer besteira e se lesionar (um pavor haha), usamos o guia do NY Times. Uma das recomendações era o método do atleta olímpico Jeff Galloway, o run-walk-run (do inglês, correr-andar-correr). O nome é autoexplicativo, e é exatamente isso mesmo: na média para iniciantes, corremos 10-30 segundos para cada 1-2 minutos caminhando. Como nenhum de nós usa relógio e deixamos o celular em casa (e no mais, contar tempo é muito chato :P), medimos tudo de maneira diferente, nos desafiando até pontos próximos (ex: um ponto de ônibus, uma árvore, etc).

Se achei que ia morrer em alguns momentos? Definitivamente, mas foi tudo extremamente positivo. Eu aguento muito mais do que imaginava. Consigo me desafiar e cumprir os desafios. Me sinto viva, feliz e motivada. Nem reparei se alguém afinal olhou pra minha cara ou riu de mim. Vencer meus limites era importante demais e tomou todo o meu foco durante o percurso. Achei que morreria de vergonha e nunca mais ia querer correr na vida. Achei, na verdade, que nem fosse conseguir começar. Dá um frio na barriga, uma moleza, a sensação de que não somos capazes. Se você aguentar por alguns segundos, só alguns segundos a mais, a sensação é substituída pela certeza de que você consegue. Mesmo que por alguns segundos. Os primeiros viram mais na segunda vez, e um pouco mais na terceira. Antes que a gente se dê conta, serão minutos, quem sabe horas? Tenho ao final deste dia uma certeza: com a motivação correta – de autocuidado, de amor ao corpo que tem, de se sentir mais forte, saudável e confiante – qualquer um é capaz de começar qualquer coisa na vida. Depois que se começa, com a motivação certa, tudo acontece, e é mágico.

Quando foi a última vez que você desafiou algum dos seus limites? <3

Vai ficar tudo bem ♥

Com a correria insana que a vida foi virando nas últimas semanas, não consegui parar pra escrever aqui. Daí hoje tive um pequeno contratempo, e achei que era o momento perfeito pra passar essa mensagem: vai ficar tudo bem. Quase um mantra que fico repetindo mentalmente, e que sei que muita gente ao meu redor precisa repetir também. Vai ficar tudo bem. Entrei na minha conta bancária de manhã e descobri que tinha 20 reais pra passar até o início do outro mês. Vai ficar tudo bem. Me descabelei por alguns minutos, fiquei com uma angústia, a sensação de que estava tudo sendo em vão, e que de repente eu era de novo a pessoa aflita com mais mês que dinheiro..rs..Daí eu parei, respirei fundo e tentei organizar mentalmente tudo o que esse ano tem sido. Focando nas coisas boas percebi que a gente se aperta, mas as coisas acontecem. Eu não sou aquela pessoa, porque tenho construído tanto que ela não cabe.

Fui convidada pra participar com A Cadernista do Salão internacional do livro do Rio de Janeiro e isso foi muito lindo e muito marcante pra mim. Estava com vontade de vender o material todo e matar esse projeto, mesmo com todo o amor que tenho por ele. Foi ficando difícil e distante com tudo que aconteceu, e esse convite – feito um dia depois da ideia de me desfazer de tudo – veio como um sinal pra continuar. Já recebi esse sinal antes sobre os cadernos, e resolvi dar ouvidos dessa vez! Estarei lá vendendo cadernetinhas e darei uma oficina de zines e encadernação. Muito amor, e muita gratidão a Jô Ramos, que lembrou de mim e me convidou. 😀

Fiz uma parceria linda com a Raquel Cukierman e troquei material gráfico por uma bolsa no curso Performar Sapa-bi, que vai ser super incrível! Estava já há algum tempo querendo participar de um curso do tipo. Performance é uma coisa que me atrai muito, e tenho sentido um chamado pra expor o que escrevo nesse formato. Além de tudo, são questões que falam muito comigo, de sexualidade, dos caminhos, então só posso sentir uma gratidão enorme por ela ter entrado na minha vida!

Comecei quinta passada um curso no Helio Oiticica que tem absolutamente tudo a ver comigo. Fala de arte e espiritualidade, com foco na caminhada como prática estética. Me inscrevi e coloquei meu coração no formulário. Fui selecionada e nem acreditei, especialmente quando descobri que pessoas ficaram de fora. Uma tristeza não ter vaga pra todo mundo, mas me senti privilegiada e feliz. Espero que todo mundo tenha oportunidade de participar no futuro!

