Como não se sentir um loser com o final de Janeiro?

Janeiro é um mês esquisito. A gente começa cheio de ideias e planos, no gás, e logo se depara com uma triste realidade: o ano só começa depois do Carnaval. Mesmo que não espere o carnaval para engatar, Janeiro é um mês mais morto do que o meu manjericão (triste, eu sei, mas vou superar haha), e tudo fica lento até Fevereiro chegar. Daí é aquilo: existem as coisas que são possíveis começar, e existem aquelas que dependem de fatores externos a nós. O mês terminou e eu estava aqui com a sensação de não ter feito tanto quanto poderia ou gostaria. Fiquei ligeiramente decepcionada comigo, até parar e analisar o começo do ano mais a fundo. Na realidade, fiz uma porção de coisas boas em Janeiro, e o que não começou (ainda) foi pensado mesmo pra ser diluído ao longo do ano. Algumas das coisas que aconteceram no primeiro mês do ano:

  • Voltei a desenhar. Essa foi a coisa mais insana pra mim. Tinha deixado de desenhar a zilhões de anos atrás, e não me via voltando. Não que eu seja nenhuma gênia do desenho ou a minha abstenção tenha tido algum impacto, mas, sendo bons ou ruins (quem liga?), o importante é que eu fiz. Deixei fluir, mesmo sobrepensando e tentando encontrar sentido. Até agora tem sido excelente.
  • Comecei a correr. Essa semana completamos um mês correndo. Consigo ver o progresso acontecer, e sinto que muito em breve conseguirei correr o percurso todo (por hora vamos intercalando caminhada e corrida, pro corpo acostumar e meus joelhos não morrerem hahaha).
  • Aos poucos estamos conseguindo implementar nosso plano de fazer a comida da semana toda no domingo. Tô aqui feliz da vida que a janta já está pronta (e linda e maravilhosa).
  • Fizemos uma estante pras plantas, ganhamos algumas mudinhas, compramos outras e aos poucos a casa vai tendo o verde que eu gostaria que ela tivesse.
  • Participamos de um workshop de Python e estamos – mais lentamente do que eu gostaria haha – estudando a linguagem.
  • Começamos uma rotina matinal que tem sido fantástica: meditação, automassagem e banho antes de começar o dia. Me sinto mais tranquila e consciente, e a ansiedade passa cada vez mais longe.

Essas são só algumas das coisas. Com tudo isso em mente (e todas as outras vitórias diárias), fiquei pensando:

Porque tendemos a diminuir nossos feitos, enxergando sempre o lado ruim?

Vivemos em uma sociedade (infelizmente) movida a competição. Ninguém liga para o caminho, o importante é chegar. Tanto faz se o passeio é bom ou ruim, se a vida é boa ou ruim, porque nossa noção de bom e de ruim é contaminada pela competição. Ninguém quer ser melhor pra si, todo mundo quer ser melhor que os outros. Nisso, mesmo mudando o pensamento, mesmo abraçando a vida, mesmo feliz e apaixonado pelo que se tem, alguma parte de nós – essa partezinha que cresceu em sociedade, que sofreu a influência da mídia e da competição – tende a se sentir inferior, e a analisar o canteiro do vizinho pelo verde da grama, ignorando o tempo de cuidado e manutenção que aquilo demandou para crescer. A gente enxerga o resultado e compara nossa caminhada a ele, e não a caminhada alheia. Some a isso a ideia de talento, de dom, de sucesso, e nos pegamos achando que nada é bom o suficiente, que não temos o que é preciso, que somos incapazes frente a vida.

Diversas vezes ao longo do tempo larguei coisas que queria muito fazer, porque não tinha a paciência a resiliência necessárias para aprender. Eu começava as coisas achando que quem é bom acerta de primeira, sem compreender que esse “ser bom” toma prática, toma tempo, toma autoconfiança e perseverança.

E então terminou janeiro. E por um tempinho bem pequeno fiquei achando que eu era uma loser, que eu não tinha feito nada, que o mês tinha corrido e me deixado pra trás, até eu parar e olhar de fato o que eu fiz, enxergando as coisas como caminhos, como etapas, e não como atividades fechadas nelas mesmas. Para além disso, entender que as coisas podem ser feitas só por serem divertidas, sem uma utilidade ou propósito. O tempo “”útil””, aliás, se relaciona também com a competição e com o modo como a sociedade funciona, condenando o tempo livre, a atividade pelo prazer, a alegria de viver.

Tá, mas e a resposta pra pergunta no início do texto?

Como não se sentir um loser com o final de Janeiro? É muito simples: enxergue as coisas pelo que elas são, e não pelo que você gostaria que tivessem sido. Sem frustração e sem desânimo, entendendo seu próprio ritmo, seus processos e a velocidade como as coisas acontecem naturalmente. Colocar essa lente da expectativa faz tudo parecer menor e menos importante. Mas tudo é caminho. Cada passinho, mesmo que lento. Quando olho pra Janeiro como um todo, vejo uma porção de inícios, alguns hábitos que já não me imagino sem, e mais uma porção de possibilidades para o restante do ano. São os tais dos baby steps que vivo falando, passinhos pequenos mas constantes. De vez em quando, feito um bebê aprendendo a andar, tropeçamos ou não sabemos muito bem para onde ir, e é justamente nessa hora que mais precisamos nos reconectar com a pureza infantil: a cada tropeço levantar mais forte, mais confiante, com mais sabedoria e conhecimento. Se você anda se sentindo um loser, chuta esse sentimento pra longe. Perdedor mesmo é quem nem tenta. Quem tenta e erra já é um vencedor, só por ter levantado da cadeira e começado. 😀

Como começar uma horta em casa gastando muito pouco

Tudo começou na semana passada, com a vontade (e a ação) de encher a casa de plantas. Uma das coisas que queria muito fazer aqui no apê era plantar coisas que a gente pudesse consumir, entre temperos, tomates e coisinhas possíveis de se ter num apartamento (graças a internet e a minha mãe, todo dia descubro mais uma possibilidade hehe). Pensando em qual parte do espaço conseguiria fazer isso, tive a ideia de comprar uma estante, daquelas de madeira bem baratinhas, e colocar no canto da sala (originalmente, a vontade era enfiar estante de planta em todos os cantos possíveis HAHA). Nossa ida a loja não rendeu estante, mas também não foi em vão: no meio do caminho encontramos uma cama toda desmontada, no lixo. Fomos remexer, e uma vizinha da vila fez questão de nos contar que era uma cama de Jacarandá. Com minha mentalidade roceira, já pensei logo “lá vem a criatura querendo me vender o que ia pro lixo”. Só que não. Era só mais uma velhinha simpática, aleatória e falante ligeiramente além do limite, como encontro bastante aqui pela Tijuca. 😛

Pegamos as madeiras e trouxemos pra casa. A estante estava ali, só não montada ainda. Uma porção de ripas e partes que variam entre um tom turquesa e a madeira crua, clarinha, exatamente como uma outra prateleira que tinha parada por aqui e também entrou na dança. Eis o resultado:

Gostei muito da vibe “resto de obra”, e também da cor das ripas (incluindo os descascados hehe). Com tudo, a estante custou menos de R$ 2,00, que gastamos pra comprar pregos (só depois de pronta pensei que seria muito melhor furar tudo com a furadeira, mas aqui aprendemos fazendo, então a próxima será melhor hahaha). Encontrar camas, estantes e tábuas de madeira no lixo não é difícil (o lixo aqui da Tijuca é bem bom, de maneira geral haha), uma vez que vivemos em uma sociedade que prioriza a compra e não o conserto. Sendo assim, quem sabe quantas estantes mais conseguiremos montar sem gastar quase nada?