Eu e Carol (minha amiga e cunhada linda, pra quem não sabe), começamos um empreendimento de quitutes veganos. Primeiro ovos e bombons pra páscoa, e depois vamos nos aventurar pelos salgados, hambúrgueres e coisas do tipo. Trabalhar com comida é um sonho muito antigo e que nunca nem tentei tirar da gaveta. Estou explodindo de felicidade, especialmente porque a Carol é muito tranquila, motivada e cheia de ideias, então a gente combina e tudo flui! Quase choro quando falo disso, porque a Inclusiveg é realmente um sonho se tornando realidade!

Esse mês eu fui ao cinema, ao teatro, exposições, feira de arte impressa e uma porção de coisas bonitas. Conheci lugares novos, voltei a outros que não ia faz tempo, reencontrei pessoas queridas e circulei pela cidade. Do início do ano pra cá estou gradativamente voltando a me locomover a pé, como eu fazia antes da depressão consumir meu corpo. Eu emagreci uma porção de quilos e minhas roupas cabem em mim de novo, algumas até bem folgadas. Não fico feliz pela perda de peso em si – quem me conhece sabe que não ligo – mas é diferente quando começa a afetar suas tarefas diárias, coisas que você ama fazer. É diferente quando o ganho de peso é resultado de um processo ruim, sabem? E então fico feliz pelas mudanças e pelas conquistas e pelas caminhadas e por todas as coisas boas.

E só de escrever isso tudo, já sinto a vida melhor. Vai ficar tudo bem porque estou bem. Vai ficar tudo bem porque hoje consigo me desesperar mas logo em seguida colocar o que é bom no topo. Os contratempos vem e vão, as coisas boas vem e vão, mas se a gente permanece com a raiz fincada no chão faça sol ou faça chuva, prosperamos e damos frutos. Quando o foco é no bem e no que é bom, o resto vai só ficando pra trás.

Se você está passando por um momento angustiante ou desesperador, respira fundo e repete, fala em voz alta, grite até: vai ficar tudo bem. É só um momento, e os momentos passam. Existe tanta coisa bonita pra acontecer, tanta. Se a seis meses atrás alguém me falasse que essa seria a minha vida agora, eu não acreditaria. Os processos se desenrolam muito rapidamente se dermos chance. Então levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e vamos a luta, porque o tempo é curto e o sonho é grande! <3

Como ser um ser humano de sucesso (fora dos padrões normais)

Olá, pessoas bonitas!

Andei um tempo escrevendo no meu outro blog, mais voltado para literatura, e acabei parando o ritmo intenso de postagens por aqui..rs..Como a boa filha a casa torna, cá estou eu com algumas ideias e pensamentos que organizei recentemente, e que tem muito mais a ver com o cantinho de cá.

Muito se fala sobre sucesso hoje em dia. Dicas, livros, fórmulas. Um sucesso pronto e empacotado, em que nós todos supostamente devemos nos encaixar. Um sucesso que tem a ver com dinheiro, com carreira nos moldes normais, com essa ideia estranha de “ser adulto” que permeia a internet. Como eu vivi e vivo completamente fora desses padrões (e tenho certeza que quem gosta dos meus textos também vive ou gostaria de viver), trago hoje um apanhado de dicas sobre o assunto. Coisas que aprendi com o tempo e outras que gostaria de ter dado ouvidos mais cedo (sim, não estou reinventando a roda! Muito disso vem de ideias e pensamentos que me deram ao longo do tempo e hoje compartilho ^^). Lá vamos nós:

1 – Seja gentil

Esse é o conselho mais precioso da vida. Seja gentil e atencioso com todas as pessoas que passarem pelo seu caminho. Não sabemos o dia de amanhã, e aquela conversa aleatória na fila da padaria ou o comentário em uma publicação pode render amizades e até parcerias profissionais. Esteja presente (falo muito sobre presença, e acho que merece até um texto próprio!), ouça tudo, absorva o que te couber! Com gentileza e atenção chegamos muito mais longe. Diferente do que pregam, a vida não precisa ser uma competição: o pensamento e a ação coletivos rendem muito mais frutos!

2 – Abrace as oportunidades

Você já deve ter lido e ouvido incontáveis vezes a expressão “agarrar as oportunidades”. Não gosto dessa expressão! Além de trazer em si uma agressividade forte, me parece tudo muito corrido e voraz. Pra aproveitar a vida de verdade é preciso paciência e amor, então faça diferente: abrace as oportunidades. Com amor e carinho e dedicação. Dê o seu melhor pro projeto grande e pro pequeno. Coloque o mesmo ímpeto e a mesma vontade em tudo que se propuser a fazer. Converse com as pessoas, peça feedback, não deixe o medo te impedir! Coloque os bracinhos em volta da oportunidade, feche os olhos e deixe a vida fluir! haha 😀

3 – Vá sem julgamentos

Já vi muita gente dispensar projetos porque não tinha ninguém “”importante”” envolvido. Acho que todos nós conhecemos gente assim, que acredita que só vale a pena pro currículo e pra vida o que envolve determinados tipos de pessoa. Esqueça completamente esse conceito. Todo mundo traz consigo uma bagagem fantástica esperando para ser compartilhada. Se manter aberto e sem julgamentos pode te levar a lugares incríveis. Foi sendo assim que fiz os melhores passeios, estive nos melhores eventos e conheci as melhores pessoas.

4  – Respeite seu tempo

Esse é um conselho bem clichê, mas que eu demorei muito tempo pra entender e aceitar. Com as redes sociais e a internet, fomos nos acostumando a comparar nossa vida a dos outros. Cada um tem um caminho a trilhar e com ele todos os altos e baixos. Aquela pessoa que se formou novinha, por exemplo, pode ter tido oportunidades que você não teve, assim como a sua formação mais tarde pode te proporcionar uma experiência que ela nunca vai ter. Uma coisa não invalida a outra, e se você se mantiver aberto a troca, pode aprender muito quem tem um caminho diferente do seu. Sem julgamento, sem competição e – especialmente – sem a sensação de que você deveria estar nesse ou naquele lugar a essa altura da vida.

5 – E por falar em formação…

…vida acadêmica não é tudo, e muito menos é o único caminho para se alcançar o sucesso! Eu me dei muito muito bem em todas as faculdades que entrei, e sou lembrada pelos meus professores até hoje. Apesar disso, o sistema de ensino apenas não funciona pra mim. Não tenho formação superior, e não pretendo ter tão cedo.

O que fiz com isso? Li e escrevi e aprendi o que eu queria, da forma que eu queria. Não tenho diploma, mas tenho uma carga de conhecimento muito maior do que a de muitos estudantes de mestrado que eu conheço. O ambiente acadêmico pode ser muito limitador, especialmente pra quem é curioso e inquieto. Isso não significa que seja ruim, significa apenas que ele é bom pra quem o aceita como ele é e consegue funcionar dessa maneira.

Sou designer e trabalho em uma agência onde atendo clientes de diferentes portes. Lá também atuo como redatora e web designer. Falo inglês fluente, sou artesã, canto, componho músicas, toco ukulele, sou cabeleireira, fotografo, sou escritora e artista visual. Aprendi tudo isso sozinha. Li uma infinidade de livros. Vi uma infinidade de filmes. Conheci uma infinidade de pessoas e consigo manter conversas significativas em qualquer meio. Não escrevi esse parágrafo pra me vangloriar, só pra mostrar que uma vida rica e produtiva é possível fora dos muros da universidade!

6 – Seja a exceção

Toda vez que conto minha história, ouço coisas como “ah, mas é diferente”, “mas você é exceção” e relacionados. Nunca consegui entender muito bem quem se enxerga como regra, então fica aqui o conselho: seja a exceção. Pense como exceção. Crie a sua forma de viver, de ver o mundo e de produzir. Isso vale para todos os campos da vida! Não aceite menos do que você merece, e todos nós merecemos nos sentir plenos, amados e felizes.

Sei bem como de vez em quando bate a insegurança e a vontade de desistir, mas quando isso acontecer, mantenha o seguinte em mente: você é exemplo para alguém. Podem ser seus amigos ou pessoas aleatórias que te acompanham na internet. Pode ser aquela prima mais nova ou seus irmãos. Alguém está vendo o que você faz e tira forças disso pra continuar. Então seja a exceção! Seja a pessoa fora da casinha! Agindo assim você vai ter que aturar muito julgamento e talvez até pessoas próximas tentem de convencer de que você está errado. Se você acredita, vai fundo. A diferença muda o mundo, não a regra. Pode parecer exagero, mas te digo: todos nós podemos ser uma semente da mudança. Pra florescer, basta acreditar, ir regando tudo com amor e seguindo em frente. O vento vem, a chuva vem, tudo parece ir contra, mas no final a gente com certeza floresce! <3

Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de coração! Quem quiser me mandar mensagem ou bater um papo, me adiciona no face clicando aqui, ou comenta aí embaixo! Vem sem medo que a troca é certa! 😀

A 1ª selfie do ano

Estando fora das redes sociais, não tirei nenhuma foto minha do início do ano até o dia de hoje. Quase metade do mês sem milhares de selfies que não seriam postadas. Quase metade do mês sem me sentir horrível nas fotos repetidas vezes e reparar em detalhes da minha imagem que ninguém mais veria. Isso tudo está nos deixando doentes. Abalando nossa autoestima, nossa autoconfiança. Esse desespero com a imagem, desespero de estar presente em tudo, de participar. Uma angústia que só nos torna mais distantes e ansiosos.

Mais do que tudo isso, quase metade do mês sem nenhuma mini crise de ansiedade. Sem o coração disparando e sem falta de ar e sem pressa. Eu fiz mais, li mais, escrevi mais, experimentei mais. Me sinto mais bonita e mais ativa. Saio de casa sem maquiagem, olho no espelho e me acho linda. Me acho eu. Me sinto uma pessoa completa e presente nos momentos, sem a distração de um feed infinito colocando gradativa e sutilmente coisas na minha cabeça. Quando estava lá, achava que era imune. Hoje vejo que mesmo não estando tão profundamente viciada quanto a maioria das pessoas que conheço, em algum grau me afetava sim negativamente. Me sinto muito melhor agora.

Por outro lado, essa experiência – como tudo na vida – também tem seu lado ruim. As pessoas passam mais de 4 horas do dia perdidas em redes sociais, mas me acusam de ser “extrema”. Extrema por não participar de algo que não quero? Extrema por fazer o que quero da minha vida e não tentar obrigar ninguém a fazer o mesmo? Não faz sentido pra mim. Outro ponto super ruim é o fato de que pessoas próximas passaram a agir como se eu não existisse. E eu fiquei triste por perceber que muitos dos assuntos que essas pessoas puxavam comigo tinham a ver com as redes sociais. “Viu o que tal pessoa fez?”, “viu o que eu postei?”, “viu o que eu te marquei?”. Muitos assuntos começavam assim. Não sei se por isso ou por qual outra coisa, é como se eu tivesse deixado de existir. Me sinto as vezes ligeiramente isolada, mas por outro lado parece haver um mundo inteiro de possibilidades e pessoas na mesma sintonia pra conhecer. As pessoas realmente próximas permanecem próximas, sem decepções, e isso é o que importa.

Fico bastante impressionada com a diferença que isso tem feito na minha vida, e talvez por isso esteja dedicando um segundo texto pra falar sobre. Recomendo a todos a experiência, do fundo do coração. Não se deixe ser engolido pelo mar de ansiedade que a internet está se tornando. Não deixe eles lucrarem as custas da sua sanidade e do seu bem estar. Existe um mundo enorme e maravilhoso fora disso tudo.

Pra finalizar – especialmente pra quem insiste em querer me convencer de que o Facebook ajuda a criar conexões reais – deixo aqui algumas provocações:

  • Faça uma lista com três pessoas com as quais você tenha se conectado profundamente – mente, corpo e alma – somente por causa do facebook. Não vale gente que você admira de longe, não vale quem você curte e comenta os textos sem conversar profundamente sobre o assunto. Não vale a sensação da conexão. Só valem as conexões reais. Gente que você conhece a vida, a família pelo nome, os sonhos, ambições, vontades. Gente que você encontra e abraça e ama.
  • Quantas vezes você já saiu de casa mesmo sem muita vontade, porque se sentiu ansioso pensando no que ia perder, ou em como ia ser ruim ver as pessoas se divertindo no instagram e não estar lá?
  • Quantas vezes você postou foto em festas, eventos e lugares – mesmo que não estivesse realmente se divertindo – com legendas que davam a entender que aquilo estava sendo ótimo, do tipo “melhor noite da vida”?
  • Quantas pessoas você já stalkeou virtualmente? Isso te fez mais feliz ou mais ansioso?
  • Quando foi a última vez que você não se importou com a cara que ia sair na foto?

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Eu hoje, por exemplo, não me importei nem um pouco.

Uma semana sem carne ♥

Para fins de experiência – eu vivo por elas ♥ – resolvi passar uma semana sem comer carne. Não que eu seja a maior carnívora do planeta. No geral não como carne, seja porque acho os preços extorsivos (especialmente da carne vermelha), ou somente porque não ligo muito. Com tanto legume, fruta e verdura lindos, a ideia de algo gorduroso e esquisito não me apetece muito.