Fiquei pensando que meu primeiro impulso foi comprar a estante, ao invés de fazer (ou ao menos comprar as partes), e fico feliz por não ter achado na loja, e ter tido a oportunidade de montar esse Frankenstein lindão. Além da estante, outras coisas que usamos no plantio são reutilizadas ou feitas para outro propósito:

  • Mexo a terra com a mão ou com uma das colheres da cozinha. Como diz o ditado, “lavou tá nova”.
  • Nosso regador é uma garrafa d’água toda furadinha na tampa. Dessa forma consigo regar as sementeiras sem afogar as plantas ou bagunçar a terra.
  • A terra por hora foi comprar, mas vou começar a buscar na casa da minha mãe (terra maravilhosa, rica, compostagem e felicidade hahaha), assim como alguns vasos que ela não usa mais.
  • Os vasinhos que vieram com algumas mudinhas que compramos estão neste momento sendo pintados, assim, conseguimos vasos bonitões e exclusivos sem gastar muito dinheiro.
  • Potes de sorvete, de manteiga e vasilhas sem tampa rendem excelentes vasinhos, basta fazer furinhos no fundo pra drenar. Você pode não somente pintar, mas também decorar com glitter, lantejoulas, o céu (e o gosto) são o limite. Eu curto coisas coloridas e minimalistas, então saí colocando triângulos e bolinhas em tudo, aproveitando a cor do fundo. hauahaua (segue exemplo abaixo :B).
  • As sementeiras são feitas de caixas de ovo. Achei elas muito fofas nesse azul, e usei hoje pra plantar tomates e tomatinhos (fica pra outro post hehe).
  • Temos um caixote de feira parado que vai virar uma hortinha. Caminhando próximo a hortifrutis e mercadinhos a noite é possível encontrar caixotes no lixo. Eles podem ser usados sem pintar, totalmente pintados ou com padrões (pretendo deixar parte colorida, parte na madeira \o/).

Em resumo, fica a mensagem, que vale para qualquer ideia ou projeto: você precisa de bem menos dinheiro do que imagina para começar as coisas. A ação, a vontade e a intenção são muito mais importantes! Com o mindset correto enxergamos o mundo com outra perspectiva, e vemos oportunidades onde os outros muitas vezes veem lixo. Que tal se, ao invés de pensar em todos os problemas que te impedem de começar, você focar em todas as habilidades e materiais que já tem? Tenho aprendido muito ao longo do tempo a começar de onde estou, sem projetar futuros, sem jogar minha preguiça (que existe e é grande HAHA) em qualquer outra coisa que não seja eu. Lógico que existem projetos e ideias que dependem de investimento financeiro, mas mesmo estes não precisam ficar parados enquanto o dinheiro não vem. Organizar e projetar – sem cair na falácia do plano que nunca sai do papel – não custam dinheiro, e ajudam muito quando a grana finalmente vem. Enxergar o lado positivo e criar soluções onde os outros criam problemas leva a gente muito mais longe. Pode ser a mudança de vida, pode ser a mudança de hábitos, pode ser a hortinha em casa, o importante é levantar e fazer! \o/

 

Você tem fome de quê? – Como melhorar sua relação com a comida

Pesquisas recentes apontam que as pessoas falham em mudar sua alimentação por um motivo muito simples: o foco é somente na mudança, na comida, e a saúde mental é deixada completamente de lado. Mais do que levar em consideração os processos que se desenvolvem na mente de quem está acima do peso (depressão, ansiedade, etc), a relação com a comida é também deixada completamente de lado. Em prol de um padrão que só serve para frustrar e abalar a autoestima, a cada ano mais pessoas são levadas a dietas mirabolantes, regimes impossíveis de exercícios e metas inalcançáveis a curto prazo. Mais do que isso, as pesquisas apontam também que a chance de abandonar uma mudança brusca rapidamente e voltar aos hábitos anteriores é muito grande, especialmente sem essa camada da saúde mental, imprescindível para uma mudança duradoura. Muitas pessoas chegam, inclusive, a adotar hábitos ainda piores, se sentindo frustradas e incapazes de viver uma vida mais saudável.

Pensando nisso, e na minha própria relação com a comida, resolvi listar alguns tópicos que me ajudaram muito ao longo dos anos. Para quem aí não sabe, sofri com distúrbios alimentares na adolescência, problemas que até hoje me atrapalham em questões relacionadas a autoimagem. O trabalho até aqui não foi fácil, mas a partir do momento que enxerguei as coisas como processos gradativos, tudo ficou um pouco mais fácil. Como gosto de repetir sempre, o importante é dar um passinho de cada vez, com consciência e foco. Tendo a motivação correta e tirando o peso da frustração, somos capazes de promover grandes revoluções na nossa vida. Vamos lá!

1 – O que você come?

Como é a sua alimentação hoje? Quantos destes alimentos você escolhe ativamente comer, e quantos são fruto de hábitos ou costumes antigos? Você dá prioridade para coisas mais naturais, ou se alimenta prioritariamente de alimentos processados e industrializados? Observar o que comemos é muito importante para estabelecer o gostaríamos de comer. Um exercício que eu adoro é dividir as comidas em felizes e tristes. Para definir a qual grupo cada coisa pertence, uso perguntas como as seguintes:

  • Esta comida é feita por máquinas ou por humanos?
  • Ao entrar no meu corpo, isso vai fazer bem ou mal ao seu funcionamento?
  • Esta comida me deixa plenamente feliz, ou me sinto mal (fisica ou psicologicamente) ao consumir?

Uma comida feliz é aquela que alimenta o corpo e a mente. Um prato bonito e colorido, o pão quentinho da padaria, uma fruta ou uma salada com meus vegetais favoritos. Uma comida triste é aquela que não alimenta, dando somente o prazer momentâneo. Entram aqui os refrigerantes, biscoitos recheados, frituras e comidas industrializadas de maneira geral. É gostoso? Definitivamente, mas para por aí. Se a comida não causa nada além do prazer que experimentamos quando comemos, então é triste. Pode parecer feliz, no momento, mas o peso que ela traz (e digo peso psicológico, não físico) não compensa.