Ainda assim, e levando em consideração que passei a maior parte do ano passado comendo na rua, estava me sentindo carregada. Comida de quentinha no geral é pesada, pois os pratos são pensados pra sustentar os trabalhadores braçais. Segundo o senso comum, a “sustança” é o que segura o trabalhador, então 90% da quentinha comumente é composta por arroz e feijão. Nos outros 10%, carne e um acompanhamento, que normalmente também não é nada tão saudável e feliz (macarrão, farofa, batata frita, maionese e por aí vai). Mais do que pensar nessas questões, tenho pensado muito sobre a indústria da carne e a forma como ela funciona. Além de achar absurdo e desumano, me incomoda um pouco não saber de onde vem o que eu estou comendo. Pode soar besteira pra alguns, mas acredito muito que a energia que é colocada no que comemos faz toda a diferença. Um animal que cresceu triste, confinado e teve uma morte sofrida não pode fazer bem.

Esses dias estava conversando em casa sobre como o mercado pega o que deveria ser normal – e até obrigação – e transforma em algo que justifique preços altos. Isso acontece na moda com empresas que dizem não utilizar trabalho escravo, por exemplo. Na alimentação, acontece com os orgânicos, com animais criados no pasto feito antigamente, com abate humanizado. Eu acho bastante absurdo se usar dessas premissas pra ganhar ainda mais dinheiro. Usar o “custo elevado na produção” como razão pra cobrar mais caro também não cola comigo: a diferença é que eles vão de lucro absurdo pra lucro razoável, nada mais. Não existe justificativa plausível. Acho muito triste que as modinhas da mídia tenham influência tão forte em uma coisa tão básica e necessária quanto alimentação, mas isso é assunto pra outro post! Voltando a semana sem carne:

Por todas essas questões que expus, e por não ter acesso (#proletária) a carnes de abate humanizado, resolvi fazer a experiência. No domingo fui ao hortifruti (acordei tarde e perdi a feira, uma tristeza) com minha listinha e na segunda-feira comecei. O café da manhã já postei aqui, foi uma variação daquilo todo dia (cada uma melhor que a outra). No almoço variei entre saladas e algumas preparações cozidas, e fechei os almoços da semana com um sanduíche mara: pão integral de passas, de uma padaria maravilhosa – e com preços justos – perto de casa, queijo cottage (queria ser vegana, mas o queijo não permite ahaha) e mais algumas coisinhas. Como diriam os jovens, #sextou. hahaha

Não tenho o costume de jantar, mas resolvi variar essa semana. Em alguns dias comi refeições leves e ontem comi cereal com leite de arroz (café da manhã na janta pode sim HAHA). No geral, comi mais frutas, legumes e verduras do que vinha comendo a meses. No geral, gastei bem menos dinheiro do que normalmente gasto comendo ao longo da semana. Resolvi fazer uma listinha de pontos positivos (não achei nada negativo ♥):

1 – Economia e alegria: com o dinheiro que usava somente pra almoçar, comprei comida que deu pras três refeições da semana inteira mais alguns snacks pra comer entre elas (barrinhas de nuts, cereal, leite de arroz, frutas)

2 – Me sinto mais leve e feliz: estava me sentindo morta e terminava todos os dias dolorida e inchada. Durante essa semana fui me sentindo progressivamente melhor. Nada agressivo porque a vida não muda em uma semana, mas me sinto muuuito melhor agora do que a duas semanas atrás (já estava me alimentando um pouco melhor semana passada, mesmo sem a experiência).

3 – Minha pele está lindíssima: minha pele andava horrível e mais oleosa que o normal, com os poros abertos e cheia de mini-espinhas-tenebrosas. Agora me sinto quase uma celebridade hollywoodiana. HAHA

4 – Minha alergia diminui consideravelmente: tive na semana um total de meia crise alérgica (graças a mudança brusca de temperatura). Nada de nariz escorrendo, nem de espirros, nem de coceira. Fiquei realmente impressionada!

Com tudo, pretendo continuar o experimento! Conforme for me organizando – é bem mais difícil fazer e organizar o cardápio do que comprar comida na rua, né rs – vou compartilhando aqui minha rotina, receitas e etc (incluindo tudo que der errado, porque como dizem, “é fazendo m* que se aduba a vida”! HAHA)

ps: pesquisando sobre semana sem carne no google achei esse texto do Hypeness. Bem interessante, um ponto de vista bem parecido com o meu.

Outro link ótimo é o da Segunda sem carne. Pra quem não quer começar com uma semana de estalo, que tal as segundas-feiras? ^^

Alguém aí é vegetariano ou vegano? Já fizeram alguma experiência parecida? 🙂

 

Somos tão jovens

Ia postar este texto no meu outro blog, mas acho que tem mais a ver com esse aqui, haja visto que fala sobre questões que de alguma forma tem a ver com consumo, ao menos em essência. Então lá vai:

Jovens, por favor, parem de falar de dinheiro. De ter dinheiro, de ganhar dinheiro, de acumular dinheiro. Eu já estive nesse lugar, acho. Não de acumular, mas de ganhar, de ter. Eu queria ter dinheiro pra bancar as coisas que eu queria fazer. Nunca fui de gostos caros, mas eu gostava de comprar. Talvez tenham sido as pindaíbas da vida que me fizeram assim, mas com meus 19, 20 anos, eu era uma super gastadeira. Roupas, sapatos, bolsas, passeios, almoços e jantares. Na Barra da Tijuca onde eu trabalhava e estudava durante a semana, no Centro e Zona Sul pra onde eu normalmente ia nos finais de semana, eu gastava e gastava e gastava. E eu não sentia nada. Absolutamente nada. Nem remorso por gastar uma fortuna, nem felicidade por gastar uma fortuna. Eu entrei fácil na mentalidade do “trabalho muito, eu mereço”. É exatamente essa mentalidade que vejo agora deixar doentes as pessoas da minha faixa etária, as um pouco mais jovens e as um pouco mais velhas.

Não estou dizendo que todo mundo tem que viver pela minha mentalidade de agora, longe de mim. Cada um tem que descobrir sua própria noção de sucesso e satisfação pessoal, mas é exatamente este o ponto: a sua noção de sucesso. Eu vejo gente de 20 e poucos anos que é gerente de um monte de coisa, que está fazendo ou já fez mestrados mil, pós, doutorado e mais sei lá o quê. Gente de 30 anos casada, com filho, com aluguel, com condomínio, com carro pra pagar. E infeliz. Gente que fica até tarde no trabalho porque não vê prazer em voltar pra casa. Gente que se enfia nos estudos achando que vai ficar rico pra não ter que lidar com os perrengues normais da vida. Gente que deveria estar aproveitando o tempo e ao invés disso está mergulhada em alcançar estabilidade.

Deixa eu contar um segredo pra vocês: estabilidade não existe. Ela é uma ilusão que colocam na nossa cabeça desde cedo, pra fazer a gente se render a tudo que é considerado certo e normal. Ela é uma ilusão que deixa a gente doente tentando se adequar, tentando alcançar o tão almejado sucesso. Saí do ensino médio com 16 anos. Meu plano era ter duas graduações antes dos 25. Não completei nenhuma até hoje e não me arrependo. Se eu tivesse me formado na primeira que entrei, não teria vivido metade das experiências incríveis que vivi. Aí você argumenta um “ah, mas você teria tido outras experiências”. Mas será? Será que eu não estaria agora completamente arrependida da vida? Eu nunca vou saber, certo? Ainda assim, consigo olhar pra trás e estar em paz com o caminho que escolhi. Hoje tenho um emprego que adoro, aprendo coisas novas todos os dias, e vejo vários colegas que entraram comigo na faculdade de comunicação e não conseguiram emprego na área até hoje. Muitos, inclusive, desistiram e foram fazer outras coisas da vida.

Me dá uma dor muito grande no coração enxergar todos esses padrões. Me dá uma dor maior ainda quando alguém de menos de 30 anos me olha esquisito quando falo sobre minha filosofia de vida, e eu sei que aquela pessoa não está plena e feliz e em paz tentando alcançar o sucesso padrão. É possível viver de maneira diferente. Existe vida fora da universidade, fora da carreira, fora do dinheiro. Ela é real e ela é linda. Existe vida fora da sociedade de consumo, e você vai se surpreender com quantas pessoas e iniciativas incríveis você conhece quando sai da sua bolha.

Não estou dizendo, com isso tudo, pra todo mundo chutar o balde. Mas desacelerem. Somos muito jovens, ainda. Se você tiver 30 anos agora e morrer com 60 (o que é bem jovem e eu desejo que não te aconteça haha), você ainda tem metade da sua vida pra viver. Sabe? Não espere o final de semana pra ser feliz, não espere as férias pra viajar, não espere a vida passar pra olhar para trás e perceber que você nunca fez uma escolha consciente. Que você usou todo o seu tempo em coisas que na realidade não te renderam nada. A estabilidade é uma falácia construída pra nos manter no cabresto. As pessoas mais incríveis que eu conheci na vida tirariam zero na prova da estabilidade padrão.