Fazendo essa divisão, conseguimos entender em que pé está a nossa alimentação no momento, e se andamos consumindo mais alimentos tristes ou felizes. Com essa base, conseguimos estabelecer metas possíveis e, mais do que isso, tornar nossa alimentação o que deve ser: uma coisa boa, positiva, feliz, que nos dá energia para desempenhar as tarefas do dia-a-dia e nos torna mais alegres e dispostos. Com isso em mente, seguimos para a próxima pergunta. 🙂

2 – Porque você come?

Qual é a principal função da alimentação no presente momento? Você come pelo prazer momentâneo, ou mantém o foco no panorama completo? Você faz as refeições com horários estabelecidos, ou faz uma porção de lanchinhos ao longo do dia? Você come por compulsão? Para afogar as mágoas? Para entender nossa relação com a comida e como podemos melhorar, é importante entender porque comemos o que comemos, e partir disso para construir hábitos que se encaixem na nossa rotina e façam sentido para a vida que levamos (e que queremos levar).

Ao longo do ano retrasado, estava me recuperando de uma depressão. Passei os primeiros meses do ano sem apetite, sem sentir o gosto de nada, e quando o apetite voltou, comi tudo que tive vontade. Não me culpo por isso, pois minha mente estava se recuperando. Engordei uns 30kg ao longo dos meses, e fui aos pouquinhos parando de fazer exercícios. No final do ano, me sentia inchada, triste, sedentária e sem energia. A dificuldade para percorrer a pé percursos que antes eram fáceis me fez despertar: o problema não era comer. O problema era o que, como e porque eu estava comendo, e o quanto isso estava influenciando o restante da minha vida. Para sair desse ciclo – que sei ser muito comum para a maioria das pessoas – investi numa mudança de perspectiva. Foi aí que comecei a dar preferência aos alimentos felizes, comecei a aumentar um pouquinho o percurso a pé todos os dias e me desafiar constantemente. Algumas perguntas:

  • Porque você consumiu sua última refeição? Pense seriamente sobre o que estava no prato e porque este alimento chegou lá.
  • O que a comida representa na sua vida? Você come para ter energia, ou desconta tristezas e frustrações na comida?
  • Como é a relação da sua família com a alimentação? Como eram seus hábitos na infância, e o que disso você traz para a vida adulta?

3 – Como você come?

A hora da refeição é sagrada para você? Você come em um ambiente tranquilo, com foco na mastigação e intenções positivas sobre a comida? Ou anda almoçando com o celular na mão, ou enquanto faz outras atividades? Pode parecer papo de gente new-age-good-vibes, mas faz toda a diferença quando queremos mudar nossos hábitos. Existem incontáveis histórias de gente que entra em dietas muito restritivas ou mirabolantes, e assalta a geladeira compulsivamente no meio da noite. A maioria das pessoas come muito mais do que precisa, por comer rápido demais e não dar tempo ao organismo de se sentir saciado e processar o que foi consumido.

Como comemos diz muito sobre nosso momento atual. Comer é prazeroso mesmo, e o importante é não tirar o prazer, mas mudar o foco. Se normalmente o prazer mora em comer muitos doces ou salgadinhos, ou sentar e bater um pratão cheio de batata frita, não pense que não é possível sentir o mesmo com um monte de legumes ou frutas. Comer bem é um ato de amor próprio, nos dá força e confiança para continuar. Sem restrições extremas, sem dietas absurdas, mas com consciência real do que vai no prato e de como nos alimentamos. As perguntas deste item são:

  • Quanto tempo você dispõe para cada refeição?
  • Você come quando sente fome, ou se guia somente pelos horários?
  • Você costuma mastigar muito rápido? Se sente pesado e desmotivado ao final das refeições, ou cheio de energia?

Algumas dicas para ajudar

Agora que expliquei as três perguntas (o que, como e porque), é hora de analisar os resultados. Se as respostas foram prioritariamente negativas e se você de alguma forma chegou a este texto, é porque sabe que a hora de promover mudanças é agora! Independente de qual for o seu foco (emagrecer, ser mais saudável, se alimentar melhor) ou em que parte do caminho você esteja, tenha em mente que a revolução não está somente no que é consumido, mas numa abordagem mais holística, que envolve o como e o porque. Estas perguntas são preciosas para analisarmos nosso estado mental e conseguir estipular rituais que possam realmente ser seguidos, sem ansiedade e sem peso, tendo em mente que uma mudança lenta é muito melhor do que mudança nenhuma. Com isso tudo na caixola, vamos ao que interessa!

Cozinhe com atenção e amor

Sempre que possível, cozinhe alguma coisa com atenção plena! Para quem já tem o costume de cozinhar, a ideia é tirar a vibe automática da ação, cozinhando com consciência e atenção. Coloque amor na comida, intenções positivas, pense porque aquilo te alimenta e no que te ajuda no dia. Para quem não tem o costume, a internet está recheada de receitas e vídeos para todos os níveis de conhecimento. Que tal transformar isso em um ritual? Pode ser um super almoço todo final de semana, ou o preparo das marmitas da semana no domingo. Coloque intenção, vontade, foco e amor em tudo que fizer (mesmo que seja só descascar uma maçã haha).

Diminua o tamanho do prato

Acha que come demais? Diminua o prato! Parece bobo, né, mas faz toda a diferença. Ao colocar a comida em pratos gradativamente menores (“gradativo” é a palavra, nada de sair de um prato fundo para um de sobremesa no dia seguinte :P), vamos tomando consciência do que nos deixa saciados, sem exageros desnecessários.

Pesquise sobre o que você come

A internet é uma ferramenta maravilhosa, que pode ajudar muito a mudar a alimentação. Comprou um legume ou tempero? Pesquise seus benefícios, quais vitaminas ele possui e no que ele ajuda seu corpo. Comprou um biscoito? Faça o mesmo! Pesquise os ingredientes e para o que cada um deles serve. Tornando esta busca um hábito, você aprende muito sobre a função de cada alimento, e sobre o que pode te ajudar em problemas específicos (um chazinho calmante antes de dormir, uma vitamina que dá muita energia de manhã e por aí vai).

Medite antes das refeições

Esta é especial para quem sofre com a compulsão, come rápido demais ou não consegue manter a atenção na comida. Feche os olhos por alguns minutos e foque na sua respiração. Almoça com a galera do trabalho? Não tem problema, o banheiro está aí para nos dar privacidade! hahahaha

Faça substituições inteligentes

É apaixonado por chocolate? Não precisa abrir mão! Quando retiramos bruscamente da rotina algo que gostamos muito – seja pela razão que for – a chance de voltar é muito maior. Então procure chocolates com mais cacau, barrinhas menores e por aí vai. É possível encontrar versões mais saudáveis – e tão saborosas quanto – de todos os alimentos. Pesquise, se divirta, experimente e encontre o que mais combina com você.