Além de tudo, toda essa correria acaba com a saúde. Eu conheço pouquíssimas pessoas da minha faixa etária que nunca tenham tomado um tarja preta na vida. Antes de acordar pra isso tudo, já tive um colapso nervoso no meio do carnaval e terminei tomando rivotril na emergência do hospital. Isso não faz nenhum sentido, gente, nenhum. É pegar a juventude – de alma, especialmente – e jogar fora. Não jogue sua vida fora. Escolha consciente, faça o que seu coração manda. Eu tenho certeza absoluta que nenhum coração na história gritou coisas como “ganhe dinheiro”, “cresça na carreira”, “tá namorando a muito tempo, hora de casar” e “porque não comprou um carro ainda?” pra ninguém.

Enfim, é isso. Quase um desabafo. A vida é curta demais pra não ser feliz agora, e longa demais pra permanecer infeliz. 😉

Vida sem shampoo – Parte I

Tinha resolvido que só falaria sobre isso após um mês sem shampoo, mas ainda falta uma semana e dois dias e eu não me aguento. hehe Deixei a ansiedade falar mais alto e aqui estou a escrever sobre essa experiência incrível e gratificante. São atualmente quase três semanas sem shampoo e meu cabelo continua respondendo bem. Sei que não é assim pra todo mundo, e por isso resolvi fazer esse post.

Muito se fala sobre técnicas alternativas de cuidados com os cabelos. A mais famosa, No Poo, consiste em não utilizar shampoos com sulfatos e outros químicos pesados proibidos. Existem diferentes variações da técnica, que vão desde fazer o co-wash – uma higienização com condicionador – até outras mais “radicais” (radical pra mim hoje em dia é colocar um monte de química esquisita no cabelo, mas falta palavra melhor hehe), como utilizar bicarbonato de sódio na lavagem e vinagre pra condicionar, ou utilizar apenas água no cabelo. A última pode parecer estranha mas, acredite, o cabelo se adapta. Eu escolhi não utilizar nenhuma dessas técnicas, e explico abaixo porquê.

Substituindo uma ditadura por outra

Do meu ponto de vista, o que se vê como No Poo no Brasil não faz sentido. Mesmo sem os químicos nocivos dos produtos tradicionais, os produtos liberados pra No Poo contém químicos de nome estranho, são produzidos industrialmente e causam sabe-se Deus quanto impacto na natureza e nos animais. Existem sim marcas conscientes, que produzem em pequena escala e são super engajadas, mas essas marcas custam uma fortuna e nem todo mundo tem acesso. Eu, por exemplo, não tenho. Indo um pouco além, sempre me questiono o seguinte: se uma grande corporação cria uma linha liberada pra essas técnicas, mas não tira do mercado os produtos tradicionais cheios de químicos nocivos, qual é o sentido? Pra mim, abolir esses produtos vai muito além da minha saúde e bem estar: tem relação com a sustentabilidade e a saúde do planeta. Tem a ver com o fato de que as indústrias não praticam a logística reversa e todos os anos uma infinidade de embalagens – de produtos liberados para a técnica ou não – vai pro meio ambiente.

Acho os grupos de No Poo e Low Poo do facebook maravilhosos. São um espaço de aceitação, amor e tretas. Muitas tretas. Quem pode fazer, quem não pode fazer, quem vale mais e quem não vale. Vira e mexe rola racismo, uns comentários escrotos, uma falta de tato e de noção que eu não compreendo. Não dou pitaco em nada, mas fico observando as discussões que vão de nada a coisa alguma. Não usar shampoo é um ato político sim, mas não somente quando falamos de cacheados e crespos. Mas se pegamos uma ideia bacana e ao invés de usar essa ideia pra promover o consumo consciente continuamos investindo no consumo desenfreado – e deixando as marcas usarem isso como marketing, lançando novos produtos todos os dias – a coisa toda perde o sentido. Vamos de uma ditadura (a dos lisos, das progressivas, dos produtos mil) a outra (que também visa o consumo, no final das contas, com mil cremes de pentear, nutrição, hidratação, reconstrução e o que mais nos enfiarem goela abaixo). Pensando nisso tudo, me coloquei a pesquisar e tentar encontrar outras soluções.