Foque nos alimentos naturais

Se alimentar de frutas, legumes, verduras e grãos é muito mais barato do que acreditamos. Tire da cabeça essa ideia de que se alimentar de maneira saudável é caro! A natureza nos dá tudo que precisamos, por um valor muito menor do que a indústria. Encontre uma feira perto de casa, ou um hortifruti com bons preços, e vá ser feliz. Foi a feira e comprou uma porção de coisas felizes? Então vai comer um pastel com caldo de cana pra fechar! “Mas como assim, pastel? Pastel é fritura!”. Sim, é! E não tem problema nenhum consumir de vez em quando. Não é sobre cortar tudo, é sobre ter mais consciência. Isso inclui vez ou outra comer um pastel de feira ou aquela pizza que você ama. Com o tempo vamos nos adaptando e entendendo a função e o momento para cada coisa! No mais, o pastel foi feito por humanos (mais um pontinho! haha) e o caldo de cana tem uma porção de benefícios para a saúde (olha aí uma ótima oportunidade de pesquisar!).

Com paciência e amor conseguimos construir uma relação muito melhor com a comida. Se perdoe, tire o peso, crie boas motivações e perceba sua evolução com o passar do tempo. Não vale se frustrar! Se alguma coisa não deu certo, tente encontrar outro esquema que funcione. É pra ser divertido e prazeroso, não derrubacional! haha E aí, qual vai ser o primeiro passinho? 🙂

 

Hoje corri pela primeira vez

A muitos e muitos anos eu tinha vontade de correr. Toda vez em que cheguei perto de tentar, coloquei algum empecilho e desisti, mantendo somente a caminhada. Eu sentia por dentro uma vergonha gigantesca, fruto da minha timidez (que apesar de superada, vez ou outra se mostra presente) e inseguranças em relação ao corpo. Tinha por dentro a ideia de que todo mundo ficaria olhando pra minha cara, de que as pessoas ririam porque sou desengonçada, enfim, o pacote inteiro das afirmações que contamos para nós mesmos quando nos autossabotamos. A autossabotagem foi, aliás, um dos principais fatores que me afastou de sequer tentar. E então eu era essa pessoa, que vira e mexe pesquisava zilhões de coisas sobre corrida, mas desistia sempre que chegava o momento de fazer de fato.

Um dos meus focos do ano é ser mais saudável. Esse foco foi herdado do ano passado, e percebo que já é fixo na lista, por um motivo muito simples: há sempre mais a ser feito. Ter saúde vai muito além de comer bem e fazer exercícios, tem a ver também com saúde mental, com autoestima e por aí vai. Estas coisas são sementes, que precisam ser regadas constantemente para que a planta cresça e vire árvore. Sei por dentro que enquanto mantiver este foco, as raízes de cada hábito serão cada vez mais fortes e profundas. Com isso em mente, escolhi uma atividade que parece super divertida, mas que infelizmente só volta das férias em fevereiro (quando começar conto como foi). O que fazer com o mês de janeiro? Como começar a me desafiar ainda este mês? A resposta veio das conversas com o noivo: vamos começar a correr. Eu queria fazer, ele também, temos roupas e calçados adequados e essa motivação toda do ano que se inicia. É importante investir em algum dos focos ainda em janeiro, para firmar os alicerces do ano, então a ideia parecia excelente.

A sensação no primeiro dia de corrida

Precisávamos sair para buscar o violão do Matheus no conserto (a aproximadamente 1.8km daqui), então unimos o útil ao agradável: corremos o caminho de ida, caminhamos o de volta (um percurso que já fazemos normalmente a pé). Como base pra não fazer besteira e se lesionar (um pavor haha), usamos o guia do NY Times. Uma das recomendações era o método do atleta olímpico Jeff Galloway, o run-walk-run (do inglês, correr-andar-correr). O nome é autoexplicativo, e é exatamente isso mesmo: na média para iniciantes, corremos 10-30 segundos para cada 1-2 minutos caminhando. Como nenhum de nós usa relógio e deixamos o celular em casa (e no mais, contar tempo é muito chato :P), medimos tudo de maneira diferente, nos desafiando até pontos próximos (ex: um ponto de ônibus, uma árvore, etc).

Se achei que ia morrer em alguns momentos? Definitivamente, mas foi tudo extremamente positivo. Eu aguento muito mais do que imaginava. Consigo me desafiar e cumprir os desafios. Me sinto viva, feliz e motivada. Nem reparei se alguém afinal olhou pra minha cara ou riu de mim. Vencer meus limites era importante demais e tomou todo o meu foco durante o percurso. Achei que morreria de vergonha e nunca mais ia querer correr na vida. Achei, na verdade, que nem fosse conseguir começar. Dá um frio na barriga, uma moleza, a sensação de que não somos capazes. Se você aguentar por alguns segundos, só alguns segundos a mais, a sensação é substituída pela certeza de que você consegue. Mesmo que por alguns segundos. Os primeiros viram mais na segunda vez, e um pouco mais na terceira. Antes que a gente se dê conta, serão minutos, quem sabe horas? Tenho ao final deste dia uma certeza: com a motivação correta – de autocuidado, de amor ao corpo que tem, de se sentir mais forte, saudável e confiante – qualquer um é capaz de começar qualquer coisa na vida. Depois que se começa, com a motivação certa, tudo acontece, e é mágico.

Quando foi a última vez que você desafiou algum dos seus limites? <3

Vai ficar tudo bem ♥

Com a correria insana que a vida foi virando nas últimas semanas, não consegui parar pra escrever aqui. Daí hoje tive um pequeno contratempo, e achei que era o momento perfeito pra passar essa mensagem: vai ficar tudo bem. Quase um mantra que fico repetindo mentalmente, e que sei que muita gente ao meu redor precisa repetir também. Vai ficar tudo bem. Entrei na minha conta bancária de manhã e descobri que tinha 20 reais pra passar até o início do outro mês. Vai ficar tudo bem. Me descabelei por alguns minutos, fiquei com uma angústia, a sensação de que estava tudo sendo em vão, e que de repente eu era de novo a pessoa aflita com mais mês que dinheiro..rs..Daí eu parei, respirei fundo e tentei organizar mentalmente tudo o que esse ano tem sido. Focando nas coisas boas percebi que a gente se aperta, mas as coisas acontecem. Eu não sou aquela pessoa, porque tenho construído tanto que ela não cabe.

Fui convidada pra participar com A Cadernista do Salão internacional do livro do Rio de Janeiro e isso foi muito lindo e muito marcante pra mim. Estava com vontade de vender o material todo e matar esse projeto, mesmo com todo o amor que tenho por ele. Foi ficando difícil e distante com tudo que aconteceu, e esse convite – feito um dia depois da ideia de me desfazer de tudo – veio como um sinal pra continuar. Já recebi esse sinal antes sobre os cadernos, e resolvi dar ouvidos dessa vez! Estarei lá vendendo cadernetinhas e darei uma oficina de zines e encadernação. Muito amor, e muita gratidão a Jô Ramos, que lembrou de mim e me convidou. 😀

Fiz uma parceria linda com a Raquel Cukierman e troquei material gráfico por uma bolsa no curso Performar Sapa-bi, que vai ser super incrível! Estava já há algum tempo querendo participar de um curso do tipo. Performance é uma coisa que me atrai muito, e tenho sentido um chamado pra expor o que escrevo nesse formato. Além de tudo, são questões que falam muito comigo, de sexualidade, dos caminhos, então só posso sentir uma gratidão enorme por ela ter entrado na minha vida!

Comecei quinta passada um curso no Helio Oiticica que tem absolutamente tudo a ver comigo. Fala de arte e espiritualidade, com foco na caminhada como prática estética. Me inscrevi e coloquei meu coração no formulário. Fui selecionada e nem acreditei, especialmente quando descobri que pessoas ficaram de fora. Uma tristeza não ter vaga pra todo mundo, mas me senti privilegiada e feliz. Espero que todo mundo tenha oportunidade de participar no futuro!

Eu e Carol (minha amiga e cunhada linda, pra quem não sabe), começamos um empreendimento de quitutes veganos. Primeiro ovos e bombons pra páscoa, e depois vamos nos aventurar pelos salgados, hambúrgueres e coisas do tipo. Trabalhar com comida é um sonho muito antigo e que nunca nem tentei tirar da gaveta. Estou explodindo de felicidade, especialmente porque a Carol é muito tranquila, motivada e cheia de ideias, então a gente combina e tudo flui! Quase choro quando falo disso, porque a Inclusiveg é realmente um sonho se tornando realidade!

Esse mês eu fui ao cinema, ao teatro, exposições, feira de arte impressa e uma porção de coisas bonitas. Conheci lugares novos, voltei a outros que não ia faz tempo, reencontrei pessoas queridas e circulei pela cidade. Do início do ano pra cá estou gradativamente voltando a me locomover a pé, como eu fazia antes da depressão consumir meu corpo. Eu emagreci uma porção de quilos e minhas roupas cabem em mim de novo, algumas até bem folgadas. Não fico feliz pela perda de peso em si – quem me conhece sabe que não ligo – mas é diferente quando começa a afetar suas tarefas diárias, coisas que você ama fazer. É diferente quando o ganho de peso é resultado de um processo ruim, sabem? E então fico feliz pelas mudanças e pelas conquistas e pelas caminhadas e por todas as coisas boas.

E só de escrever isso tudo, já sinto a vida melhor. Vai ficar tudo bem porque estou bem. Vai ficar tudo bem porque hoje consigo me desesperar mas logo em seguida colocar o que é bom no topo. Os contratempos vem e vão, as coisas boas vem e vão, mas se a gente permanece com a raiz fincada no chão faça sol ou faça chuva, prosperamos e damos frutos. Quando o foco é no bem e no que é bom, o resto vai só ficando pra trás.

Se você está passando por um momento angustiante ou desesperador, respira fundo e repete, fala em voz alta, grite até: vai ficar tudo bem. É só um momento, e os momentos passam. Existe tanta coisa bonita pra acontecer, tanta. Se a seis meses atrás alguém me falasse que essa seria a minha vida agora, eu não acreditaria. Os processos se desenrolam muito rapidamente se dermos chance. Então levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima e vamos a luta, porque o tempo é curto e o sonho é grande! <3

Como ser um ser humano de sucesso (fora dos padrões normais)

Olá, pessoas bonitas!

Andei um tempo escrevendo no meu outro blog, mais voltado para literatura, e acabei parando o ritmo intenso de postagens por aqui..rs..Como a boa filha a casa torna, cá estou eu com algumas ideias e pensamentos que organizei recentemente, e que tem muito mais a ver com o cantinho de cá.

Muito se fala sobre sucesso hoje em dia. Dicas, livros, fórmulas. Um sucesso pronto e empacotado, em que nós todos supostamente devemos nos encaixar. Um sucesso que tem a ver com dinheiro, com carreira nos moldes normais, com essa ideia estranha de “ser adulto” que permeia a internet. Como eu vivi e vivo completamente fora desses padrões (e tenho certeza que quem gosta dos meus textos também vive ou gostaria de viver), trago hoje um apanhado de dicas sobre o assunto. Coisas que aprendi com o tempo e outras que gostaria de ter dado ouvidos mais cedo (sim, não estou reinventando a roda! Muito disso vem de ideias e pensamentos que me deram ao longo do tempo e hoje compartilho ^^). Lá vamos nós:

1 – Seja gentil

Esse é o conselho mais precioso da vida. Seja gentil e atencioso com todas as pessoas que passarem pelo seu caminho. Não sabemos o dia de amanhã, e aquela conversa aleatória na fila da padaria ou o comentário em uma publicação pode render amizades e até parcerias profissionais. Esteja presente (falo muito sobre presença, e acho que merece até um texto próprio!), ouça tudo, absorva o que te couber! Com gentileza e atenção chegamos muito mais longe. Diferente do que pregam, a vida não precisa ser uma competição: o pensamento e a ação coletivos rendem muito mais frutos!

2 – Abrace as oportunidades

Você já deve ter lido e ouvido incontáveis vezes a expressão “agarrar as oportunidades”. Não gosto dessa expressão! Além de trazer em si uma agressividade forte, me parece tudo muito corrido e voraz. Pra aproveitar a vida de verdade é preciso paciência e amor, então faça diferente: abrace as oportunidades. Com amor e carinho e dedicação. Dê o seu melhor pro projeto grande e pro pequeno. Coloque o mesmo ímpeto e a mesma vontade em tudo que se propuser a fazer. Converse com as pessoas, peça feedback, não deixe o medo te impedir! Coloque os bracinhos em volta da oportunidade, feche os olhos e deixe a vida fluir! haha 😀

3 – Vá sem julgamentos

Já vi muita gente dispensar projetos porque não tinha ninguém “”importante”” envolvido. Acho que todos nós conhecemos gente assim, que acredita que só vale a pena pro currículo e pra vida o que envolve determinados tipos de pessoa. Esqueça completamente esse conceito. Todo mundo traz consigo uma bagagem fantástica esperando para ser compartilhada. Se manter aberto e sem julgamentos pode te levar a lugares incríveis. Foi sendo assim que fiz os melhores passeios, estive nos melhores eventos e conheci as melhores pessoas.