O que meus ancestrais faziam?

O nome No Poo é americano e patenteado. Rendeu (e rende) uma pequena fortuna pra sua criadora. Bem antes disso, a técnica já existia, sem nome, permeando a história. Basta pensarmos: sempre existiu shampoo? A resposta é simples, um sonoro “não!”. Ainda assim, as mulheres já cuidavam de seus cabelos, e ninguém andava com o cabelo sujo por aí. Em uma pesquisa rápida descobrimos que a indústria cosmética como conhecemos hoje é bastante recente, especialmente se comparada com o tempo que o ser humano transita na terra. Antes da existência do shampoo – e na realidade até hoje, em certas tribos e comunidades – outros produtos eram utilizados para higienizar e tratar os fios. Plantas, óleos, sementes, água. As possibilidades são quase infinitas. Cada lugar do mundo desenvolveu sua própria forma de lidar com a higiene e os cuidados pessoais. Algumas técnicas podem soar radicais ou esquisitas, mas disse e repito: radical pra mim hoje em dia é entupir meus poros com ingredientes que não sei pronunciar o nome.

Mais do que criar shampoos, cremes e relacionados, a Indústria fez um trabalho muito forte de desmantelamento e descrédito das técnicas ancestrais. Basta jogar “mel no cabelo” no google e somos levados ao site da Pantene, em que “Doutores” nos dizem que não é seguro utilizar substâncias naturais no cabelo, e que devemos investir em produtos desenvolvidos por eles em laboratórios. Esse tipo de técnica foi utilizada ao longo do tempo para mudar a percepção das pessoas. Não falo de grandes teorias conspiratórias, mas de pura propaganda. Existe uma tribo na China em que as mulheres cortam os cabelos apenas uma vez ao longo da vida. Os fios são fortes, grossos, vão quase até o pé. O que elas usam? Água e água de arroz (sim, aquela água branca da lavagem dos grãos, que é possível você conseguir em casa). Na África, existe uma tribo que trança os cabelos – enormes – de formas incríveis. O que eles usam? Água e outras coisas naturais e acessíveis do entorno. Esses exemplos podem ser vistos em diferentes continentes, diferentes culturas, ao longo do tempo e até os dias de hoje. Cabelos fortes, longos e lindos, sejam eles lisos, cacheados, crespos ou ondulados. Como eu disse antes, a Indústria cosmética é muito recente, mas foi muito eficaz em desacreditar esses costumes.

Mais do que militância, um caminho econômico

Resolvi então fazer o caminho inverso. Um retorno as minhas raízes e ao que as mulheres antes de mim faziam. Mais do que isso, um caminho de experimentação do que muitas pessoas fora da sociedade de consumo ainda fazem até os dias de hoje. Para desespero dos “Doutores” da Indústria, estou me dando muito bem. Nas últimas três semanas meu cabelo cresceu mais do que costumeiramente crescia, está mais forte e volumoso, minha pele está se adaptando as mudanças e meus gastos foram irrisórios.

Como comecei praticamente do zero, estipulei um orçamento de R$ 100,00. Com esse dinheiro, comprei material suficiente para passar os próximos 6 meses sem comprar pasta de dente, shampoo, condicionador e mais qualquer outra coisa que eu normalmente compraria. Mesmo pra quem não tem esse dinheiro pra investir e quer começar, existem possibilidades menos radicais ou produtos fracionados. Por exemplo, 100g de juá são suficientes pra escovar os dentes por uns 6 meses (mais, quiçá) e custam uma média de R$ 6,00. Isso significa gastar R$1,00 por mês. A pasta mais barata do supermercado custa em média R$ 2,00 e dura umas duas semanas. Em um ano, você deixa de jogar 24 tubos vazios no lixo e economiza R$ 36,00. Parece pouco? Escovando os dentes pelos próximos 20 anos, são 480 tubos a menos na natureza. Multiplique isso pela parcela da população que tem acesso a pasta de dente e o resultado é apavorante, assim como com o descarte das embalagens de cosméticos no geral.

Vou parando por aqui pois o texto já está gigantesco. Ainda falta muito pra falar, mas essa foi somente uma introdução. Nos próximos posts, falarei um pouco mais sobre as tribos fantásticas que citei e seus costumes, além de explicar passo a passo a rotina que desenvolvi pra cuidar dos meus cabelos. Espero que vocês gostem e se inspirem! Não esqueçam de seguir o blog e ficar de olho nas atualizações. 🙂