4  – Respeite seu tempo

Esse é um conselho bem clichê, mas que eu demorei muito tempo pra entender e aceitar. Com as redes sociais e a internet, fomos nos acostumando a comparar nossa vida a dos outros. Cada um tem um caminho a trilhar e com ele todos os altos e baixos. Aquela pessoa que se formou novinha, por exemplo, pode ter tido oportunidades que você não teve, assim como a sua formação mais tarde pode te proporcionar uma experiência que ela nunca vai ter. Uma coisa não invalida a outra, e se você se mantiver aberto a troca, pode aprender muito quem tem um caminho diferente do seu. Sem julgamento, sem competição e – especialmente – sem a sensação de que você deveria estar nesse ou naquele lugar a essa altura da vida.

5 – E por falar em formação…

…vida acadêmica não é tudo, e muito menos é o único caminho para se alcançar o sucesso! Eu me dei muito muito bem em todas as faculdades que entrei, e sou lembrada pelos meus professores até hoje. Apesar disso, o sistema de ensino apenas não funciona pra mim. Não tenho formação superior, e não pretendo ter tão cedo.

O que fiz com isso? Li e escrevi e aprendi o que eu queria, da forma que eu queria. Não tenho diploma, mas tenho uma carga de conhecimento muito maior do que a de muitos estudantes de mestrado que eu conheço. O ambiente acadêmico pode ser muito limitador, especialmente pra quem é curioso e inquieto. Isso não significa que seja ruim, significa apenas que ele é bom pra quem o aceita como ele é e consegue funcionar dessa maneira.

Sou designer e trabalho em uma agência onde atendo clientes de diferentes portes. Lá também atuo como redatora e web designer. Falo inglês fluente, sou artesã, canto, componho músicas, toco ukulele, sou cabeleireira, fotografo, sou escritora e artista visual. Aprendi tudo isso sozinha. Li uma infinidade de livros. Vi uma infinidade de filmes. Conheci uma infinidade de pessoas e consigo manter conversas significativas em qualquer meio. Não escrevi esse parágrafo pra me vangloriar, só pra mostrar que uma vida rica e produtiva é possível fora dos muros da universidade!

6 – Seja a exceção

Toda vez que conto minha história, ouço coisas como “ah, mas é diferente”, “mas você é exceção” e relacionados. Nunca consegui entender muito bem quem se enxerga como regra, então fica aqui o conselho: seja a exceção. Pense como exceção. Crie a sua forma de viver, de ver o mundo e de produzir. Isso vale para todos os campos da vida! Não aceite menos do que você merece, e todos nós merecemos nos sentir plenos, amados e felizes.

Sei bem como de vez em quando bate a insegurança e a vontade de desistir, mas quando isso acontecer, mantenha o seguinte em mente: você é exemplo para alguém. Podem ser seus amigos ou pessoas aleatórias que te acompanham na internet. Pode ser aquela prima mais nova ou seus irmãos. Alguém está vendo o que você faz e tira forças disso pra continuar. Então seja a exceção! Seja a pessoa fora da casinha! Agindo assim você vai ter que aturar muito julgamento e talvez até pessoas próximas tentem de convencer de que você está errado. Se você acredita, vai fundo. A diferença muda o mundo, não a regra. Pode parecer exagero, mas te digo: todos nós podemos ser uma semente da mudança. Pra florescer, basta acreditar, ir regando tudo com amor e seguindo em frente. O vento vem, a chuva vem, tudo parece ir contra, mas no final a gente com certeza floresce! <3

Espero que vocês tenham gostado, escrevi tudo de coração! Quem quiser me mandar mensagem ou bater um papo, me adiciona no face clicando aqui, ou comenta aí embaixo! Vem sem medo que a troca é certa! 😀

Namastreta

Resultado de imagem para 50 namaste 50 vai

Acho engraçado como hoje em dia existe toda uma cultura do ser zen e ficar de boa. Acredito que sejam de fato práticas maravilhosas, quando feitas da maneira correta. O que ninguém explica é qual é exatamente o limite entre ser “de boas” e estar na realidade engolindo sapos e se autodestruindo. Te soa exagerado falar em autodestruição? Pra mim, qualquer coisa que não funciona para nos elevar, funciona para nos sabotar. Vamos por partes.

Ser zen, meditar, falar de maneira tranquila e todas as coisas relacionadas sempre soam como coisa de gente elevada. Gente elevada não grita, não briga, não desce do salto. Gente elevada não coloca a mão na cintura com o dedo pro alto. Gente elevada medita, come orgânicos, anda e bicicleta e perdoa como quem compra banana na feira (isso faz sentido? hahahaha). Todas essas coisas estão bem distantes da realidade do cidadão comum. É difícil ser zen no ônibus sem ar condicionado. Comprando no Supermercado Mundial. Andando embaixo dessa lua. Com vários gatos, cachorros, tartarugas e humanos em casa. Daí o ser humano proletário começa a ler muito, tenta praticar, tenta se “””elevar””” copiando os caminhos. Já caí nisso a alguns anos atrás, mas agora volto vacinada pra dizer: é possível. Mesmo com todos os problemas e perrengues do dia a dia, com todas as provações.

O segredo, em essência, é não confundir ser zen com ser banana. Não confundir tranquilidade com passividade. Se te dói parecer tranquilo, você não está sendo tranquilo. O objetivo não é parecer, aliás, é ser. Pra você, por você, e não pras outras pessoas.

Com todas as coisas que penso, e juntando os conhecimentos que fui acumulando ao longo dos anos, percebi que minha vibe é muito mais a Namastreta. Calma, sim, mas passiva nunca. De boas, mas com limite.

No mais, acho muito chato gente que é zen demais. Sempre desconfio que tem alguma coisa errada com quem não se exalta – especialmente de felicidade. Acumular raiva, peso, tristeza é muito ruim (pra saúde, inclusive), e é importante aprender a deixar ir. Mas não ceda a pressão pra parecer tranquilo. Vira e mexe tudo que a vida precisa é de uma boa sacudida! 🙂

 

Referências: o ponto essencial para se ter mais criatividade

header - criatividade

Muito vejo falarem sobre criatividade, seja ligada a escrita, arte e design ou mesmo no mundo dos negócios. Ela é extremamente valorizada e ligada à inovação e capacidade de raciocinar rápido e resolver problemas. Entre uma porção de materiais sobre o assunto, encontramos muitos exercícios e soluções milagrosas para se desenvolver a tão falada criatividade. Na maioria dos casos, acho tudo uma baboseira sem tamanho, por um motivo muito simples: ser criativo não diz respeito a uma capacidade mágica sem ligação ao resto da vida, seja inata ou aprendida. Durante muito tempo acreditei que era um dom, mas quando comecei a enxergar por outra perspectiva, percebi que ela pode sim ser desenvolvida. Esse desenvolvimento, no entanto, nada tem a ver com exercícios e fórmulas. Ser criativo depende, prioritariamente, de uma única coisa: referências.

Quanto mais aprendemos sobre assuntos diversos, mais somos capazes de fazer ligações entre eles e desenvolver opiniões, pensamento crítico e criatividade. Ter um repertório vasto de referências é primordial pra ser criativo. Mais do que isso, é essencial! Acredito que exista sim o talento, a capacidade de se tornar um “buscador de referências” sem ser ensinado a tal, mas acredito também que é possível ensinar a ser curioso. Quando colocamos essa intenção nas nossas ações, o universo com certeza responde! (para os céticos de plantão, isso nada tem a ver com religião ou misticismo: quanto mais pesquisamos, mais nos sentimos motivados a continuar aprendendo. Energia positiva sempre! :D)

Sem mais delongas, segue aqui uma listinha que pode te ajudar a se tornar mais criativo, com um repertório vasto de referências e muita vontade de continuar aprendendo:

1 – Invista no que você gosta

Vamos partir do princípio de que “investir” não precisa envolver dinheiro, então nada de dar desculpas. O investimento mais importante que podemos fazer é o de tempo! Invista tempo no que você gosta. Ama ouvir música? Que tal pesquisar sobre suas bandas e artistas favoritos? Leia entrevistas, descubra artistas similares, entenda a motivação por trás de cada música, filme, série e livro que te interessa. Mesmo que você reserve só meia hora por dia pra fazer alguma atividade com atenção total, no final da semana você terá passado 3h30 aprendendo algo novo. Já parou pra pensar que existem palestras e workshops que duram menos? 🙂

2 – Valorize as pequenas vitórias

E por falar em dedicar só meia hora por dia (pra quem insiste em dizer que não tem tempo. Falaremos disso em outro post! haha), você anda valorizando suas vitórias diárias? Costumamos acreditar que ser criativo acontece de estalo, ou é algo que outras pessoas tem naturalmente, e por isso diminuímos o que alcançamos! Quando você coloca sua mente e seu corpo 100% na tarefa, por menor que ela seja, isso é uma vitória. Em alguns dias da vida, levantar da cama já é uma vitória, e devemos valorizar cada uma das nossas ações. Olhar o lado positivo e pensar na solução ao invés de focar no problema também é criatividade!

3 – Leia mais

Essa é uma dica simples, né? Mas na prática vai ficando complicada, especialmente pra quem não tem o hábito. Valem artigos na internet, livros, revistas, vale tudo! Deixe o celular de lado por algum tempo e foque na leitura. Faça anotações, guarde palavras e nomes pra pesquisar depois, anote as frases que você mais gostar. Além de nos tornar mais criativos, a leitura constante também nos ajuda a escrever melhor, aumentando nosso leque de palavras e expressões.

4 – Faça algo pela primeira vez

Essa frase não é cliché a toa! Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Quando pensamos isso, nos vem a mente coisas grandiosas como saltar de paraquedas, fazer grandes travessias ou viagens. Nessa hora bate o desânimo – nem sempre temos condições físicas e financeiras pra essas coisas grandiosas. Agora imagina o seguinte: você nunca cozinhou. Você ama estrogonofe. Se você pegar a receita e for aprender, isso é uma primeira vez! Existem primeiras-vezes de todos os graus e tipos. Muitas delas custam muito pouco ou são gratuitas, então dá pra conciliar e fazer diferente. Cada vez que você faz algo novo, sua mente se abre mais um pouco, e é como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original

5 – Não se leve tão a sério

Aprender algo novo – seja um idioma, habilidade, esporte, etc – demanda tempo e paciência. Um pouco de disciplina, sim, mas você não precisa desenvolver isso tudo da noite pro dia. Quando levamos tudo a sério demais, a tendência é desanimar rápido e perder a motivação. O que é melhor: andar três horas no primeiro dia e não aguentar andar direito por uma semana, ou andar 20 minutos no primeiro dia e se sentir bem pra andar mais 20 no dia seguinte e assim por diante? Todas essas coisas são construções, e construções demandam tempo. Não existe um marco do tipo “a partir desse dia sou uma pessoa criativa”, e por isso não existe forma de mensurar. Só quem sabe do seu progresso e da sua criatividade é você. Então ria, se divirta, leve as coisas de forma leve! Comece pequeno, foque nos primeiros passos e antes que você perceba um mundo novo e incrível se abriu a sua frente. <3

Espero que vocês tenham gostado da listinha e levem essas ideias pra vida! As pessoas sempre comentam que sou criativa e me perguntam o que eu fiz pra me tornar assim. Outras comentam coisas do tipo “ah, mas você é criativa”, como se eu tivesse nascido dessa forma. Nasci curiosa, sim, e assim me mantive, mas acredito de coração que somos todos capazes de aprender, de nos tornar curiosos e motivados! Se você acha que não, faça a experiência e venha me contar depois como foi. Se você não se sentir um tiquinho que seja mais motivado e criativo, te pago um sorvete com direito a chantilly! haha 😀

A 1ª selfie do ano

Estando fora das redes sociais, não tirei nenhuma foto minha do início do ano até o dia de hoje. Quase metade do mês sem milhares de selfies que não seriam postadas. Quase metade do mês sem me sentir horrível nas fotos repetidas vezes e reparar em detalhes da minha imagem que ninguém mais veria. Isso tudo está nos deixando doentes. Abalando nossa autoestima, nossa autoconfiança. Esse desespero com a imagem, desespero de estar presente em tudo, de participar. Uma angústia que só nos torna mais distantes e ansiosos.

Mais do que tudo isso, quase metade do mês sem nenhuma mini crise de ansiedade. Sem o coração disparando e sem falta de ar e sem pressa. Eu fiz mais, li mais, escrevi mais, experimentei mais. Me sinto mais bonita e mais ativa. Saio de casa sem maquiagem, olho no espelho e me acho linda. Me acho eu. Me sinto uma pessoa completa e presente nos momentos, sem a distração de um feed infinito colocando gradativa e sutilmente coisas na minha cabeça. Quando estava lá, achava que era imune. Hoje vejo que mesmo não estando tão profundamente viciada quanto a maioria das pessoas que conheço, em algum grau me afetava sim negativamente. Me sinto muito melhor agora.

Por outro lado, essa experiência – como tudo na vida – também tem seu lado ruim. As pessoas passam mais de 4 horas do dia perdidas em redes sociais, mas me acusam de ser “extrema”. Extrema por não participar de algo que não quero? Extrema por fazer o que quero da minha vida e não tentar obrigar ninguém a fazer o mesmo? Não faz sentido pra mim. Outro ponto super ruim é o fato de que pessoas próximas passaram a agir como se eu não existisse. E eu fiquei triste por perceber que muitos dos assuntos que essas pessoas puxavam comigo tinham a ver com as redes sociais. “Viu o que tal pessoa fez?”, “viu o que eu postei?”, “viu o que eu te marquei?”. Muitos assuntos começavam assim. Não sei se por isso ou por qual outra coisa, é como se eu tivesse deixado de existir. Me sinto as vezes ligeiramente isolada, mas por outro lado parece haver um mundo inteiro de possibilidades e pessoas na mesma sintonia pra conhecer. As pessoas realmente próximas permanecem próximas, sem decepções, e isso é o que importa.

Fico bastante impressionada com a diferença que isso tem feito na minha vida, e talvez por isso esteja dedicando um segundo texto pra falar sobre. Recomendo a todos a experiência, do fundo do coração. Não se deixe ser engolido pelo mar de ansiedade que a internet está se tornando. Não deixe eles lucrarem as custas da sua sanidade e do seu bem estar. Existe um mundo enorme e maravilhoso fora disso tudo.

Pra finalizar – especialmente pra quem insiste em querer me convencer de que o Facebook ajuda a criar conexões reais – deixo aqui algumas provocações:

  • Faça uma lista com três pessoas com as quais você tenha se conectado profundamente – mente, corpo e alma – somente por causa do facebook. Não vale gente que você admira de longe, não vale quem você curte e comenta os textos sem conversar profundamente sobre o assunto. Não vale a sensação da conexão. Só valem as conexões reais. Gente que você conhece a vida, a família pelo nome, os sonhos, ambições, vontades. Gente que você encontra e abraça e ama.
  • Quantas vezes você já saiu de casa mesmo sem muita vontade, porque se sentiu ansioso pensando no que ia perder, ou em como ia ser ruim ver as pessoas se divertindo no instagram e não estar lá?
  • Quantas vezes você postou foto em festas, eventos e lugares – mesmo que não estivesse realmente se divertindo – com legendas que davam a entender que aquilo estava sendo ótimo, do tipo “melhor noite da vida”?
  • Quantas pessoas você já stalkeou virtualmente? Isso te fez mais feliz ou mais ansioso?
  • Quando foi a última vez que você não se importou com a cara que ia sair na foto?

WhatsApp Image 2018-01-12 at 14.04.36

Eu hoje, por exemplo, não me importei nem um pouco.

Uma semana sem carne ♥

Para fins de experiência – eu vivo por elas ♥ – resolvi passar uma semana sem comer carne. Não que eu seja a maior carnívora do planeta. No geral não como carne, seja porque acho os preços extorsivos (especialmente da carne vermelha), ou somente porque não ligo muito. Com tanto legume, fruta e verdura lindos, a ideia de algo gorduroso e esquisito não me apetece muito.

Ainda assim, e levando em consideração que passei a maior parte do ano passado comendo na rua, estava me sentindo carregada. Comida de quentinha no geral é pesada, pois os pratos são pensados pra sustentar os trabalhadores braçais. Segundo o senso comum, a “sustança” é o que segura o trabalhador, então 90% da quentinha comumente é composta por arroz e feijão. Nos outros 10%, carne e um acompanhamento, que normalmente também não é nada tão saudável e feliz (macarrão, farofa, batata frita, maionese e por aí vai). Mais do que pensar nessas questões, tenho pensado muito sobre a indústria da carne e a forma como ela funciona. Além de achar absurdo e desumano, me incomoda um pouco não saber de onde vem o que eu estou comendo. Pode soar besteira pra alguns, mas acredito muito que a energia que é colocada no que comemos faz toda a diferença. Um animal que cresceu triste, confinado e teve uma morte sofrida não pode fazer bem.

Esses dias estava conversando em casa sobre como o mercado pega o que deveria ser normal – e até obrigação – e transforma em algo que justifique preços altos. Isso acontece na moda com empresas que dizem não utilizar trabalho escravo, por exemplo. Na alimentação, acontece com os orgânicos, com animais criados no pasto feito antigamente, com abate humanizado. Eu acho bastante absurdo se usar dessas premissas pra ganhar ainda mais dinheiro. Usar o “custo elevado na produção” como razão pra cobrar mais caro também não cola comigo: a diferença é que eles vão de lucro absurdo pra lucro razoável, nada mais. Não existe justificativa plausível. Acho muito triste que as modinhas da mídia tenham influência tão forte em uma coisa tão básica e necessária quanto alimentação, mas isso é assunto pra outro post! Voltando a semana sem carne:

Por todas essas questões que expus, e por não ter acesso (#proletária) a carnes de abate humanizado, resolvi fazer a experiência. No domingo fui ao hortifruti (acordei tarde e perdi a feira, uma tristeza) com minha listinha e na segunda-feira comecei. O café da manhã já postei aqui, foi uma variação daquilo todo dia (cada uma melhor que a outra). No almoço variei entre saladas e algumas preparações cozidas, e fechei os almoços da semana com um sanduíche mara: pão integral de passas, de uma padaria maravilhosa – e com preços justos – perto de casa, queijo cottage (queria ser vegana, mas o queijo não permite ahaha) e mais algumas coisinhas. Como diriam os jovens, #sextou. hahaha

Não tenho o costume de jantar, mas resolvi variar essa semana. Em alguns dias comi refeições leves e ontem comi cereal com leite de arroz (café da manhã na janta pode sim HAHA). No geral, comi mais frutas, legumes e verduras do que vinha comendo a meses. No geral, gastei bem menos dinheiro do que normalmente gasto comendo ao longo da semana. Resolvi fazer uma listinha de pontos positivos (não achei nada negativo ♥):

1 – Economia e alegria: com o dinheiro que usava somente pra almoçar, comprei comida que deu pras três refeições da semana inteira mais alguns snacks pra comer entre elas (barrinhas de nuts, cereal, leite de arroz, frutas)

2 – Me sinto mais leve e feliz: estava me sentindo morta e terminava todos os dias dolorida e inchada. Durante essa semana fui me sentindo progressivamente melhor. Nada agressivo porque a vida não muda em uma semana, mas me sinto muuuito melhor agora do que a duas semanas atrás (já estava me alimentando um pouco melhor semana passada, mesmo sem a experiência).

3 – Minha pele está lindíssima: minha pele andava horrível e mais oleosa que o normal, com os poros abertos e cheia de mini-espinhas-tenebrosas. Agora me sinto quase uma celebridade hollywoodiana. HAHA

4 – Minha alergia diminui consideravelmente: tive na semana um total de meia crise alérgica (graças a mudança brusca de temperatura). Nada de nariz escorrendo, nem de espirros, nem de coceira. Fiquei realmente impressionada!

Com tudo, pretendo continuar o experimento! Conforme for me organizando – é bem mais difícil fazer e organizar o cardápio do que comprar comida na rua, né rs – vou compartilhando aqui minha rotina, receitas e etc (incluindo tudo que der errado, porque como dizem, “é fazendo m* que se aduba a vida”! HAHA)

ps: pesquisando sobre semana sem carne no google achei esse texto do Hypeness. Bem interessante, um ponto de vista bem parecido com o meu.

Outro link ótimo é o da Segunda sem carne. Pra quem não quer começar com uma semana de estalo, que tal as segundas-feiras? ^^

Alguém aí é vegetariano ou vegano? Já fizeram alguma experiência parecida? 🙂